Diesel a preço absurdo faz motoristas criarem biodiesel caseiro com óleo de cozinha, mas o risco de algo sério acontecer virou o verdadeiro “vilão”

biodiesel caseiro
biodiesel caseiro

Quando o preço do diesel passa do limite do aceitável, a criatividade aparece, mas nem toda solução improvisada é uma boa ideia para colocar no tanque.

Na Austrália, o diesel tem batido o equivalente a US$ 7 por galão (R$ 30), e isso está levando parte dos motoristas a tentar transformar óleo de cozinha em biodiesel, segundo a 9News.

O problema é que, apesar de envolver itens que muita gente reconhece de casa, a mistura em si pode ser perigosa a ponto de a emissora ter se recusado a identificar alguns produtos.

Mesmo assim, uma busca rápida na internet entrega sites e vídeos com “receitas”, o que aumenta a chance de alguém insistir na prática sem entender o risco.

Entre os ingredientes citados está o metanol, substância venenosa que pode queimar com chama invisível, em um processo que ainda envolve aquecimento.

Outro aditivo mencionado é o hidróxido de sódio, que pode causar queimaduras químicas graves na pele e nos olhos, de acordo com o CDC.

A substância também pode ser mortal quando inalada, o que torna o improviso ainda mais crítico em garagens fechadas e ambientes sem ventilação adequada.

Em um carro comum de uso diário, o tema já seria delicado, mas com combustível caro e sensação de aperto, o apelo de “fazer por conta própria” cresce.

A 9News descreve que o diesel está subindo mais rápido do que gasolina e óleo, e pode acabar superando até o preço do óleo vegetal.

O texto ainda brinca com o imaginário de Mad Max para ilustrar até onde alguns australianos estão dispostos a ir para manter motores funcionando.

Só que existe uma alternativa que evita a parte mais arriscada da química, e ela já foi moda no começo dos anos 2000: kits de conversão para óleo vegetal usado.

A lógica não é “fabricar biodiesel”, e sim adicionar um segundo tanque para receber óleo de fritadeira usado e filtrado, queimando o combustível no motor diesel após o aquecimento.

O uso era simples, porque o carro ligava no diesel tradicional, rodava até aquecer, e então o calor do sistema ajudava a fluidificar o óleo no tanque secundário.

Um seletor trocava a alimentação, o óleo passava por filtragem antes de chegar ao motor, e o escapamento podia até ficar com cheiro de batata frita.

Antes de estacionar, a troca de volta para o diesel servia para “limpar” as linhas, reduzindo entupimentos e problemas de partida no dia seguinte.

Empresas como GreaseCar e PlantDrive chegaram a vender kits completos para modelos a diesel populares, como Volkswagen Rabbit e Mercedes W123, mas esse mercado perdeu força.

Nos Estados Unidos e no Canadá, o Dieselgate praticamente matou os carros de passeio a diesel há mais de 10 anos, mantendo a tecnologia mais concentrada em caminhões.

Na Austrália, porém, os carros a diesel continuam relevantes e, em 2021, representavam um em cada seis veículos nas ruas, segundo a Drive.

Com combustíveis caros como um cenário que não deve sumir tão cedo, a ideia do kit de óleo usado pode voltar à pauta como opção mais segura do que brincar de laboratório em casa.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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