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Carro da semana, opinião de dono: Toyota Corolla XEi 2000

Carro da semana, opinião de dono: Toyota Corolla XEi 2000

Fala povão do NA! Antes de mais nada, um feliz 2015 a todos vocês! Venho aqui para relatar a convivência que tive com meu carro nesses 6 anos e 5 meses. Gosto muito de ler sobre os relatos dos donos de seus automóveis aqui no NA. Acho relevante partilhar esse tipo de descrição, sobretudo, pelo tempo que o veículo me pertenceu, de forma que já não me encontro na fase de ‘lua de mel’ pela recente aquisição ou mesmo na fase de ‘ver o copo meio cheio’, típica de quando se fez um negócio mediano ou ruim e que por estar feito, o que resta é enxergar os pontos positivos.


Bom, vamos lá então… O que dizer de um verdadeiro campeão em vendas e em satisfação, um carro de referências mundiais com fama de robusto e econômico? Em minha opinião, não há muito a ser dito sem cair em redundâncias e repetições, o que caracteriza inclusive o rótulo da tal ‘unanimidade’ a respeito do modelo ao redor do globo. Talvez por isso, em 2008, quando minha esposa comentou que estava pensando em engravidar para termos nosso segundo filho, passei a pesquisar sobre alguns carros, em especial aqueles que traziam câmbio automático.

Algumas observações importantes para lhes situar: possuíamos uma Parati 2005 e dada minha experiência mediana com o pós-venda, minha esposa não queria outro VW. Eu, por minha vez, tinha um preconceito quanto aos carros de marcas francesas (hoje eu só não compraria um Peugeot). A GM para mim, em 2008, já estava com o portfólio envelhecido e os melhores motores dela eram antigos na arquitetura e pouco eficientes (apesar de duráveis e de manutenção de custo baixo).

Quanto à Fiat… bom… nasci nos anos 1970… meu pai era crítico ferrenho da marca italiana e isso me foi ‘ensinado’. Talvez algum dia eu goste de algum carro da marca… (exceto as Alfa-Romeo! rs). Por opção pessoal, restou-me então a Ford, Toyota e Honda. Pela facilidade da internet e pela força do marketing, eu comecei a pesquisar carros zero km. E aí, R$ 60.000, R$ 70.000 eram cifras comuns e a grande verdade é que a gente acaba se acostumando a isso! Fugi rápido desse mundo antes que o quadro patológico do ‘carnê a perder de vista’ me pegasse. Concentrei-me nos carros usados, dada a experiência que alguns membros da minha família tiveram com seus (bons) carros comprados de segunda mão.


Num plantão no hospital onde eu trabalhava, um colega meu, muito cuidadoso com veículos, me disse que estava vendendo o seu carro e resolvi vê-lo pelo fato dele sempre comprar verdadeiras pérolas sobre rodas. Como eu imaginava, o veículo estava muito bem conservado. Logo em seguida fui ao setor onde minha esposa trabalha (no mesmo hospital) e a chamei para ver o carro e dar uma volta nele. Fechamos negócio e no dia seguinte ele já estava com a gente! Toyota Corolla, ano 2000, modelo XEi, AT, cor prata, lataria, interior e motor impecáveis. Fora de um médico (sim, ‘carro de médico’ existe e esse era bem cuidado de verdade! rs) até o início daquele ano, quando o meu colega o comprara.

Carro da semana, opinião de dono: Toyota Corolla XEi 2000

Até ali, eu tive 4 carros desde que comecei a trabalhar: um Ford Escort GLX 1.8i (1996), um Ford Ka Image (2003, zero km), um Ford Escort XR3 2.0i Conversível (1994, esse ainda o tenho!) e uma VW Parati Track&Field (2005, zero km). E com base nisso, comparações são sempre inevitáveis.

No primeiro dia do ‘novo’ carro na família, confesso que fiquei maravilhado com tantas pequenas grandes coisas, as quais enumero algumas (uso os verbos no presente porque essas características, é claro, ainda permanecem no carro):

1) As palhetas ao se movimentarem sobre o pára-brisa o fazem num quase total silêncio. Nos meus Escorts e na minha Parati era possível ouvir o motorzinho trabalhando e as palhetas “arranhando” o vidro;

2) As maçanetas internas e externas são “bobas” de tão leves para abrir, muito diferente de vários carros nacionais onde é necessário vencer um estalo. O fechamento das 5 portas é muito suave. Não preciso fechar a porta como quem fecha geladeira velha!

3) O painel é ergonômico, com tudo à mão, fácil e sem frescura, mas com robustez.

