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Lifan X60, entre surpresas positivas e negativas

Lifan X60, entre surpresas positivas e negativas

Ele tem alguma coisa de Hyundai Tucson, quando visto de frente e (especialmente) de lado. De traseira, lembra o Subaru Forester, por causa das lanternas, como bem observou o fotógrafo Fabio Aro. O painel lembra o do Toyota RAV4 antigo. O nome é quase o do Volvo XC60. E o preço remete ao Renault Duster.


Não é novidade para ninguém que os chineses se inspiram em modelos de sucesso – com ou sem consentimento. E o Lifan X60, não é exceção. A gente vai observando o carro e descobrindo aqui e ali as semelhanças com vários modelos. Como todo veículo chinês, o maior atrativo está no preço: por R$ 52.777 (o 777 remete ao logotipo da marca), o carro vem com tudo, incluindo GPS, som com DVD, Bluetooth, tela sensível ao toque de sete polegadas, câmera de ré, couro (sintético), barulho.

Barulho? Sim, ele também é de série. Enquanto nosso test drive estava restrito a percursos urbanos e baixa velocidade, o X60 agradou em vários aspectos. Mas bastou ir para a estrada que um barulho de rodagem, provavelmente vindo de algum ponto do sistema de transmissão/tração, invadiu a cabine e decidiu participar da conversa. Me pareceu uma intromissão exagerada para um carro de pouco mais de 5 mil km rodados, e fico pensando como ele estará aos 60 mil km.

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Porte elevado agrada

Produzido no Uruguai, o X60 tem no porte um grande aliado. As pessoas têm procurado cada vez mais carros de passeio com estilo off-road. Todo mundo quer uma vaga na escola do EcoSport. O modelo chinês tem 1,69 m de altura, e já faz aquela clara diferença para quem procura ver e ser visto no trânsito: se você sobe para entrar no carro, em vez de descer, vai ver tudo de cima. É isso que o povo quer, e o X60 entrega. O porte e as proporções são típicos da categoria. O para-brisa em pé é característico dos modelos mais tradicionais. Sacrifica-se um pouco a aerodinâmica em nome do visual mais parrudo.

Há, a meu ver, um problema. Disse lá no início que o modelo chinês lembra um pouco o Tucson. O problema é que o coreano é antigo, fez sucesso no Brasil há uns quatro, cinco anos, e agora a Hyundai já está em outra, pensando no próximo ix35. Tucson é passado.

O dilema de quem copia – e aqui já nem falo de chineses, mas sobre qualquer tipo de cópia – é que, enquanto estão copiando, os “copiados” estão pensando lá na frente, na próxima curva. Em tese, você sempre vai estar atrás, até porque é difícil copiar tudo.

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Tampa traseira é pesada

As demais medidas do carro também são boas (4,32 m de comprimento e 1,79 m de largura). O que impressiona é o espaço interno. O entre-eixos (2,6 m) nem é tão grande, mas o X60 é muito espaçoso, principalmente no banco de trás e no porta-malas. Deixa EcoSport (de qualquer cor) vermelho perto dele. Além de tratar muito bem ocupantes altos, o porta-malas para 405 litros acomoda bagagens sem aperto. O encosto traseiro pode ser rebatido ou inclinado. O problema é o peso da tampa do porta-malas. É ruim para abrir e para fechar.

O motor 1.8 de comando duplo variável e 16 válvulas rende 128 cavalos e tem torque de 16,8 kgfm (4.200 rpm). Não oferece aquele vigor nas acelerações, mas dá conta do recado para uma condução calma. Diante dos concorrentes nacionais, perde por não ser flex. Pronto, já sei que vão falar que nem todo mundo quer carro flex, que o motor não fica tão bom, que o etanol não compensa em vários Estados do Brasil…

Concordo com tudo isso, mas é uma tecnologia que dá liberdade de escolha, uma flexibilidade que pode ser muito útil em caso de variação de preços. Graças a ela, não é mais preciso ficar nem na mão de usineiros nem na dependência de produtores de petróleo. Enquanto não dá para comprar um elétrico (ou híbrido), acho melhor um flex do que um carro só a gasolina.

