A GM não está “fazendo carro por prompt” mas quase: ela está usando IA para pular meses de trabalho e isso pode virar o novo padrão da indústria

Picape vermelha em uma linha de montagem industrial, seguida por outros veículos dentro da fábrica.
Picape vermelha é exibida em uma linha de montagem industrial, ao lado de outros veículos em produção.

Criar um carro sempre foi um jogo de paciência, repetição e intuição, mas a chegada de ferramentas de inteligência artificial está encurtando esse caminho de um jeito que muita gente não esperava.

Com a IA avançando sobre tarefas criativas e técnicas, o temor de cortes e substituições cresce, inclusive em áreas ligadas a design, engenharia e desenvolvimento automotivo.

Na GM, porém, a postura adotada dentro de estúdios e laboratórios é a de usar a IA como aceleradora de processo, e não como atalho para “inventar” um carro do nada.

A empresa diz que os projetos continuam nascendo do jeito tradicional, com designers desenhando a lápis, mas o salto acontece no que vem depois do primeiro traço.

A partir do sketch, ferramentas de visualização com IA conseguem gerar renders complexos com rapidez e ainda transformar a ideia em animações 3D detalhadas.

Daniel Shapiro, um dos designers criativos da GM, afirma que o que antes exigia meses e várias equipes para evoluir de um desenho até uma animação refinada agora pode ser feito em menos de um dia.

Com o tempo economizado, o estúdio consegue criar dezenas de variações de um mesmo conceito rapidamente e, em vez de travar cedo numa única direção, lapidar as melhores alternativas.

Na prática, a IA estaria abrindo espaço para explorar mais possibilidades, porque o custo de “tentar e descartar” cai, e isso muda até o comportamento de quem cria.

Shapiro resume a mudança dizendo que dá para explorar muito mais sem tratar cada ideia como algo intocável, e que a tecnologia já alterou a rotina diária do trabalho.

O ganho não fica só com designers, já que engenheiros também estão usando IA como ferramenta para decisões mais rápidas durante o desenvolvimento.

Uma das equipes da GM desenvolveu um recurso alimentado por IA que funciona como um túnel de vento virtual, capaz de prever o arrasto aerodinâmico a partir de renders digitais.

Antes, a marca dependia de simulações tradicionais de dinâmica dos fluidos e de testes em túnel de vento em escala real, processos caros e demorados.

Essas etapas podiam levar dias ou semanas, especialmente quando pequenas mudanças no desenho exigiam rodadas adicionais de avaliação e ajustes.

Agora, a promessa é que o time consiga mexer em detalhes como a linha do teto ou o formato do capô e, quase em tempo real, enxergar como isso afeta a aerodinâmica.

Se a abordagem se confirmar em larga escala, ela tende a mexer no ritmo de desenvolvimento, encurtando ciclos e permitindo que decisões de forma e eficiência caminhem juntas desde cedo.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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