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Fiat Punto: tudo sobre o hatch vendido no Brasil entre 2007 e 2016

Aos 25 anos, o Fiat Punto mostrou que poderia ser um bom compacto em vários mercados e acabou se tornando um produto de referência da marca italiana.

Fiat Punto: tudo sobre o hatch vendido no Brasil entre 2007 e 2016


Lançado originalmente em 1993, o modelo teve diversos motores e versões, chegando mesmo a ser chamado de Grande Punto e determinado período de sua história. Ele vendeu milhões de unidades e fez muito sucesso.

Mas, como surgiu esse produto tão bem querido da Fiat? Qual seu futuro? A primeira pergunta é mais fácil de responder e será tema deste artigo, assim como o que será dele após sua saída definitiva do mercado europeu.

Ao longo de três gerações, os brasileiros apenas conheceram a última, mas é muito interessante sabermos que o Punto poderia ter sido um potencial sucesso por aqui, se tivesse chegado antes. Também saberemos como foi sua trajetória no Brasil.


Fiat Punto: tudo sobre o hatch vendido no Brasil entre 2007 e 2016

História

O Fiat Uno era o principal carro da marca italiana tanto aqui quanto na Europa. Lá, ele já havia evoluído e praticamente era outro carro, mas ainda da mesma geração que existia por aqui. Porém, no começo dos anos 90, o modelo já estava cansado para o consumidor europeu.

Com o envelhecimento do Uno, se fez necessário desenvolver um novo carro.

O chamado Projeto 176 foi elaborado como um sucessor direto do Uno e desenhado por Giorgetto Giugiaro. O compacto teria uma carroceria hatch com duas ou quatro portas, além de uma versão conversível e um furgão, derivado do modelo de duas entradas.

Com linhas mais envolventes e aerodinâmicas, suspensão traseira independente e bom espaço interno, eis que surgiu no final de 1993 o Fiat Punto.

Medindo 3,76 m de comprimento, 1,62 m de largura, 1,45 m de altura e 2,45 m de entre-eixos, o Fiat Punto era leve e vinha com uma grande gama de motores, que começava pelo singelo Fire 1.1 de 54 cavalos e ia até o potente 1.4 Turbo de 136 cavalos e mais de 21 kgfm.

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Ou seja, o leque de opções do modelo era bem interessante, sendo que havia também o 1.2 de 60 a 86 cavalos e o 1.6 (único multiponto) com 90 cavalos. No diesel, apenas o 1.7 aspirado de 57 a 72 cavalos.

Mas o Fiat Punto teve uma versão bem interessante e precursora de muitos carros eficientes no futuro, a versão Selecta.

Assim como o Uno, o Fiat Punto também portou uma caixa de câmbio CVT nesta versão, que tinha como curiosidade a capacidade de alcançar a velocidade máxima tanto para frente quanto para trás. O Ford Fiesta da época também usou o mesmo câmbio.

Nos idos dos anos 90, o hatch já dispunha da versão Sporting, mas era a GT que fazia diferença com o 1.4 Turbo de 136 cavalos. Ele ia de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos.

No caso do Fiat Punto Cabrio, a produção não era feita em Mirafiori, Itália. Aliás, no mesmo país, o modelo era fabricado em Termini Imerese (Sicília) e Melfi, além de Tychy, na Polônia. O conversível era montado na Bertone, tendo como destaque a capota de tecido com abertura e fechamento elétricos. Ao todo foram produzidas 55 mil unidades deste modelo. O Punto teve uma versão de seis marchas, mas era a Fire 55, a mais fraca.

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Segunda geração

Em 1999, a Fiat decidiu-se pela segunda geração do Punto, que não era tão atraente quanto a primeira em termos de estilo. A frente não tinha expressão e só a versão HGT Abarth parecia estar em sintonia com a concorrência. Projeto 188, esse novo carro era um pouco maior, medindo 3,80 m de comprimento no hatch duas portas e 3,83 m no hatch quatro portas.

