
A Honda registrou sua primeira perda anual desde que abriu capital em 1957, com déficit de ¥414,3 bilhões (R$ 13,1 bilhões) no ano fiscal encerrado em 31 de março.
O CEO Toshihiro Mibe, sob pressão, disse em coletiva que a montadora vai abandonar a meta de 2040 sem motores a combustão e priorizar 15 novos híbridos até 2030.
Na tentativa de sinalizar retomada, Mibe apresentou dois protótipos híbridos, um sedã liftback prateado com cara de Accord e um crossover compacto vermelho que aponta para o próximo Acura RDX.
Os dois modelos, segundo ele, devem chegar ao mercado dentro de dois anos, num esforço para virar a página enquanto a empresa encara um ambiente que chamou de “muito severo”.
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De acordo com a Automotive News, parte dessa nova leva será atualização de nomes existentes, mas outros serão projetos inéditos, misturando pragmatismo com pressa industrial.
Mibe disse que a Honda também vai reaproveitar arquiteturas e componentes da próxima geração de EVs da família 0 Series para a futura linha gasolina-elétrica.
A urgência tem motivo, porque a Honda passou de um lucro operacional de ¥1,21 trilhão (R$ 38,3 bilhões) no ano anterior para o prejuízo operacional citado agora.
Além disso, a empresa registrou prejuízo líquido de ¥423,9 bilhões (R$ 13,4 bilhões), reforçando a dimensão do tombo em praticamente todas as linhas relevantes.
Os write-offs e impairments ligados a EVs somaram ¥1,58 trilhão (R$ 50 bilhões), e Mibe afirmou que era necessário “puxar o plugue” e mudar de direção.
“Temos que parar o sangramento o mais rápido possível e abrir caminho para crescimento futuro”, disse ele, definindo isso como sua “maior responsabilidade” no comando.
Para recuperar margem e reduzir exposição a tarifas, a Honda quer elevar a compra local de componentes do powertrain híbrido para 64% em 2028 e acima de 90% até o fim da década.
O contraste é grande, já que a taxa atual de aquisição local nos EUA é de 16%, e o salto exigiria reorganização agressiva de fornecedores e logística.
A companhia também promete cortar pela metade prazos de desenvolvimento, custos e carga de trabalho até 2030, começando com mudanças menores neste ano fiscal e ciclos completos a partir de 2028.
Mibe disse que a inspiração virá do ritmo das montadoras chinesas, mas não detalhou como pretende atingir ganhos, nem apresentou um plano claro para capacidade, empregos ou consolidação de portfólio.
Mesmo projetando para o ano fiscal que termina em 31 de março de 2027 uma receita operacional de cerca de US$ 3.13 bilhões (R$ 15,6 bilhões) e lucro líquido de US$ 1.63 bilhões (R$ 8,1 bilhões), a Honda ainda carrega novas cobranças ligadas a EVs no mesmo patamar.
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