
A disputa pública entre Li Auto e Nissan saiu do campo das alfinetadas e passou a atrair atenção regulatória, segundo relatos da imprensa local na China.
Reportagens citando o veículo financeiro Caijing afirmam que o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) notou a controvérsia em 11 de abril e teria conversado com representantes das duas empresas.
O pano de fundo são ações coordenadas de marketing online após o lançamento do Nissan NX8, elevando o escrutínio sobre práticas de concorrência no disputado segmento de SUVs médios.
No próprio dia 11 de abril, o departamento jurídico da Li Auto declarou que seus produtos viraram alvo de “campanhas organizadas de difamação” depois da chegada de um modelo concorrente.
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A empresa alegou que um grande volume de publicações muito semelhantes apareceu em pouco tempo, com concentração de localizações de IP, e disse ter reunido evidências para eventual ação judicial.
O estopim teria sido o lançamento do Nissan NX8, quando o modelo foi comparado com veículos da Li Auto, incluindo o i6, durante atividades promocionais.
Na sequência, conteúdos online passaram a contrastar amplamente os carros, muitas vezes retratando o NX8 de maneira mais favorável, o que alimentou a narrativa de ataque coordenado.
A Nissan respondeu por meio do chefe da divisão de EVs, Wang Qian, dizendo que a empresa “segue as regras do setor e defende concorrência justa”, sem tratar diretamente das acusações.
O tema ganhou mais tração quando o CEO da Li Auto, Li Xiang, criticou publicamente o que chamou de “comparações maliciosas” feitas por uma concorrente japonesa.
Embora a declaração inicial tenha sido removida, comentários posteriores reforçaram a preocupação com campanhas negativas articuladas em rede.
Do outro lado, o executivo de vendas da Nissan, Xin Yu, já havia citado a Li Auto no evento do NX8, lembrando paralelos tecnológicos e afirmando que a marca “não faria comparações negativas”.
Os números ajudam a explicar a temperatura: a Li Auto reportou 406.300 entregas em 2025, queda de 18,81% na comparação anual, com recuo também em receita e lucro.
A empresa atribuiu a fase ruim à competição mais intensa em veículos de autonomia estendida e a desafios internos na transição para SUVs elétricos a bateria.
A Nissan, por sua vez, registrou 601.000 vendas em 2025, em escala maior, mas com mais da metade do volume concentrado no sedã Sylphy e uma oferta de EVs ainda limitada.
No começo de 2026, o jogo virou para a Li Auto, que entregou 95.100 veículos no primeiro trimestre, com março chegando a 41.100 unidades, alta de 173% ano a ano.
O i6 respondeu por mais de 24.000 unidades em março e virou motor de crescimento, enquanto a Nissan caiu mais de 30% nos dois primeiros meses de 2026, apesar de relatar avanço nas operações na China.
A briga expõe a pressão no mercado de SUVs entre 150.000 e 300.000 yuan (R$ 109.900 a R$ 219.800), faixa em que marcas domésticas e joint-ventures miram os mesmos compradores.
Com i6 e L6 estabilizados perto de 20.000 unidades por mês, a entrada do Dongfeng Nissan NX8 por 159.900 yuan (R$ 117.200) coloca as empresas em colisão direta no segmento familiar.
Sem conclusões oficiais anunciadas, o caso passa a ser observado como parte de um esforço mais amplo para monitorar práticas de conteúdo online e comunicações ligadas à concorrência no setor automotivo.
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