
A disputa global por espaço nas garagens europeias está levando a Chery a abandonar de vez a imagem de fabricante chinesa apenas barata.
Maior exportadora de carros da China, a empresa agora busca inspiração em duas referências quase opostas da indústria mundial: Toyota e Tesla.
O presidente Yin Tongyue disse à Reuters que a estratégia interna ganhou o apelido de “double T”, uma combinação de qualidade japonesa com inovação americana.
Segundo ele, a meta é produzir carros capazes de fidelizar clientes por muitos anos e, ao mesmo tempo, atrair compradores jovens com tecnologia avançada.
Veja também
Fundada em 1996 às margens do rio Yangtzé, a Chery viu seu primeiro carro sair da linha de montagem em 1999.
No início, a marca era conhecida como Cheery e se vendia como uma opção alegre, acessível e de baixo custo.
Agora, a ambição mudou de escala, especialmente em mercados onde montadoras chinesas vêm pressionando rivais tradicionais com EVs avançados e preços agressivos.
Chery, BYD e Geely estão entre as fabricantes que mais incomodam a indústria global, justamente por combinarem tecnologia recente com custos difíceis de igualar.
O Salão de Pequim deste ano, aberto ao público nesta semana, reforça essa mudança ao se consolidar como o maior evento automotivo do mundo.
A Chery vendeu 2,8 milhões de veículos no ano passado, alta de quase 8% sobre o ano anterior, segundo dados do setor.
Apesar do avanço, a empresa ainda está atrás da BYD, que vendeu 4,6 milhões de carros em 2025 e virou a quinta maior montadora do mundo em volume.
A expansão internacional da Chery ganhou velocidade impressionante, com vendas globais quase quadruplicadas entre 2020 e 2025.
Na Europa, um dos pontos centrais é a Espanha, onde a empresa produz carros da marca Ebro em uma joint venture local.
A operação funciona em uma antiga fábrica da Nissan em Barcelona, e Yin afirmou que o desempenho atual é “muito bom”.
O executivo disse que a Chery quer ampliar a capacidade em Barcelona e também usar a unidade para exportar a outros mercados.
Mesmo assim, ele reconheceu que enviar grandes volumes de carros de um país para vários outros não é uma solução sustentável.
Por isso, a empresa quer fabricar mais nos próprios mercados locais e procura oportunidades para dividir instalações com montadoras europeias.
Yin não detalhou quais países estão no radar, mas afirmou que eventuais parcerias poderiam envolver divisão de lucros e compartilhamento de modelos.
A Chery também tenta diversificar sua presença fora da China com as marcas Omoda e Jaecoo, lançadas internacionalmente em 2023.
Juntas, as duas venderam 380.000 veículos no ano passado, e a meta apresentada a concessionários e funcionários é chegar a 1 milhão em 2027.
Nos últimos dias, a empresa recebeu cerca de 4.000 pessoas em Wuhu, incluindo fornecedores e distribuidores internacionais, em uma cúpula de negócios global.
O Jaecoo 7 tem se destacado em alguns mercados e foi o carro mais vendido do Reino Unido em março.
Ainda assim, o portfólio da Chery depende fortemente de SUVs, que somaram 2,3 milhões dos 2,8 milhões de veículos vendidos globalmente no ano passado.
Para ampliar sua presença, a empresa trabalha em modelos menores, uma exigência mais clara em mercados como a Europa.
Yin observou que consumidores chineses tradicionalmente preferem carros grandes, ao contrário dos europeus, que aceitam melhor veículos compactos.
Enquanto acelera lá fora, a Chery enfrenta em casa uma guerra de preços brutal, em um mercado chinês com mais de 100 marcas automotivas.
Para Yin, uma consolidação profunda está próxima, e em poucos anos apenas um grupo muito pequeno de empresas sobreviverá de forma saudável.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










