
A fase de crescimento quase imparável da BYD encontrou um obstáculo incômodo justamente no mercado que transformou a empresa em potência global.
As vendas de veículos da gigante chinesa dos EVs caíram pelo oitavo mês consecutivo em abril, recuando 15,5% frente ao mesmo período do ano anterior.
Essa é a sequência negativa mais longa já registrada pela BYD, que agora tenta equilibrar fraqueza doméstica com expansão acelerada no exterior.
Fora da China, as vendas de veículos de passeio e picapes chegaram a 130.000 unidades no mês passado, avanço de 35%, segundo cálculos da Reuters.
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Os números foram baseados em uma publicação feita no Weibo por Li Yunfei, executivo da BYD, e reforçam a importância crescente dos mercados internacionais.
A empresa ainda não divulgou uma meta geral de vendas para este ano, mas afirma estar confiante em vender ao menos 1,5 milhão de veículos no exterior.
O contraste é forte porque, dentro da China, a maior concorrente chinesa da Tesla enfrenta pressão crescente no segmento de entrada.
Grande parte das vendas da BYD está concentrada em modelos abaixo de 150.000 yuans (R$ 109.400), faixa cada vez mais disputada por Geely e Leapmotor.
No período de janeiro a março, a companhia registrou sua queda de lucro mais acentuada desde 2020, evidenciando o peso da concorrência e da demanda enfraquecida.
A última sequência negativa mais longa da BYD havia durado seis meses, durante a retirada de subsídios governamentais para EVs encerrada em dezembro de 2019.
Agora, a pressão vem também da redução dos incentivos para troca de veículos no caso de EVs de entrada e híbridos plug-in.
Esse movimento acelera uma migração para modelos premium, área em que a BYD precisa reforçar percepção de tecnologia, sofisticação e margem.
Para reagir, a montadora está lançando modelos equipados com baterias de carregamento mais rápido e investindo em uma rede de recarga ultrarrápida.
A estratégia busca convencer consumidores de que a empresa ainda mantém vantagem tecnológica, mesmo em um mercado chinês cada vez mais agressivo.
A BYD também elevará a partir de sexta-feira o preço do sistema próprio de assistência à condução oferecido como adicional em seus EVs.
A justificativa apresentada pela empresa é o aumento global dos custos de hardware de memória, componente essencial para sistemas eletrônicos mais avançados.
O cenário mostra uma BYD em duas velocidades, com dificuldades crescentes na China e ambição internacional cada vez mais decisiva para sustentar seu crescimento.
Mesmo com o salto no exterior, a queda de 15,5% em abril indica que a disputa chinesa dos EVs entrou em uma etapa mais dura e menos previsível.
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