
Após anos de crescimento frenético, as vendas de EVs de passeio começaram a amolecer na China, mas o transporte de carga elétrico ganhou tração em ritmo oposto.
No recente salão de Pequim, um caminhão elétrico prateado e gigantesco se impunha sobre estandes cheios de carros de passeio anunciados com descontos agressivos.
Modelos como o oferecido pela GAC Lingcheng New Energy Commercial Vehicle Co. já respondem por 20% do segmento, depois de as vendas triplicarem em 2025.
Em março, as vendas mensais mais que dobraram e passaram de 24.000 unidades, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados do China Automotive Technology & Research Center.
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A leitura de fevereiro tende a ter ficado distorcida para baixo pelo feriado do Ano-Novo Lunar, o que dá ainda mais peso ao salto observado em março.
“Os operadores de frota estão mudando porque a conta finalmente fecha, não só por pressão regulatória”, disse Xu Shuo, diretora financeira da GAC Lingcheng, em entrevista.
Baseada em Guangzhou, a companhia vende veículos comerciais no mercado doméstico e enfrenta pesos-pesados como XCMG Construction Machinery Co. e China FAW Group Co.
Mesmo com os caminhões elétricos ainda mais caros que os modelos a diesel, Pequim estendeu os subsídios de troca até o fim do ano.
Xu estima que pagar de 100.000 yuan (R$ 72.100) a 150.000 yuan (R$ 108.100) a mais por um caminhão elétrico pode se pagar em apenas um ano.
A economia melhorou nos últimos meses porque os combustíveis dos caminhões de frete dispararam desde o início da guerra no Irã.
Até o fim de abril, o gás natural liquefeito acumulou alta de 53% e o diesel avançou 35%, segundo dados do National Bureau of Statistics.
Em média, rodar com eletricidade sai mais barato do que com diesel, mas o resultado varia porque a tarifa muda conforme horário e localização, afirmou Maynie Yang, da BloombergNEF.
Para ela, o diesel mais caro pode estimular ainda mais as vendas, embora frotas levem um tempo para reagir e recalibrar rotas, contratos e infraestrutura.
A BloombergNEF projeta que veículos comerciais pesados elétricos cheguem a 63% das vendas totais na China até 2035 num cenário que não inclui pressão extra de metas climáticas.
Hoje, a maior barreira segue nas viagens longas, já que os e-trucks pesados ainda dominam trajetos curtos entre portos e fábricas, minas e ferrovias, ou cidades próximas.
O governo mirou essa lacuna no 15º Plano Quinquenal divulgado em março, com a meta de construir 10.000 km de corredores de frete de zero emissão até 2030.
Do lado privado, empresas chinesas estão escalando pontos de recarga, com 9.000 estações anunciadas até setembro passado, enquanto a demanda em rodovias cresce em feriados.
Em Hebei, o motorista Shen aguardava numa estação recém-construída pela TELD New Energy Co. e contou que uma rota de 170 km caiu de 200 yuan (R$ 140) em combustível para 120 yuan (R$ 90) em recarga.
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