Vazou um memorando interno da Nissan sobre “racionamento” de óleo e corte de 45% — e o motivo apontado envolve conflito no Oriente Médio

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Na quarta-feira, foi noticiado um boletim de serviço atribuído à Toyota com instruções para racionar estoques de óleo diante de uma possível escassez.

Na quinta-feira, um informante enviou uma cópia de um documento semelhante, desta vez redigido pela Nissan, já prevendo um aperto de fornecimento e aumento de preços para departamentos de serviço.

Um porta-voz da Nissan confirmou a autenticidade do boletim ao The Drive, ressaltando que o texto é real, mas não chegou a ser distribuído à rede de concessionárias.

Em comunicado por e-mail, a empresa disse que “está monitorando de perto as atuais restrições de oferta de óleo” com fornecedores e que segue “comprometida em apoiar os dealers”.

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O documento é de uma página e inclui um rascunho de “pontos de conversa” para clientes, destacando que a escassez estaria atingindo todas as montadoras, não apenas a Nissan.

O boletim afirma que “restrições globais de fornecimento” estão afetando matérias-primas e insumos de refino “devido ao conflito no Oriente Médio”, levando a ajustes a partir de 1º de maio de 2026.

Na prática, o texto prevê que a alocação de Nissan Genuine Oil, incluindo variantes Mobil e Mobil 1, seria “restrita e gerida” em nível de 55% ano a ano.

Também diz que o fornecimento de óleo a granel e embalado da Nissan seria limitado a 55% dos volumes do ano anterior, o que implica um corte potencial de 45% frente ao histórico.

O memorando ainda menciona um “ajuste de preço impulsionado por fornecedores” sem quantificar valores, mas aponta que concessionárias não são obrigadas a comprar óleo a granel pela taxa do fornecedor da Nissan.

Por outro lado, qualquer serviço autorizado precisaria usar um lubrificante aprovado pela Nissan, ainda que não necessariamente comprado da Nissan, mantendo o controle técnico mesmo com compras externas.

Como o prazo de 1º de maio já passou sem o envio do documento aos dealers, a leitura óbvia é que o cenário ainda não ficou crítico, embora o nível de restrição assuste.

A parte que parece contraintuitiva é ver uma crise ligada ao petróleo “dino” afetar óleos modernos, muitas vezes sintéticos ou semissintéticos, e o “pulo do gato” está no base stock.

A ExxonMobil define base stocks como “os principais blocos de construção de lubrificantes e graxas”, produzidos por um único fabricante e misturados por formuladores até virar o produto final.

A mesma ExxonMobil lembra que não há definição universal de base stock sintético, pois nos EUA “synthetic” é tratado como termo de marketing, enquanto na Alemanha é definido por lei como polialfaolefinas ou ésteres.

Muitos fabricantes consideram “sintéticos” os óleos com altas concentrações de base stocks dos Grupos IV e/ou III, e a própria ExxonMobil observa que a maioria dos base stocks do Grupo III é refinada de correntes de petróleo bruto.

Trocar a base para alternativas mais “sintéticas” pode aliviar a oferta, mas tende a pressionar custos, e o texto sugere que, se você já está na hora da troca, talvez não seja o melhor momento para adiar.

Atualização de 14/05/2026, 8:20pm ET: a história foi atualizada para incluir uma declaração revisada da Nissan e esclarecer a natureza do boletim.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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