Existe salvação nas montadoras: Executivo da Volvo vai contra o mercado e diz que cobrar assinatura para clientes usarem equipamentos é “caminho errado”

volvo ex60 5
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A promessa do carro conectado sempre foi simples: melhorar o produto mesmo depois da compra, mas parte da indústria transformou isso em um novo jeito de cobrar pelo óbvio.

Em vez de usar software para corrigir falhas e adicionar valor, algumas montadoras passaram a colocar funções básicas atrás de um paywall, como se o carro fosse um aplicativo.

A Volvo diz que não quer entrar nesse jogo e não pretende mudar de ideia, segundo Eric Severinson, CCO (chief commercial officer) da marca.

Para ele, um produto premium não deveria “beliscar” o cliente com cobranças pequenas por itens essenciais, principalmente quando esses itens já aparecem em carros muito mais baratos.

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Severinson foi direto ao exemplo que irrita consumidores: alguém pagando cerca de US$ 80,000 (R$ 393.100) não deveria ouvir que precisa de mais US$ 5 por mês (R$ 20) para ter banco aquecido.

Na visão do executivo, esse tipo de estratégia não combina com marca premium e cria a sensação de que o cliente está sendo punido depois de já ter feito um investimento alto.

Ele admite, porém, que assinatura pode fazer sentido quando envolve serviços realmente amplos e baseados em software, como pacotes de conectividade ou suites avançadas de assistência ao motorista.

A ideia, segundo Severinson, é que uma mensalidade possa funcionar como em serviços de streaming, oferecendo conteúdo adicional e valioso, e não cobrando pelo básico do carro.

O que a Volvo quer vender é a sensação de experiência premium sem atrito, porque esse conforto emocional, na leitura da empresa, é o que gera valor e também lucro.

O posicionamento reforça o que Anders Bell, chief engineering and technology officer da Volvo, já havia dito em uma conversa em 2024, quando mostrou ceticismo com travas por assinatura em hardware já instalado.

Bell reconheceu que recursos baseados em software podem ter potencial comercial, mas questionou a lógica de impedir o uso de algo que o comprador já levou para casa.

O público, ao que tudo indica, está mais perto dessa visão do que da estratégia do paywall, e pesquisas mostram resistência contínua a assinaturas para funções consideradas “de fábrica”.

Em um estudo da Cox Automotive de 2023, cerca de metade dos entrevistados disse que poderia pagar por recursos como assistência de estacionamento, mas não por banco aquecido ou volante aquecido.

Na mesma pesquisa, três em cada quatro pessoas concordaram que assinaturas no carro parecem apenas uma forma de arrancar dinheiro, o que coloca a reputação das marcas em risco.

Um relatório de 2025 da Smartcar acrescentou outro sinal de alerta, ao afirmar que 76% dos motoristas não assinaram recursos conectados como Wi-Fi, mesmo quando disponíveis.

Apesar da resistência, assinaturas para serviços conectados já viraram padrão silencioso, com períodos grátis longos, e algumas montadoras tentam empurrar o modelo para desempenho e aceleração.

Mesmo após reação negativa envolvendo bancos aquecidos, a BMW segue defendendo assinaturas para outros recursos, enquanto Kia, Mercedes-Benz e Volkswagen oferecem mais potência ou aceleração mais rápida mediante pagamento extra em alguns modelos.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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