4) O ar condicionado é da Denso e já era muito superior ao de alguns veículos novos fabricados na época. Basta um minuto para o interior do veículo estar bem frio. Mais um minuto e você já quer virar as saídas de ar para outra direção.

5) A posição de dirigir é muito boa por ser um carro baixo (projeto dos anos 1990), com assento menos recurvado pra trás e mais próximo do assoalho. Ando com as pernas esticadas e, talvez por isso, sinto-me muito bem ao final de viagens.

6) A vedação das portas é bem eficiente. Elas são contornadas na sua totalidade por borrachões que vedam muito bem o veículo tanto contra poeira (a soleira fica limpa) quanto contra ruídos externos causados pelo deslocamento de ar sobre a carroceria, por exemplo. Depois disso, nunca mais comprei ou comprarei carros sem borrachões na porta ao invés de fixado no batente.

7) O acabamento é muito bom. O painel é feito de material macio. Os plásticos têm beiradas arredondadas, portanto, sem rebarba alguma e com ótimo encaixe entre todas as peças.

Carro da semana, opinião de dono: Toyota Corolla XEi 2000

E desde então, pessoal, foi realmente um verdadeiro caso de amor a minha convivência com nosso ‘Corolinha’. Não posso reclamar em absolutamente nada! Numa época em que vislumbrava o crescimento da família seguido pela gravidez da minha esposa com conseqüente aumento de gastos (todo o acompanhamento e o parto foram feitos no sistema ‘médico particular’ por ser gravidez de risco), além de estar iniciando meu doutorado na época e de ter começado a lecionar em faculdade privada (com salário baixo porque eram poucas aulas – 2 por semana apenas!), enfim, numa época de tantos afazeres, gastos e também de indefinições, não poderia comprometer o orçamento da minha família com carro.

Assim, considero que fiz um ótimo negócio por R$ 23.500,00 (em agosto de 2008). Nosso carro foi usado por minha esposa até março de 2011, quando adquiri um Honda Accord (2006) e, desde então, o Corolla é que fica comigo. No último dezembro ele completou 215.000 quilômetros rodados, dos quais, 99.000 com o nosso pé direito no acelerador.

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O lado ‘não tão bom’ do Corolla: Ao invés de falar em pontos negativos, eu gosto de dizer particularidades do carro, dentre as quais se destacam aquelas oriundas do jeito ‘japa’ de se fazer carro como a falta de travas automática das portas ao movimentá-lo e de acionamento do alarme na chave. Esse último foi possível corrigi-lo. Porém, não chega a ser um defeito na minha opinião, afinal, um carro com projeto dos anos 90 realmente não previa essas facilidades.

Os vidros não são do tipo um toque para descer e subir, à exceção da janela do motorista. Eles também não se fecham ao travar o carro. O botão da trava dos vidros, quando acionado, bloqueia o do carona, algo sem sentido a meu ver. Outra, relevante, é o design. É definitivamente um carro dos anos 90. Quer aparecer? Ache outro veículo! Quer passar despercebido, ser discreto? Eis a escolha. Veja o preço do seguro e entenda o que eu quis dizer com isso.

O rádio-CD player da boa marca Alpine (original) tem dificuldade em rodar discos gravados de forma ‘caseira’, tocando somente discos autênticos. É provável que isso ocorra em função das diferenças nas velocidades de gravação e a capacidade de leitura do aparelho que, convenhamos, foi pensado e fabricado há mais de uma década e meia! No porta-malas existem as incômodas alças tipo ‘pescoço de ganso’. Como uso o carro para fazer compras e para levar tralhas para minha chácara, amassei e até mesmo quebrei vários objetos/frutas/produtos por conta dessas alças que ocupam o bagageiro.

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Preventivas, corretivas e matemática básica: olhando aqui a pasta que mantenho com absolutamente tudo do nosso Corolla, o que posso destacar para vocês é: foram 8 revisões em concessionário Toyota daqui de Brasília, ao valor médio de R$ 822,11 (mais barata: R$ 232,00, aos 120 mil km e as mais caras até então: R$ 1.340,00, aos 130 mil km – nessa incluiu-se troca da sapata, cilindro chave e juntas da sapata de freio, além da substituição do cilindro de abertura da tampa traseira com aquisição de nova chave para essa – e uma revisão de R$ 1.272,00, aos 150 mil km – incluída aqui a troca da correia e da polia tensora ao custo de R$ 810,00).

