Montadoras chinesas correm para colocar IA em tudo e transformar os EVs em máquinas que pensam, decidem e dirigem sozinhas

BYD Song Pro DM i PHEV 1
BYD Song Pro DM i PHEV 1

A próxima disputa global dos automóveis já não gira apenas em torno de baterias, autonomia ou preço, mas da inteligência que vai comandar o veículo.

Depois de levar 25 anos para dominar o mercado de EVs, a China agora acelera para transformar seus carros em máquinas conectadas, autônomas e capazes de raciocinar.

A estratégia ganhou força com o plano quinquenal mais recente do país, divulgado neste ano, que apresentou o projeto nacional chamado “AI Plus”.

A iniciativa pretende inserir sistemas de IA na manufatura, na saúde e em praticamente todos os cantos da economia chinesa.

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No setor automotivo, esse movimento também mira uma vulnerabilidade estratégica: reduzir a dependência da China de semicondutores avançados controlados por cadeias dominadas pelos Estados Unidos.

Stephen Ma, chefe da Nissan Motor na China, disse no Salão do Automóvel de Pequim que já não existe distinção entre empresa de tecnologia e montadora.

Segundo ele, o veículo desenvolvido com IA avança de forma muito mais rápida na China, em um ritmo que pressiona fabricantes estrangeiras e rivais locais.

Nos últimos dias, montadoras chinesas e fornecedoras anunciaram novos sistemas, investimentos e plataformas de IA, ainda que algumas aplicações pareçam incrementais no curto prazo.

Para analistas, porém, o impacto de longo prazo é enorme, porque o carro passa a funcionar como agente digital, não apenas como meio de transporte.

Francois Roudier, secretário-geral da International Organisation of Motor Vehicle Manufacturers, afirmou em Pequim que as montadoras chinesas estão tão avançadas que desorganizam a indústria global.

Na avaliação dele, o setor não vive uma transição, mas uma revolução, impulsionada por software, chips, sensores e novas formas de interação.

A Xpeng afirma que seu modelo de IA atualizado permite comandos naturais, como pedir ao carro para estacionar perto da entrada de um shopping.

Os veículos da marca também conseguem usar câmeras para navegar sem depender de mapas ou coordenadas, ampliando a autonomia em situações cotidianas.

A Xiaomi, fabricante de celulares e eletrodomésticos que entrou nos EVs há três anos, apresentou uma versão atualizada de seu modelo de IA após a meia-noite de quinta-feira.

A empresa diz que o sistema HyperOS com IA pode fazer reservas em restaurantes, pedir café e organizar notas coletadas durante o trajeto.

O software também pode detectar sinais de estresse ou agitação no motorista e ajustar iluminação e música para a chegada em casa.

Dan Hearsch, colíder global automotivo da consultoria AlixPartners, disse que a IA chinesa busca tornar o carro mais fácil de dirigir e de usar.

A Huawei, que ampliou sua atuação de telecomunicações para chips, IA e carros conectados, prometeu investir mais de US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões) em cinco anos.

O objetivo é ampliar poder computacional para direção inteligente, justamente no segmento que mais cresce dentro do portfólio da empresa.

Antes da abertura do salão, a Horizon Robotics lançou o processador Starry 6, capaz de integrar cabine e condução com suporte a até 12 telas.

A fabricante chinesa de chips compete com a Qualcomm em um momento em que várias marcas buscam reduzir a dependência da Nvidia.

Xpeng, Li Auto, BYD, Geely e Leapmotor estão entre as empresas chinesas que desenvolvem seus próprios chips para disputar espaço com a Tesla.

A NIO, que separou sua unidade de semicondutores, vê os chips próprios como forma de cortar custos e melhorar resultados ao substituir soluções da Nvidia.

William Li, presidente-executivo da NIO, disse à Reuters que a empresa está aberta a toda a indústria e recebe bem quem quiser usar seus chips.

A Dongfeng Motor, uma das quatro grandes montadoras estatais chinesas, afirmou que construirá carros com “tecnologia de IA incorporada” seguindo os planos de longo prazo do país.

A empresa trabalha com a Huawei em sistemas de direção inteligente para enfrentar rivais privadas, enquanto seu presidente Yang Qing resumiu a lógica política da corrida: quando a nação chama, a Dongfeng responde.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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