
Cerca de um quinto do petróleo do mundo costuma passar por um corredor marítimo estreito, e a tensão no Estreito de Hormuz colocou esse gargalo no centro do mercado de energia.
A Polestar afirmou à CNBC que, nesse cenário, a velha “ansiedade da autonomia” foi substituída por “ansiedade no posto”, uma preocupação direta com quanto sai para abastecer.
Michael Lohscheller, CEO da empresa, resumiu o sentimento dizendo que o consumidor agora pensa menos em autonomia e mais na pergunta “quanto eu pago no posto?”.
A montadora diz estar vendo aumento de demanda por EVs novos e usados justamente porque o combustível encareceu depois da disrupção na rota de Hormuz.
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Na avaliação de Lohscheller, o discurso mudou de tom, porque antes muita gente escolhia EVs por razões idealistas, enquanto agora a escolha virou uma conta fria.
A leitura é que o choque de preços encurta o caminho até a decisão, já que comparar gasto mensal com combustível com o custo de recarga virou conversa de mesa.
O executivo falou à “Squawk Box Europe” num momento em que o setor vive pressão intensa por preços, margens e disputa tecnológica em praticamente todos os continentes.
A fala também veio logo após a companhia reportar prejuízo líquido maior no primeiro trimestre, de US$ 383 milhões (R$ 2 bilhões), apesar de volumes terem crescido 7% na comparação anual.
Segundo a Polestar, a piora refletiu aperto de preços, concorrência mais dura e o peso de tarifas na União Europeia e nos Estados Unidos, num mercado que não dá trégua.
Lohscheller descreveu a indústria automotiva como “super competitiva” e apontou a China como o exemplo mais extremo, onde o mercado teria virado “hipercompetitivo”.
Para ele, a Europa precisa acelerar a resposta, seja em produto, seja em escala, porque a velocidade chinesa está redefinindo expectativas de preço e inovação.
Nos Estados Unidos, o executivo destacou um ambiente mais incerto, citando o desaparecimento de incentivos fiscais e a sensibilidade do consumidor a qualquer aumento de custo.
Enquanto isso, o petróleo ganhou tração após ataques dos EUA e de Israel ao Irã no fim de fevereiro, elevando o risco geopolítico e a volatilidade nas cotações.
Na manhã de quinta-feira, o WTI para junho era negociado a US$ 101,27 o barril (R$ 510), e o Brent a US$ 106,31 (R$ 540), ambos com alta de cerca de 50% desde 27 de fevereiro.
A Polestar sustenta que esse tipo de choque transforma a discussão sobre EVs em economia doméstica, e que o “medo do posto” pode fazer o consumidor agir mais rápido.
Mesmo com perdas e tarifas no radar, a empresa aposta que o bolso tende a falar mais alto quando a energia dispara, empurrando a migração para EVs por pragmatismo.
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