
A fábrica de Sunderland, a maior do Reino Unido, entrou no centro de uma estratégia que mistura sobrevivência industrial e abertura inédita para acordos com rivais.
Ivan Espinosa, CEO da Nissan, confirmou que consideraria fabricar carros para outras montadoras no complexo, em meio a conversas atribuídas a uma possível parceria com a chinesa Chery.
O executivo disse que a Nissan está “avaliando opções” para Sunderland e seus 6.000 trabalhadores, ao mesmo tempo em que a empresa divulgou perdas acentuadas no ano encerrado em março.
A montadora japonesa anunciou na semana passada que vai fechar uma de suas duas linhas de produção no nordeste da Inglaterra, justificando a decisão pela demanda fraca.
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Fontes do setor afirmam que a Nissan conversou sobre produzir veículos em nome da Chery, que acelera sua entrada no Reino Unido e na Europa com as marcas Chery, Jaecoo e Omoda.
Questionado sobre as tratativas, Espinosa afirmou que a planta “opera bem” e “é viável”, mas que o problema local é o volume insuficiente.
Ele resumiu a lógica dizendo que, se houver uma forma inteligente de trazer mais volume para dentro, a empresa pode considerar algum tipo de arranjo.
O CEO também ressaltou que não há “nada específico” a anunciar sobre parceiros ou opções, embora tenha indicado que esse tipo de colaboração é algo que a Nissan tende a explorar.
A discussão não é isolada, porque várias montadoras europeias vêm avaliando compartilhamento de capacidade com fabricantes chineses em meio à ociosidade industrial.
Na Espanha, a Ford teria conversado com a Geely sobre a venda de parte de uma planta em Valência, enquanto a Stellantis anunciou que produzirá carros para a Leapmotor em Madri e Zaragoza.
A BYD, maior fabricante de carros elétricos do mundo, também procura fábricas disponíveis na Europa e negocia com a Stellantis e outras empresas, segundo declarações de Stella Li à Bloomberg.
Ela afirmou em uma conferência do Financial Times em Londres que a BYD busca qualquer planta com capacidade sobrando para “utilizar” essa oferta ociosa.
Com custos menores, os carros chineses ganharam espaço na Europa e passaram a pressionar rivais locais, que agora preferem monetizar plantas subutilizadas a carregar custos fixos altos.
Na Nissan, Sunderland virou símbolo dessa tensão, já que a operação europeia é relativamente pequena no grupo, mas foi arrastada pela crise global da companhia.
A empresa anunciou a fusão de duas linhas que produzem Juke, Leaf e Qashqai, além de 900 cortes de empregos na Europa, incluindo algumas funções de escritório no Reino Unido.
No balanço divulgado na quarta-feira, a Nissan registrou prejuízo líquido de ¥533bn (£2.5bn) no último ano fiscal, com lucro operacional caindo quase 12% para ¥58bn e projeção de ¥200bn no próximo ano.
Espinosa, nomeado CEO há um ano com mandato de cortar custos e recolocar a empresa no azul, disse querer tornar a Nissan capaz de colaborar externamente “porque é isso que o ambiente está pedindo”.
Ele citou ainda o impacto de tarifas de Donald Trump sobre importações para os EUA e a competição dura na China, embora tenha afirmado que o progresso da companhia foi “constante” apesar do cenário incerto.
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