
A guerra tecnológica dos EVs ganhou uma cobrança bem concreta: enxergar melhor o trânsito agora custa mais caro para quem compra BYD.
A marca chinesa aumentou o preço do pacote “God’s Eye B”, sistema avançado de assistência ao motorista baseado em LiDAR.
A opção subiu de 9.900 yuan (R$ 7.200) para 12.000 yuan (R$ 8.800), com reajuste válido a partir de 1º de maio de 2026.
Clientes que fizerem o depósito até 30 de abril mantêm o preço antigo, segundo informações publicadas pela Sina.
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A mudança afeta modelos selecionados das linhas Dynasty, Ocean e Fang Cheng Bao, dependendo da versão e da configuração escolhida.
A BYD atribui o reajuste ao aumento significativo dos custos globais de hardware de armazenamento, peça cada vez mais crítica nos sistemas ADAS.
O “God’s Eye B” depende de memória de alta velocidade para processar nuvens de pontos do LiDAR, rodar modelos embarcados e armazenar dados de condução.
Na prática, o carro precisa guardar e interpretar uma quantidade enorme de informação em tempo real, não apenas exibir ícones bonitos no painel.
Dados do setor indicam que os preços de DRAM e NAND automotivos dispararam desde o fim de 2025.
A pressão vem da demanda por infraestrutura de IA e de uma oferta mais apertada de semicondutores, combinação que já atingiu diretamente as montadoras.
Um relatório mais amplo do setor apontou alta de quase 90% nos contratos de DRAM apenas no primeiro trimestre de 2026.
Em alguns segmentos, os aumentos foram ainda maiores, reforçando que a instabilidade dos chips virou parte central da conta dos veículos inteligentes.
A volatilidade da memória já é tratada como problema estrutural para pilhas de software automotivo, especialmente em sistemas de direção assistida avançada.
Uma análise recente da CNC indicou que essa oscilação superou até as variações no custo das baterias em impacto sobre prazos de implantação autônoma.
Outro relatório da CNC destacou pedidos crescentes de executivos por padronização de chips e baterias para aliviar custos em plataformas de EVs.
O caso da BYD chama atenção porque mostra um dos primeiros repasses visíveis de custos de semicondutores diretamente ao preço opcional de ADAS.
Até agora, montadoras muitas vezes absorviam parte dessa pressão para preservar competitividade em um mercado chinês extremamente disputado.
A escala do “God’s Eye” também ajuda a explicar a sensibilidade do custo, já que o sistema equipava mais de 2,85 milhões de veículos em março de 2026.
Segundo a BYD, essa frota gera aproximadamente 180 milhões de km de dados de condução por dia, volume valioso para treinar algoritmos.
O problema é que quanto mais dados e capacidade de processamento entram no carro, maior fica a dependência de memória, chips e armazenamento embarcado.
Com data centers de IA consumindo parcela dominante da produção global de memória, sistemas com LiDAR e alto processamento podem ficar expostos a preços elevados até 2027.
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