
Uma autorização específica do governo dos Estados Unidos evitou que a Volvo caísse no mesmo bloqueio que vem isolando os carros com laços chineses do mercado dos EUA.
O acordo foi fechado com o Departamento de Comércio e permite que a Volvo continue importando e vendendo carros de passeio conectados, segundo a própria montadora.
A decisão alivia a pressão sobre uma marca que é majoritariamente controlada pela Zhejiang Geely Holding Group, um dos gigantes automotivos da China.
Na prática, a medida poupa a Volvo de uma barreira que reforça preocupações nacionais e econômicas e tem mantido o mercado americano praticamente fechado para carros chineses.
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Além da proibição do Departamento de Comércio relacionada à tecnologia de veículos conectados com vínculo chinês, os carros da China também enfrentam tarifas punitivas.
Entre elas, está um imposto de importação de 100% para EVs vindos do país, o que amplia o custo e desestimula qualquer plano de venda direta no território americano.
Esses obstáculos têm barrado empresas como Geely e BYD de operar nos EUA, mesmo com os carros chineses avançando em outros mercados, como Canadá e México.
A Volvo, por sua vez, depende fortemente de China e Estados Unidos, que são, de longe, seus maiores mercados, segundo dados que a empresa divulga trimestralmente.
Nos EUA, a montadora produz veículos em uma fábrica perto de Charleston, na Carolina do Sul, onde investiu mais de US$ 1,3 billion, e também importa modelos da Suécia.
No ano passado, começou a montar um de seus SUVs elétricos mais vendidos na Bélgica, em parte como reação ao aumento de tarifas americanas sobre carros fabricados na China.
A proibição dos EUA para veículos conectados e hardware e software relacionados com laços chineses passa a valer a partir do ano-modelo 2027.
O temor por trás da regra é que carros modernos, cheios de sensores como câmeras e sistemas de transmissão sem fio, possam coletar dados e virar alvo de hackers ou adversários estrangeiros.
A aprovação dada à Volvo não parece se estender à Polestar, marca de EVs também ligada ao fundador bilionário da Geely, Li Shufu, que diz seguir trabalhando com autoridades americanas.
A regra foi finalizada em janeiro de 2025 e entrou em vigor em março daquele ano, após a posse de Donald Trump, pouco antes do início de seu segundo mandato.
A Volvo afirmou que a autorização veio após discussões “construtivas” com o Departamento de Comércio e outros oficiais dos EUA sobre governança, tecnologia e segurança de dados.
Segundo autoridades americanas citadas no relato, a decisão não tem relação com a recente visita de Trump a Pequim e não indica que outras montadoras controladas por chineses receberão aval semelhante.
O CEO da Volvo, Håkan Samuelsson, disse anteriormente que seria “impensável” a Volvo ser banida nos EUA e que o ponto central era provar que dados de clientes americanos não seriam enviados para a China.
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