
Pressão competitiva e margem apertada costumam revelar o que uma montadora realmente prioriza, e a Renault decidiu que a conta começa pelo time que projeta seus próximos carros.
A Renault SA planeja reduzir em até 20% sua força global de engenharia ao longo dos próximos dois anos, como parte de uma tentativa de tornar a operação mais enxuta.
A empresa emprega atualmente mais de 11.000 engenheiros ao redor do mundo, segundo um representante de mídia da Renault, que confirmou as reduções em contato por telefone na terça-feira.
De acordo com a mesma fonte, a decisão sobre os cortes ficará nas mãos de gestores da Renault em diferentes países, que deverão definir o tamanho e o ritmo do enxugamento local.
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O plano é liderado pelo CEO Francois Provost, que assumiu em julho e vem acelerando o corte de custos para deixar a fabricante do R5 e do Clio mais ágil.
O pano de fundo é o avanço de rivais chinesas na Europa, com nomes como a BYD pressionando preço, oferta e velocidade de desenvolvimento em segmentos que antes eram mais previsíveis.
No mercado financeiro, o desgaste também pesa: as ações da Renault acumulam queda de 12% no ano, reforçando a urgência de respostas internas.
Uma das apostas recentes da empresa foi recorrer a peças chinesas e às operações de pesquisa e desenvolvimento em Xangai para viabilizar o Twingo elétrico com preço abaixo de € 20.000 (R$ 117.500), que deve começar a ser vendido ainda neste ano.
Provost tem dito que pretende aplicar as lições aprendidas na China nos polos de P&D na França, com atenção especial ao grande complexo Technocentre, próximo a Paris.
A leitura sindical, porém, é de que o plano pode ferir justamente a capacidade técnica necessária para cumprir promessas de produto em escala.
Laurent Giblot, representante do sindicato CGT, afirmou em entrevista que pode haver centenas de vagas de engenharia e suporte eliminadas na França dentro dessa estratégia.
Para ele, o “desmonte” da engenharia preocupa, porque a redução seria dura demais para um grupo que, ao mesmo tempo, precisa sustentar um calendário ambicioso.
Giblot também questiona como a Renault pretende entregar os 36 modelos planejados para 2030 se cortar parte relevante das equipes responsáveis por projeto, validação e desenvolvimento.
Com os gestores definindo país por país quem sai, o desfecho pode variar muito entre regiões, mas a mensagem geral já foi recebida: eficiência virou prioridade máxima.
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