Montadoras chinesas descobrem que não vão conseguir sobreviver vendendo apenas carros, e agora correm para lucrar com chips, robôs e táxis voadores

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A grande virada exibida no Salão de Pequim não estava apenas nos carros, mas na tentativa desesperada de provar que vender veículos deixou de ser suficiente.

A China segue como o maior mercado de veículos novos do mundo há 17 anos, mas esse domínio criou um problema de escala difícil de sustentar.

O país abriga hoje cerca de 150 montadoras, embora apenas aproximadamente uma dúzia deva sobreviver ao processo de consolidação que se desenha.

Com fábricas demais, marcas demais e uma guerra feroz por preços, muitas empresas passaram a buscar receitas fora do negócio tradicional de automóveis.

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Essa mudança ficou evidente no Salão de Pequim de 2026, aberto em 24 de abril e previsto para terminar em 3 de maio.

Depois de visitar o evento, Tu Le, fundador e diretor-gerente da Sino Auto Insights, descreveu um setor tentando vender uma imagem muito mais ampla.

Durante webcast da Society of Automotive Analysts, ele afirmou ter visto montadoras chinesas exibindo robôs humanoides, chips, inteligência artificial e táxis aéreos eVTOL.

O recado era claro: fabricar EVs pode dar escala, prestígio e manchetes, mas nem sempre entrega lucro suficiente para manter tantas empresas vivas.

A BYD é o exemplo mais simbólico dessa contradição, porque lidera as vendas na China e também ocupa o primeiro lugar global em EVs a bateria.

Mesmo tendo superado a Tesla no ano passado, a companhia registrou queda de 55% no lucro líquido do primeiro trimestre de 2026.

Para Tu Le, a diversificação da BYD mostra que a empresa entende a dureza do mercado chinês, onde competir não é tarefa para os fracos.

No salão, Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, concedeu várias entrevistas internacionais destacando a tecnologia de recarga como um diferencial comercial da marca.

A ideia é transformar infraestrutura e know-how em ativos vendáveis, não apenas em argumentos para convencer consumidores a comprar mais EVs.

A XPeng seguiu caminho parecido ao mudar oficialmente seu nome para XPeng Group em 1º de abril, sinalizando ambições além das garagens.

Tu Le comparou a mudança ao movimento da Apple Computer, que virou Apple Inc. em 2007 para comunicar uma atuação tecnológica mais ampla.

Em Guangzhou, ele visitou a sede da XPeng e viu uma demonstração do eVTOL da empresa, além de um caminhão feito sob medida para transportá-lo.

A companhia também desenvolve seus próprios chips, que, segundo Tu Le, provavelmente poderão ser vendidos à Volkswagen para uso em alguns veículos.

O Salão de Pequim reforçou a escala desse reposicionamento, com 17 pavilhões, área equivalente a 70 campos de futebol, 1.451 veículos, 181 estreias mundiais e 71 conceitos.

Marcas europeias, japonesas e coreanas também participaram, ao lado de Ford, Lincoln, Buick e Cadillac, que apresentou o crossover elétrico Vistiq.

Ainda assim, Tu Le notou uma diferença gritante em relação aos salões dos Estados Unidos, onde as marcas americanas costumam aparecer sem grande entusiasmo.

Ele também se disse surpreso com a baixa presença de altos executivos das montadoras dos Estados Unidos no evento realizado neste ano.

A imagem final é a de uma indústria poderosa, mas espremida por sua própria capacidade, tentando transformar tecnologia em salvação antes que vender carros deixe de fechar a conta.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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