Honda sobe mais de 7% mesmo após prejuízo histórico: o que a reviravolta na estratégia de EVs diz sobre o próximo ciclo da marca

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A disparada de mais de 7% nas ações da Honda na sexta-feira veio apesar de um marco duro: a primeira perda operacional anual da empresa em quase 70 anos.

A montadora informou prejuízo operacional de JPY 414,3 bilhões (R$ 13 bilhões) no ano fiscal encerrado em março, após ter registrado lucro operacional de JPY 1,2 trilhão (R$ 38 bilhões) no período anterior.

O resultado foi pressionado por provisões ligadas ao negócio de EVs e a investimentos correlatos, além de competição crescente de rivais chineses e um impacto tarifário nos EUA de JPY 346,9 bilhões (R$ 11 bilhões).

No comunicado de resultados divulgado na quinta-feira, a Honda afirmou que o ambiente de negócios muda rapidamente e que a visibilidade segue incerta para os próximos trimestres.

Mesmo assim, o pregão indicou alívio entre investidores, com as ações chegando a JPY 1.430,00 (R$ 50) e marcando alta de cerca de 8,33% na sessão.

Uma peça central dessa reação está na reorganização do braço de EVs, que inclui cancelamento de lançamentos e do desenvolvimento de alguns modelos previstos para produção na América do Norte.

A Honda estimou que a reestruturação do negócio de EVs pode custar mais de US$ 9 bilhões (R$ 45 bilhões), sinalizando a dimensão do ajuste e o tamanho do risco que a empresa quer conter.

A montadora também atribuiu parte da pressão competitiva ao avanço de novos fabricantes de EVs na China, que ampliaram a disputa por preço, tecnologia e escala em ritmo acelerado.

Nesse cenário, a empresa disse ter revisado planos de lançamento para determinados EVs, buscando adequar cronogramas e portfólio a uma arena mais agressiva do que o previsto.

Masahiro Akita, analista da Bernstein, afirmou que o otimismo do mercado pode vir do guidance de lucro operacional e líquido, que teria ficado 38% acima das estimativas consensuais.

Ao mesmo tempo, Akita avaliou que ainda é incerto se as projeções já refletem integralmente possíveis perdas associadas aos investimentos em EVs e aos desdobramentos dessa transição.

A demora para entrar com força no mercado de EVs tem pesado na Honda, que enfrenta inflação, tarifas nos EUA e rivais chineses com cadência de lançamentos mais intensa.

Aya Adachi, do Center for Geopolitics, Geoeconomics and Technology do German Council on Foreign Relations, disse que a concorrência automotiva global vem sendo influenciada pelo crescimento rápido da produção chinesa de EVs.

Ela observou que, apesar de pioneirismo em híbridos, a transição mais lenta do Japão para veículos elétricos a bateria limitou presença na China e aumentou a pressão em mercados de exportação.

Problemas de motores e recalls também atingiram a reputação, com relatos de falhas de bateria envolvendo motores Honda usados pela Aston Martin e um processo no Canadá ligado a um motor 1.5 turbo em três modelos.

Ainda assim, Citi e Nomura mantiveram recomendação de compra, com Toshihide Kinoshita, da Nomura, dizendo que revisões estratégicas abrem espaço para precificar uma recuperação mais robusta até o ano fiscal de 2028.

Na leitura do Citi, a Honda vem deslocando o foco para China e Índia, e Arifumi Yoshida apontou que a vantagem no negócio de motocicletas pode ajudar a capturar demanda de baixo custo no mercado indiano.

No fim do pregão, os papéis eram negociados perto de JPY 1.418 (R$ 50), com alta de aproximadamente 7,42%, enquanto o debate sobre EVs, tarifas e execução do plano segue no centro da tese.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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