
A Volkswagen começa a encarar uma possibilidade que, há poucos anos, soaria quase impensável para a indústria automotiva alemã.
Depois de perder a liderança histórica na China e ver rivais chinesas avançarem na Europa, o grupo avalia produzir modelos chineses no continente.
O presidente Oliver Blume disse na quinta-feira que carros desenvolvidos especificamente para a China poderiam ser fabricados na Europa para atender mercados locais.
Outra alternativa em estudo é dividir a capacidade de fábricas europeias com parceiros chineses, embora o executivo não tenha detalhado quais plantas estariam envolvidas.
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A discussão ganhou força após mais uma queda no lucro trimestral, sinalizando que a reestruturação da Volkswagen terá de ser mais profunda.
Blume afirmou que o primeiro trimestre trouxe um resultado sólido diante da pressão tarifária e da demanda fraca em mercados relevantes.
Ainda assim, ele foi direto ao dizer que o modelo de negócios atual não gera retornos suficientes no novo ambiente competitivo.
O grupo revisa fábricas subutilizadas, excesso de complexidade nos produtos e um portfólio empresarial considerado amplo demais para a nova fase.
A Volkswagen vende atualmente cerca de 150 modelos, incluindo veículos de marcas premium como Porsche e Audi, o que aumenta custos e complexidade.
No primeiro trimestre, o lucro operacional caiu 14%, para 2,5 bilhões de euros (R$ 14,6 bilhões), contrariando analistas que esperavam estabilidade.
A receita recuou 2,5%, para 75,7 bilhões de euros (R$ 441,3 bilhões), pressionada por vendas fracas nos Estados Unidos e na China.
As tarifas de importação dos Estados Unidos também pesaram no resultado e devem custar cerca de 4 bilhões de euros (R$ 23,3 bilhões) neste ano.
Outro impacto veio da baixa contábil ligada ao fim da produção do SUV elétrico ID.4 no Tennessee, diante da demanda fraca por EVs na região.
A administração já reconheceu que os cortes atuais, incluindo 50 mil demissões na Alemanha até 2030, não bastam para garantir o futuro da empresa.
Para plantas pouco utilizadas, como Osnabrück, no norte da Alemanha, Blume disse que a parceria com o setor de defesa é a opção mais desejada.
Mesmo assim, a ajuda também pode vir da China, onde a Volkswagen investiu bilhões de euros em desenvolvimento, produção e alianças locais.
A empresa agora quer avaliar quais modelos criados para o mercado chinês poderiam se encaixar na Europa, combinando custos, tecnologia e demanda.
A ideia pode aumentar empregos e produtividade na indústria alemã, mas Horst Schneider, do Bank of America, alertou para o risco de um “lobo em pele de cordeiro”.
As montadoras chinesas ainda têm participação pequena na Europa, especialmente na Alemanha, mas avançam lentamente com EVs favorecidos pelos combustíveis caros.
No fim, a Volkswagen tenta ficar mais enxuta enquanto enfrenta uma ironia histórica: buscar na China parte da resposta para recuperar força em casa.
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