CEO de empresa de petróleo diz que vem por aí uma falta de combustível igual dos anos 1970

mike wirth ceo chevron
mike wirth ceo chevron

O mundo adora acreditar que sempre existe um plano B para energia, até o dia em que um gargalo fecha e o resto do sistema descobre que a margem era pequena.

Desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, o Estreito de Hormuz teria praticamente parado, afetando um corredor por onde costuma passar mais de 20% do petróleo global.

Na segunda-feira, o CEO da Chevron, Mike Wirth, alertou que esse estrangulamento pode virar falta física de petróleo em boa parte do planeta, segundo a Reuters.

Com menos oferta chegando, a conta tende a aparecer nos postos, forçando demanda a encolher e espalhando efeitos ruins por consumo, logística e crescimento econômico.

Um sinal precoce citado nesse cenário foi a quebra da Spirit Airlines, atingida quando os custos do querosene de aviação dispararam e esmagaram margens.

No meio do turbilhão, o texto coloca o presidente Donald Trump, de 79 anos, como figura central do debate, lembrando a frase em que ele chamou “acessibilidade” de “good line of bullsh*t”.

Wirth foi além do alerta e invocou as duas crises de abastecimento dos anos 1970, que acabaram em racionamento, paralisia política e recessões em vários países.

A leitura dele é que o choque já ultrapassou o ponto em que “buffers” do sistema conseguem absorver, e reservas estratégicas nacionais, inclusive dos EUA, estariam sendo usadas.

Se essa visão se confirmar, a ideia de gasolina a US$ 10 por galão (R$ 50) deixa de soar como exagero e começa a parecer um degrau plausível.

A previsão aponta a Ásia como a primeira e mais castigada região, porque grandes economias locais dependem mais do petróleo do Golfo, especialmente com sanções sobre a Rússia.

China e Índia, descritas como economias em expansão e grandes consumidoras de combustíveis fósseis, sofreriam impactos prolongados caso não consigam manter o ritmo de consumo.

Os EUA estariam um pouco mais protegidos por produzirem petróleo e serem exportadores líquidos de derivados e, pela primeira vez desde a Segunda Guerra, também de petróleo cru.

Ainda assim, Wirth disse que essa proteção seria relativa e temporária, e o Porto de Long Beach teria recebido o último carregamento programado de cru vindo dos países do Golfo.

Quando as importações do Golfo secarem por completo, o texto prevê preços em trajetória de alta, com a economia americana sentindo o peso integral do bloqueio.

Segundo a MSN, a Califórnia teria apenas quatro a seis semanas de reservas de gasolina e diesel para administrar antes de uma pressão maior nos preços.

Nos anos 1970, o choque de 1973 fez o barril subir de US$ 3 (R$ 10) para quase US$ 12 (R$ 60), e em 1979 o preço passou de US$ 39,50 (R$ 200) por barril.

Agora, o Brent estaria em US$ 111 (R$ 550), após quase tocar US$ 130 (R$ 640) no início de abril, e a mensagem é que outro grande choque não está fora do radar.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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