
Perder US$ 5,600 por carro vendido (R$ 30.800) é o tipo de número que desmonta qualquer narrativa de crescimento “saudável”, mesmo quando as entregas sobem.
A Xiaomi divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2026 e mostrou que a divisão de EVs inteligentes e inovação em IA gerou 19,9 bilhões de yuans (R$ 15,1 bilhões) em receita.
Apesar do volume, o segmento fechou com prejuízo operacional de 3,1 bilhões de yuans (R$ 2,4 bilhões), deixando claro que escala, por enquanto, não virou lucro.
No total, foram 80.856 veículos vendidos no trimestre, o que, na média, implica uma perda de US$ 5,600 por unidade, um salto ruim frente ao prejuízo de US$ 900 por carro no ano anterior (R$ 5.000).
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Nas entregas, a Xiaomi registrou alta de 6,6% na comparação anual, já que no mesmo período de 2025 haviam sido 75.869 unidades.
A receita atribuída especificamente aos EVs inteligentes chegou a 19,0 bilhões de yuans (R$ 14,4 bilhões), com preço médio de venda de aproximadamente 235.000 yuans (R$ 178.600) por veículo.
A empresa destacou que cresceu mesmo com a descontinuação e a queda de ritmo de entregas da primeira geração do SU7, apontando o YU7 como o grande motor do trimestre.
Até 6 de maio, o SU7 de nova geração, lançado em março, já havia acumulado mais de 80.000 pedidos firmes, segundo a Xiaomi.
Já a linha YU7 atingiu 232.000 unidades entregues em 10 meses desde a estreia no mercado, reforçando o peso do modelo no mix.
Na política de preços, o YU7 GT, lançado em 21 de maio, parte de 389.900 yuans (R$ 296.300), enquanto o YU7 na versão padrão começa em 233.500 yuans (R$ 177.500).
Para sustentar esse empurrão comercial, a Xiaomi ampliou sua presença para 490 lojas em 143 cidades da China continental até 31 de março.
O problema é que, mesmo com a receita crescendo, a rentabilidade piorou, já que a margem bruta do segmento ficou em 20,1% contra 23,2% no mesmo período do ano passado.
A Xiaomi atribuiu a queda a subsídios ligados ao imposto de compra de veículos, a uma participação menor do SU7 Ultra — apontado como de maior margem — e ao aumento dos custos de componentes centrais.
Com esse combo, o trimestre terminou com o prejuízo operacional já citado, evidenciando que o desafio agora não é vender mais, e sim vender certo e gastar menos.
A leitura final do balanço é dura: a Xiaomi provou tração real em EVs, mas também escancarou que a transição de volume para lucro ainda está longe de estar garantida.
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