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A transmissão é manual de cinco marchas. Ao menos por enquanto, não há opção de automático. Apresentou bons engates, e a relação de marchas está adequada. Os pneus 215/65, da Continental, são de uso misto, e mostraram bom comportamento no asfalto e na terra. São modernos e silenciosos (aquele ruído que relatei não é culpa deles). Não foram testados na lama, mas de qualquer forma é preciso deixar claro que o X60 não é um off-road de verdade.

Afinal, a tração é dianteira. Ele pode ser usado em estradas de terra, mas nada muito radical. E fique longe do barro profundo. Pequenos obstáculos podem ser vencidos, porque a altura do solo é boa. As rodas de alumínio são de 16 polegadas, têm desenho agradável e deixam à mostra os discos nas quatro rodas. Na unidade avaliada, chamava atenção a pintura azul na parte central dos discos traseiros. Tanto que, de longe, parecia que o modelo tinha tambores atrás. Ilusão de ótica inicial. Quanto à segurança, o modelo obteve quatro estrelas (de cinco possíveis) no teste da C-NCAP, a entidade chinesa que realiza crash-tests.

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Completo, mas nem tanto

O interessante nesse carro é que ele surpreende por ter alguns equipamentos inesperados para um veículo nesse preço, e por não ter coisas bem mais simples e baratas (também para um automóvel nesse preço). Por exemplo, o GPS na tela funcionou muito bem, e não nos deixou na mão na cidade de Salto, interior de São Paulo, onde fica a sede da Lifan. A câmera de ré também ajuda nas manobras, e não é tão comum num automóvel nessa faixa de preço. Afora esses dois itens, o X60 traz airbag duplo, ABS, vidros elétricos nas quatro portas, ar-condicionado, direção hidráulica, som com comandos no volante e entradas auxiliar e USB, faróis de neblina, sensores de estacionamento, leds nas lanternas, etc.

Mas aí você começa a ver que algumas coisas básicas (e provavelmente mais baratas) foram deixadas de lado. Os bancos são de couro, mas não há ajuste de altura no assento do motorista. Da mesma forma, o modelo não tem computador de bordo. Se ele não tivesse nada, a gente até aceitaria a falta de alguns dados, como informação de consumo, mas, num veículo que oferece até tela sensível ao toque, espera-se que o computador de bordo esteja ali. A coluna de direção é ajustável apenas em altura, e os para-sóis não têm iluminação nos espelhos.

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Ainda precisa evoluir

O quadro de instrumentos tem velocímetro digital, “cercado” pelo conta-giros analógico. Simples e funcional. Outra coisa um pouco prosaica num carro tão bem equipado é o reloginho digital com iluminação azul, que me lembrou o do Del Rey. Além do horário, o pequeno display também informa a temperatura, mas com margem pouco confiável.

No dia das fotos, apesar do inverno o clima estava quente, mas certamente não os 47 graus apontados no instrumento. Repararam que em carro chinês um ponto positivo normalmente vem acompanhado de uma ressalva? Mãos à obra, chineses, vocês ainda vão conquistar o mundo (há pouquíssimas dúvidas a respeito disso), mas antes terão de melhorar seus carros. Para isso, é só prestar atenção nas críticas que sempre vêm depois dos “mas”.

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Lifan X60 – Ficha técnica

Modelo LF X60
Carroceria / Motorização SUV, 5 passageiros, 4 portas, motorização e tração dianteira
Motor (modelo) LFB479Q
Disposição Transversal
Número de Cilindros 4 em linha
Cilindrada (cm³) 1794
Diâmetro e Curso (mm) 79 X 91,5
Válvulas VVT, 16v, quatro válvulas por cilindro
Taxa de compressão 10,0 : 1
Potência máxima 128 cv a 6.000 rpm
Torque máximo 16,8 kgfm a 4.200 rpm
Transmissão Manual de 5 velocidades
Suspensão Dianteira McPherson, suspensão independente
Suspensão Traseira Trailing arm, suspensão independente
Freios A disco nas 4 rodas
Rodas Alumínio aro 16 polegadas
Pneus 215 65R 16
Distância entre eixos (mm) 2600
Comprimento total (mm) 4325
Largura da carroceria (mm) 1790
Altura (mm) 1690
Bitola (mm) Dianteira 1515 / Traseira 1502
Altura mínima do solo (mm) 179
Peso em ordem de marcha (kg) 1330
Porta-malas (litros) 405
Tanque de combustível (litros) 55
Óleo do motor (litros) 3,5

Fotos Fabio Aro

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