
A paciência encurtada da Ford com a enxurrada de recalls virou política oficial: a marca quer parar de ser alvo de piadas e começar a apontar culpados com nome e sobrenome.
Segundo executivos de diferentes empresas de autopeças ouvidos pela Crain’s Detroit Business, a Ford pretende expor fornecedores com falhas de qualidade ou custo e bani-los de novos negócios.
A mudança vem logo após a montadora convocar 180.000 caminhonetes e SUVs na semana passada por causa de parafusos de bancos soltos, um erro atribuído à cadeia de fornecimento.
A Ford, fundada em 16 de junho de 1903 por Henry Ford e sediada em Dearborn, Michigan, hoje tem Jim Farley como CEO e está tentando estancar o desgaste da imagem.
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Embora parte dos recalls recentes envolva software e engenharia da própria empresa, a montadora admite sofrer com lacunas de controle de qualidade em fornecedores específicos.
Um exemplo citado envolve 180.000 unidades do Bronco e da picape Ranger, que receberam conjuntos internos de parafusos do banco com torque inadequado antes da montagem final.
Outro caso atingiu 400.000 veículos grandes e lucrativos, incluindo a F-250 Super Duty e o Lincoln Navigator, por falha no sistema do limpador de para-brisa.
A Ford atribuiu o problema a uma peça produzida pela Trico no México, onde uma placa de retenção não foi fixada corretamente e as roscas puderam espanar, derrubando o funcionamento.
Para transformar a cobrança em rotina, a montadora quer colocar fornecedores em contratos plurianuais com metas de qualidade e um plano de “total value management” (TVM) que exige economia ano a ano.
De acordo com a Crain’s, planos de TVM não são novidade, mas executivos disseram que a ameaça explícita de substituição para quem não aceitar as condições é mais dura do que o padrão.
Além de pressionar preço e qualidade, a Ford busca previsibilidade e tenta reduzir a volatilidade que atrapalha cronogramas quando um parceiro decide abandonar um programa no meio.
Por isso, a empresa trabalha para eliminar uma cláusula incomum de não renovação que permite ao fornecedor optar por sair do contrato anualmente, forçando a Ford a correr atrás de alternativa.
Os problemas, porém, não se limitam a componentes pontuais, como sugere o caso do Explorer 2017–2019, em que links da suspensão traseira sofreram com umidade e ferrugem em dois fornecedores.
A correção exigiu substituir a peça corroída por outra melhor vedada e feita com materiais mais robustos, desenhada para resistir ao travamento por corrosão no uso real.
Enquanto endurece o jogo com parceiros, a Ford também tenta blindar a própria cadeia, inclusive colocando dinheiro no grupo First Brands para manter fábricas de autopeças operando.
A empresa ainda sente os efeitos de um incên dio em uma fábrica de alumínio no ano passado, que a obrigou a desacelerar a produção da F-150 e das picapes F-Series Super Duty.
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