
Em um momento em que várias montadoras estão recuando de modelos elétricos e voltando a priorizar carros a combustão, a Polestar decidiu remar contra a maré.
A fabricante de EVs que nasceu do ecossistema da Volvo afirma que segue confiante na meta de produzir um carro com emissão líquida zero até 2035.
Segundo o relatório de sustentabilidade recém-publicado, a empresa reduziu a pegada de carbono por veículo em 7,3% no último ano.
Parte desse avanço veio com o Polestar 4, descrito como o modelo mais “limpo” da marca até aqui.
Veja também
A chefe de sustentabilidade, Fredrika Klarén, afirma que a empresa está “à prova do futuro” para uma sociedade inevitavelmente neutra em carbono.
Para ela, a motivação é pragmática e não moral, porque “não é para ser bom, é para ser inteligente”.
Esse posicionamento contrasta com o cenário político e regulatório, já que o governo Trump enfraqueceu incentivos a EVs e regras de emissões.
Na Europa, a Comissão Europeia também recuou do cronograma que já foi o mais agressivo do mundo para eliminar carros a combustão.
Do ponto de vista industrial, vender EVs já é difícil o bastante com tarifas novas e a chegada de EVs chineses baratos, como avalia Philipp Kampshoff, sócio sênior da McKinsey.
Ele diz que, no ambiente atual, a maioria das empresas prioriza custo-efetividade e deixa a sustentabilidade em segundo plano.
Mesmo assim, regulações de rastreabilidade e carbono estão se aproximando, com a União Europeia exigindo um “scorecard” digital de produtos e dados de reciclabilidade.
Até fevereiro, montadoras na Europa terão de montar registros semelhantes para EVs e baterias, enquanto a Califórnia exigirá relatórios de emissões diretas e da cadeia até agosto.
A Polestar diz que isso não será novidade, porque já vem contabilizando emissões por modelo há anos, algo que poucas marcas fazem de forma pública.
Em 2025, a empresa afirma ter cortado emissões ao usar mais aço reciclado e cobalto reaproveitado, e o Polestar 4 leva cerca de 272 kg de materiais reutilizados, 12% do peso total.
Mais de um terço da energia usada por fornecedores já vem de fontes livres de fósseis, e a descarbonização das redes elétricas reduz a pegada do carregamento.
Ao mesmo tempo, pesquisas recentes da JD Power mostram que apenas cerca de um terço dos compradores de EVs cita impacto ambiental como motivo de compra.
Klarén interpreta isso como maturidade do produto, com EVs sendo escolhidos por desempenho, economia e conveniência, e não só por consciência climática.
A marca também tenta capturar clientes ao se posicionar como alternativa à Tesla, tendo vendido 60.100 veículos no ano passado, 34% acima de 2024.
Apesar do crescimento, a Polestar registrou prejuízo de US$ 383 milhões (R$ 1,9 bilhões) no trimestre mais recente, evidenciando a pressão para controlar custos.
Para Olaf Schatteman, da consultoria ERM, outras montadoras até fazem trabalho similar, mas mais discretamente, e a lógica mudou do “certo” para o “bom negócio”.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










