
Quando uma montadora de EVs apaga do calendário as próprias promessas, o mercado entende o recado na hora, e a Lucid acabou de fazer isso com 2026.
A empresa descartou toda a projeção de produção para 2026 após notícias ruins sobre as vendas do primeiro trimestre, num movimento que soou como freio de emergência.
O baque veio junto com um prejuízo líquido de US$ 1 bilhão (R$ 4.905.700.000), que derrubou as ações em mais 5% e ampliou a queda já enorme de 75% em 12 meses.
O diretor financeiro Taoufiq Boussaid disse a investidores numa teleconferência na semana passada que a nova orientação só será atualizada no fim do segundo trimestre.
Veja também
Apesar do recuo, a Lucid manteve a meta de elevar a produção anual para 25.000 a 27.000 veículos em 2027, sinalizando que aposta numa virada mais adiante.
No primeiro trimestre, a marca produziu 5.500 veículos, mas entregou apenas 3.093 unidades do sedã Air e do crossover Gravity, um volume praticamente estável em relação ao ano anterior.
As entregas do Gravity foram fortemente afetadas em fevereiro por um defeito no banco traseiro que levou a um recall, segundo a própria empresa.
A Lucid afirmou que as entregas se recuperaram em março, mas não divulgou o número, deixando o mercado sem visibilidade do tamanho real do rebote.
No relatório de resultados, a companhia disse que está tomando novas medidas para alinhar a produção às entregas esperadas e à demanda dos clientes.
O prejuízo líquido de US$ 1 bilhão (R$ 4.905.700.000) se ampliou frente aos US$ 366 milhões (R$ 1.796.500.000) registrados um ano antes, mostrando uma piora agressiva no ritmo de queima de caixa.
A receita subiu 20% e chegou a US$ 282 milhões (R$ 1.383.400.000), mas ficou muito abaixo do que Wall Street esperava para o período.
Analistas projetavam cerca de US$ 440 milhões (R$ 2.158.500.000), e a frustração foi a maior em mais de quatro anos, de acordo com a Reuters.
Mesmo com o cenário pesado, a Lucid segue com uma almofada financeira relevante graças ao seu controlador, o fundo soberano Public Investment Fund, da Arábia Saudita.
A empresa mira uma aceleração de produção e vendas em 2027, apoiada por uma nova fábrica no reino saudita voltada para construir o crossover médio Cosmos.
O contraste chama atenção: alguns dos EVs mais “frios” do mundo sendo sustentados por dinheiro do petróleo, enquanto a conta operacional ainda insiste em não fechar.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