Ao rever umas planilhas que fiz para os outros carros que tive, notei que minha Parati teve como média das revisões o valor de R$ 790,00 e do meu Ka de R$ 635,00… Enfim, nada tão mais barato assim do que um carro considerado de categoria acima, mais velho e bem mais exigido no dia a dia do que os meus antigos carros! Aos 200 mil km, uma surpresa não muito agradável no ‘tanque de guerra’: em março passado, estava fora de Brasília, fazendo curso inerente à minha carreira. Numa das vindas à Brasília, o levei a revisão na concessionária que acusou a necessidade da troca da polia do virabrequim, tensor, pastilhas e do disco de freio, além de 2 lâmpadas queimadas no painel (controle do ventilador e ar quente/frio).

Essa então acabou se tornando a mais cara das revisões, mesmo não tendo feito o serviço na concessionária. Só de peças foram R$ 1.584,00. Detalhe: os discos de freio, em março, estavam orçados em R$ 940,00 o par. Em junho, quando voltei do curso em definitivo e resolvi comprar as peças, o mesmo par na mesma concessionária estava a R$ 450,00. Imaginem se eu reclamei…! rs Fiz o serviço já como revisão dos 210 mil km (óleo e filtros), mas em uma oficina independente. Custo total de R$ 2.384,00 (peças e mão de obra).

Em relação ao concessionário, o atendimento sempre foi digno de nota. Quase sempre vou vestido de maneira muito simples (bermuda, camiseta e sandálias), mas nunca percebi algum tipo de diferenciação por isso ou mesmo pelo fato do carro ser velho. Acredito que não existem milagres, afinal, alguns serviços extra-revisão básica eu fiz com eles e, como não sou inocente, é óbvio que, por conta disso, uma relação boa acaba por se estabelecer já que fazia alguns serviços por lá.

Traduzindo: eles querem manter o cliente que paga à vista e faz eventuais serviços e todas as revisões lá e me tratam bem por isso. Tive um ótimo atendimento, deixando a desejar em situações pontuais, como não recolocar presilhas ou não trocar uma lâmpada (de porta-malas) em situações que solicitei isso ao consultor. Comparada à Ford e a VW (marcas de carro que já tive), o pós-venda da Toyota dá um verdadeiro banho de qualidade no atendimento e na execução dos serviços. Fica difícil pensar em outra marca após entrar para a dupla Honda-Toyota, eu confesso!

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Quanto aos extras que geram as ações corretivas e que é aquilo dá a boa ou a má fama de um carro, foram apenas quatro nesses mais de 5 anos: troca do controle dos vidros, da trava das portas e dos vidros, aos 116.000 km, em função de uma trava plástica quebrada, o que deixava a peça desencaixada em um dos lados (problema presente quando da aquisição do carro e resolvido ao custo de R$ 170,00 com peça usada original em perfeito estado adquirida no Mercado Livre); substituição da bateria aos 139.000 km e aos 214.900 km (R$ 350,00, cada, instalado por mim); substituição da coifa homocinética do semi-eixo aos 165.000 km (R$ 255,00 a coifa. Cara foi a mão de obra – Viva o concessionário!!! -: R$ 610,00); e substituição da tampa do radiador, que trincou aos 192.000 km (realizado em oficina não-concessionário ao custo de R$ 468,00).

Há um ano, o porta-treco que vai logo à frente da alavanca do câmbio teve a tampa quebrada pela minha esposa. Ela não viu que uma das chaves que estava num molho entrou no pequeno espaço que se forma quando a tampa está aberta. Ao fechá-la, sua estrutura plástica foi forçada e o encaixe do lado direito se quebrou, fazendo com que a tampa não se mantivesse fechada mais. Por isso, foi substituída ao custo de R$ 250,00, infelizmente, apenas encontrado no concessionário.

Também solicitei a compra de 2 adesivos que vão no vidro traseiro, visto que os de fábrica estavam com os dizeres ilegíveis pelo escurecimento provocado pelo tempo. Custo de R$ 70,00, encontrado somente no concessionário também. Há de se ressaltar a novelesca espera de quase 4 meses e diversos telefonemas para que a vinda dos adesivos fosse efetivada. Quando não era o consultor que se esquecia de solicitar ao departamento de peças, era o rapaz desse último que não solicitava para a fábrica ou alguém na fábrica que não enviava…

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Resumo matemático dessa “sinfonia”:

Preventivas (R$ 8.960,80) + Corretivas e porta-treco (R$ 2.452,00 + Adesivo (R$ 70,00) + IPVA/Licenciamento/Seguro obrigatório (2.120,00*) + Seguro (4,050,00**) + Lavagens/Polimento (R$ 1.450,00***) = R$ 19,100,76 em 6 anos e 5 meses. Se dividido pela km que usei o carro (99.000) = R$ 0,19/km rodado ou ainda R$ 2.984,49/ano.

