
A Europa decidiu que regra ambiental não é sugestão, e isso está colocando a Volkswagen diante de uma conta que pode virar uma bola de neve no curto prazo.
Enquanto os Estados Unidos podem ter “ventilado” multas de emissões para a atmosfera, a União Europeia manteve a pressão, e algumas montadoras já sofrem para cumprir os limites.
A Volkswagen é uma delas, e o impasse pode custar à empresa algo perto de US$ 2 bilhões (R$ 9.811.400.000) ao longo dos próximos três anos, com risco de piorar depois.
Na teleconferência de resultados do primeiro trimestre na semana passada, o CFO e COO do grupo, Arno Antlitz, detalhou o tamanho do problema.
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Segundo ele, a redução das permissões de emissões de CO2 na UE está adicionando de 400 milhões a 500 milhões de euros (R$ 2.309.700.000 a R$ 2.887.100.000) por ano às despesas da companhia.
Antlitz classificou o tema como complexo porque a solução não depende só de lançar novos EVs, mas de fazê-los vender no volume certo sem destruir as margens.
A Volkswagen espera vender mais EVs a partir deste ano e do próximo com a chegada de ID.2 e ID.1, só que, no ciclo de 2025, 2026 e 2027, isso ainda não resolve.
O que sobra é um malabarismo: equilibrar quanto a VW pagará em multas por excesso de CO2 e quanto está disposta a abrir mão de margem em cada EV para vender o bastante e reduzir a punição.
“Temos de ajudar esses carros com preços que nos colocam numa situação em que a margem é muito menor do que em carros a combustão”, disse Antlitz, descrevendo o trade-off entre perder dinheiro em multa e perder dinheiro na margem dos elétricos.
Questionado se um aumento de demanda por EVs poderia ser, paradoxalmente, algo negativo, ele indicou que a resposta varia conforme a geração do produto.
Ele afirmou que, no futuro ID.2 e em outros modelos MEB+ com células LFP, as margens são melhores do que nas gerações mais antigas de carros elétricos do grupo.
A melhora já aparece, segundo Antlitz, no ID. Crozz, que estaria entregando 70% a 80% das margens do T-Cross a gasolina, mas ainda longe de igualar 100%.
Ele só acredita em paridade total quando os veículos baseados na plataforma Scalable Systems Platform, a SSP, chegarem ao mercado.
Apesar de a SSP ter sido anunciada há três anos, ela pode estar a dois anos ou mais de distância, e o primeiro modelo previsto nessa base é um Golf elétrico em 2028.
No papel, 500 milhões de euros por ano parecem “administráveis”, mas a comparação interna pesa quando Antlitz disse que a VW perde 4 bilhões de euros (R$ 23.096.800.000) por ano com tarifas dos EUA.
No ano passado, o grupo faturou 322 bilhões de euros (R$ 1.858.300.000.000) e teve lucro total de 8,9, o que expõe margens apertadas para sustentar desenvolvimento e novos lançamentos.
No mundo, a VW vem vendendo menos elétricos, e afirmou que as entregas caíram 8% nos três primeiros trimestres com demanda mais fraca nos EUA e na China.
Na Europa, porém, o movimento é diferente, e 18,1% dos veículos vendidos pelo grupo na UE no primeiro trimestre foram elétricos.
Para o mercado americano, Antlitz confirmou que a produção do ID.4 em Chattanooga foi encerrada, com o modelo seguindo disponível em pequenos volumes importados e fabricado fora.
A planta do Tennessee, por sua vez, deve concentrar esforços no Atlas, uma família de dois modelos que, somados, representam o veículo mais vendido da Volkswagen nos Estados Unidos.
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