
A Volkswagen agora possui 209,8 milhões de ações da Rivian (RIVN), o equivalente a 15,9% da startup de EVs, segundo um novo documento enviado à SEC.
Com isso, a marca alemã ultrapassou a Amazon e se tornou, pela primeira vez desde o IPO de 2021, a maior acionista individual da Rivian.
O salto veio depois que a subsidiária americana da Volkswagen comprou 62,9 milhões de novas ações em 30 de abril, pagando US$ 15.90 (R$ 78.700) por ação, um investimento de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,0 bilhões).
Esse aporte foi destravado porque a joint venture entre Rivian e Volkswagen Group Technologies, chamada de RV Tech, atingiu mais um marco de testes previsto no contrato.
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O acordo de investimento, assinado em novembro de 2024, prevê até US$ 5,8 bilhões (R$ 28,8 bilhões) em parcelas de US$ 1 bilhão, cada uma condicionada a metas específicas do projeto conjunto.
A parcela liberada agora veio após a joint venture concluir testes de inverno da arquitetura zonal, em estágio de intenção de produção, voltada aos primeiros veículos definidos por software.
Protótipos das marcas Volkswagen, Audi e Scout Motors passaram pela validação, o que abriu caminho para o cheque bilionário.
Somando este movimento, a Volkswagen já colocou aproximadamente US$ 3,3 bilhões (R$ 16,5 bilhões) do compromisso total: uma nota conversível inicial de US$ 1 bilhão em meados de 2024, cerca de US$ 1,3 bilhão no lançamento da joint venture para licenças de propriedade intelectual e participação acionária, e agora mais US$ 1 bilhão em ações.
Antes da nova emissão, a Amazon tinha cerca de 158,4 milhões de ações da Rivian e ainda era o principal investidor externo, posto que ocupava desde que liderou uma rodada de US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões) em 2019.
Depois da emissão de 30 de abril, a matemática mudou, e a participação da Amazon foi diluída para aproximadamente 11,8% do total ampliado de ações.
O dado mais sensível é que a fatia da Amazon caiu de cerca de 20% no IPO para menos de 12% hoje sem nenhuma venda, apenas por diluição.
No caso da Amazon, o investimento sempre foi estratégico, amarrado ao plano de 100.000 vans elétricas de entrega.
Já a Volkswagen está jogando outro jogo: comprar a competência de software e de arquitetura elétrica da Rivian para destravar um desenvolvimento interno que emperrou.
A urgência vem do desgaste da Cariad, divisão de software da VW, que acumulou atrasos e estouros de custo por anos, forçando a empresa a rebaixá-la a um papel de coordenação.
Na prática, a Volkswagen passou a terceirizar partes centrais do software automotivo para parceiros, incluindo Rivian e Xpeng, tentando recuperar tempo perdido.
A plataforma SSP, pensada para sustentar de um futuro Golf elétrico até a linha elétrica da Porsche, foi adiada repetidas vezes e virou um símbolo do atraso.
Os primeiros modelos da Volkswagen usando software e arquitetura elétrica da Rivian são esperados para 2027, e a montadora trata essa parceria como base do futuro da sua linha de EVs.
Para a Rivian, o dinheiro é vital, porque a empresa segue intensiva em caixa enquanto escala produção.
A companhia registrou US$ 1,38 bilhão (R$ 6,9 bilhões) de receita no 1º trimestre de 2026 e começou recentemente a produção do R2 na fábrica de Normal, em Illinois, mas ainda precisa de fôlego financeiro.
Cada parcela de US$ 1 bilhão estende a “pista” da Rivian sem obrigá-la a captar no mercado aberto em condições potencialmente mais dilutivas, embora os acionistas atuais ainda sofram diluição nas colocações privadas.
Ainda restam cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões) do compromisso da Volkswagen, amarrados a futuros marcos, e isso pode empurrar a participação da montadora para bem acima de 20% até 2027.
Se as metas continuarem sendo cumpridas, a questão deixa de ser se a Volkswagen está comprometida com a Rivian e passa a ser se ela está se posicionando para algo maior.
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