Sem sombra de dúvidas, não é um valor tão em conta, lembrando que não estão incluídos aí o combustível. Para este, uma conta ‘de padaria’ bem rápida: 99.000 km/12 km/L = 8.250 litros de gasolina. O custo de depreciação no período foi de R$ 7.500,00 (o adquiri por R$ 23.500,00 e o vendi por R$ 16.000,00), sem correção monetária, obviamente.

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Observações:

*Os impostos estaduais obrigatórios (IPVA e Licenciamento), nos últimos 5 anos, tem sido pago com desconto referente ao programa de concessão de créditos chamado Nota Legal, existente no Distrito Federal. Portanto, no valor mostrado, já estão considerados tais descontos que abateram em 70% o custo das referidas taxas.

** A partir de 2011 passamos a fazer seguro somente contra terceiros (valor caiu para pouco menos de 50% da cobertura dita total), uma vez que o índice de roubo deste meu modelo é baixo, sem contar o meu perfil que é bastante conservador (vaga em local fechado em casa e nos trabalhos, frequento pouco bairros/lugares estatisticamente perigosos, não uso o carro para ir a locais de aglomeração, como shows, estádios, boates, etc.) e não tenho parentes que moram comigo com menos de 26 anos que dirigem o carro.

***Até 2012, aqui no DF lavava-se o carro por fora ao custo médio de 7,00 reais em postos de abastecimento. A frequência média considerada das lavagens era uma a cada 20 dias. No custo mostrado, também estão 3 serviços de aplicação de cera de alta performance e polimento ao custo de 280,00 cada.

No ano passado, consegui atualizar (se é que posso dizer assim) um pouco o Corolla: comprei um receptor Bluetooth-transmissor FM. Um excelente aparelho por sinal. Com isso, conseguia escutar pelo rádio do carro (numa estação pré-definida pelo próprio receptor-transmissor) as minhas músicas do telefone, além de ter viva-voz para receber e fazer ligações no carro que tem ótimo e simples funcionamento. Para quem tem carros mais antigos sem Bluetooth nos aparelhos de som, é um produto altamente recomendado. Comprei outro só para ficar no meu Escort. Vale ressaltar que o custo do aparelho supracitado não foi incluído (obviamente) nas contas exibidas, pois não o repassei junto com o carro.

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Ademais, toda a parte de suspensão, elétrica e ductos são os mesmos saídos de fábrica. Posso afirmar que se trata de um ‘tanque’ para uso diário. Ressalto a vocês que no ano de 2012 nosso Corolla foi muito utilizado (e exigido) no vai-e-vem típico de quem passou por uma construção. Além disso, vale dizer que eu já lecionava em Taguatinga/DF (50 km ida e volta, 2 vezes na semana), e que a partir de 2011 passei a trabalhar também em Sobradinho/DF (62 km ida e volta, 2 vezes na semana), sem falar no básico como levar/buscar filhos à escola, fisioterapia, natação, fazer compras… Sempre em seus religiosos 12,0 km/L.

Dessa forma, posso afirmar, sem sombra de dúvida, que foi um carro que me ajudou a ser ‘superavitário’ nesse tempo graças à ótima marca de consumo e baixo valor gasto em manutenção corretiva. Some-se isso ao conforto e à segurança de poder contar com um motor de boa cilindrada (1.8 – 116cv) e vocês entenderão porque não optei por um hatch ou sedã médio zero km.

Felizmente, a vida melhorou de 6 anos pra cá, de forma que minha tendência foi vendê-lo ao final de 2014, uma vez que minha esposa ficava ‘incomodada’ porque o Accord foi adquirido para ser ‘meu’ carro e, daí, e após uma reviravolta nos últimos dias de 2014, adquiri um carro pra ela, que inclusive já fora da nossa família. Um carro que mexeu e voltou a mexer com nossas emoções! Passei de um produto extremamente racional para um produto emotivo. Assunto (muito assunto) para outro depoimento, pessoal! Chega de tomar o tempo de vocês.

Do meu Corolla, é ‘só’ isso o que tenho para dizer, meus amigos. Forte abraço a todos e agradeço ao NA, em especial ao Eber, que nos disponibiliza esse espaço tão útil para descrevermos nossa experiência com os respectivos carros.

Em tempo: acreditem! Vendi o Corolinha para o dono anterior dele (!!!), que o adquiriu para seu sogro (que está com dificuldades em usar carros de transmissão manual por conta de limitações no braço direito).

Por Killarney Soares

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