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Quanto tempo devo ficar com um carro? 2 anos? 3 anos?

Você já parou para pensar que a compra de um automóvel pode ter muito em comum com um casamento? Não apenas no sentido de não conseguir mais revender determinado carro, mas na premissa básica do casamento: encontrar o Homem definitivo ou a Mulher definitiva e viver feliz para sempre – ou pelo menos por um bom tempo.

Afinal, com o carro, assim como ocorre com relação ao cônjuge, quanto mais tempo com ele (a) mais se conhece suas qualidades e se aprende a lidar com seus defeitos! Isso me leva a pensar que talvez seja o momento de se pensar a compra do carro de maneira diferente. Ao invés de pensar que um dia ele será substituído, que tal pensar que ele será definitivo?


Dessa forma, a tendência é elencar as qualidades que você sempre admirou num automóvel. E os recursos financeiros que você tem para mantê-lo. E ser realista. Afinal, você é quem sabe se poderá sustentar uma “esposa” de hábitos modestos, apta a lhe ajudar no trabalho e que consuma pouco ou se poderá sustentar uma luxuosa Rainha, nem sempre disposta a pegar no pesado, mas que lhe dará muito status e com certeza cobrará um alto preço por isso.

Bom mesmo é conhecer bem a noiva (no nosso caso o carro). Afinal de contas, todo divórcio sai caro. E trocar de carro é como um divórcio: uma grande soma é despendida para ficar livre dele. Nesta hora as alegrias não fazem parte da partilha. Apenas fazem parte das boas lembranças. Daí se conclui que quanto mais tempo juntos, mais momentos bons terão sido compartilhados.

Se não for para sempre, que seja eterno enquanto dure. Que tal por pelo menos 5 anos? Isto porque o mercado automotivo brasileiro tende a ficar como os mercados Europeu e Americano, com grandes quedas de preços nos 3 primeiros anos.


Após 5 anos os preços caem menos ou até valorizam um pouquinho. Além disso, seria interessante pensar em desvalorização e manutenção como se fosse o pagamento de um transporte não público e mais rápido e cômodo (não tem almoço grátis!). Cinco anos passam rápido, acredite.

Enquanto isso, viaje bastante com seu amor de aço. Se aguentar 15 anos ou mais, melhor será, pois um carro com essa idade superconservado, será um “coroa” e tanto, um semiclássico, algo diferenciado no mercado e poderá valer mais que o dobro de um automóvel do mesmo ano, o que acontece hoje com autos como Monza, Opala, Gol, Fusca, Santana, Del Rey e até um Fiat 147, entre outros.

Conforme já falamos acima, quem troca de carro sempre estará sempre se divorciando, lembra-se? Desse modo, será que conservar tanto um carro é negócio se você não pretende ficar muito tempo casado com ele, se já o vê meio “pelas costas”?

Nesse caso, ainda que inconscientemente, você pensa como o humorista Chico Anysio ou a atriz Elizabeth Taylor, que já se casaram pelo menos 5 vezes e aí pode-se dizer que seu entusiasmo reside na busca por novidade e não necessariamente por estabilidade. Sendo assim, trate bem do carro, viva bons momentos, mas sem mimos exagerados.

Agora, se você realmente for daqueles que levam a sério o lema “felizes para sempre” saiba que conheci 3 pessoas como você: Seu Adalberto, contador, que comprou um Chevette SL 1985 champanhe e foi feliz até o dia em que o roubaram. Também conheci Seu Vitor, “Vitão”, mecânico, alto e albino, que de sua DKW Vemaguete só se separou quando faleceu.

A terceira pessoa é uma mulher, professora Janeth, que do seu Fuscão laranja abriu mão, mas nem tanto. Após comprar um Celta, fez um acordo de Dama e Cavalheiro com o filho Sandro de que o Fusca seria dado a ele desde que nunca o vendesse. Trato feito, Sandro já o reformou e ainda desfila com ele. E vendeu o Celta após o falecimento da professora.

E para encerrar esta análise automotivo-matrimonial aqui vai um raciocínio vindo do mineiro Seu Nelson, um daqueles negociantes antigos, pai de uma amiga: “Uma pessoa que tire carta por volta dos 20 vai dirigir, se tudo der certo, até uns 80 anos. Depois disso, melhor parar. Isso quer dizer que ele vai precisar ter no máximo 6 carros durante a vida toda. É mais que suficiente”.

Continuando: “Quem comprou um Chevrolet Vectra completo em 1997, por exemplo, ainda tem um carrão. Já vinha com ABS, Airbag, injeção, tudo isso aí. E pra manter inteiro, é só fazer manutenção direitinho. E essa história de que na época da inflação se ganhava com carro é mentira, porque o preço do usado subia, mas o do novo subia ainda mais”.

Tem lógica, não tem? E você, caro leitor, acha que trocar de carro sempre é melhor negócio do que ficar com ele por mais tempo? Pode-se dizer que um apaixonado por carros seria menos apaixonado se pensasse na troca mais a longo prazo? Não seria mais ecológico manter um carro por mais tempo na família? Seja qual for tua opinião, desejo que sejas feliz no seu próximo casamento automotivo!

Por Gerson Brusco Gonzalez

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