Ele era também mais largo (1,66 m) e sua plataforma aumentou apenas 1 cm, chegando a 2,46 m. O Fiat Punto de segunda geração tinha apenas versão hatch e ganhou os motores Fire 1.2 16V e 1.4 16V, mas nenhum turbo com gasolina.

No lugar do anterior, que tinha 136 cavalos, a marca introduziu um 1.8 de 131 cavalos, exatamente na versão HGT Abarth, que ia de 0 a 100 km/h em 8 segundos.

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Com potências a partir de 60 cavalos, o Fiat Punto ganhou o motor diesel Multijet 1.3 16V de 69 cavalos e seu equivalente 1.9 8V com 101 cavalos, além das versões mais simples, chamadas 1.9 D e JTD.

O compacto manteve o câmbio CVT, mas este agora era chamado de Speedgear com simulação de seis marchas ou sete (versão Sporting). A direção hidráulica DualDrive tinha dois modos de funcionamento, operacionais por meio de um motor elétrico.

Essa geração do Punto durou mais do que se imaginava, sendo 11 anos feito pela Fiat e seis na Sérvia, onde era vendido inicialmente como Zastava 10. A produção nesse caso era em Kragujavec, substituindo então a fabricação polonesa em Vychy.

Em seu facelift, o hatch ficou mais atraente, o que lhe garantiu uma sobrevida. Mas, nesse meio tempo, a terceira geração já estava em curso.

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Grande Punto

No ano de 2005, o original para a morte da segunda geração, o que não ocorreu, a Fiat designava sua terceira geração como Grande Punto. O Projeto 199 foi apresentado em Frankfurt nesse mesmo ano e revelada um carro bem maior, mais aerodinâmico e sofisticado.

Ainda feito por Giugiaro, ele abandonaria a plataforma Fiat para se unir a um desenvolvimento em conjunto com a GM (Gamma).

A nova plataforma do Fiat Punto também sustentava o alemão Opel Corsa (geração D até os dias atuais), bem como o Alfa Romeo MiTo (que recentemente saiu de linha). O projeto foi tão bem sucedido que até agora sua herança continua em novos produtos da marca italiana.

Além de ainda se manter ativa na Opel, também sua variante brasileira gerou os atuais Argo e Cronos, embora com 70% de componentes novos.

Pode-se dizer que é a plataforma mais versátil e rentável da Fiat em termos de automóveis de passageiro, tendo basicamente 2,51 m de entre-eixos. Na marca italiana, ela foi usada por diversos modelos lá e cá, sendo que aqui Idea, Grand Siena e Linea foram alguns dos produtos.

Com 4,03 m inicialmente, o Grande Punto era bem maior e mais espaçoso que a geração anterior.

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Por causa do tamanho e por não haver um Palio no mercado europeu, o antigo Punto continuou como opção mais barata. Com capô longo para seu corpo, grade retangular e faróis amendoados (inspiração no Maserati Coupé de Giugiaro), o compacto premium da Fiat chegou com uma gama completa de motores e transmissões, mas perdeu o câmbio CVT, infelizmente.

Em seu lugar, a Magneti Marelli inventou o Dualogic, sistema automatizado sobre uma caixa mecânica, que viria a ser amplamente utilizado no Brasil. O motor Fire foi extensamente ampliado na gama do Fiat Punto europeu, tendo versões 1.2 e 1.4, esta última acabou ganhando o sistema MultiAir, um comando de válvulas por gerenciamento eletromecânico.

O hatch logo ganhou a esperada versão T-Jet, que tinha esse motor Fire 1.4 (sem MultiAir) com turbocompressor e intercooler, mas sem injeção direta de combustível.

Sob a Abarth, a versão SS do Fiat Punto alcançava 180 cavalos e 27,5 kgfm, indo assim de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e com máxima de 218 km/h.

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Com diesel, o Grande Punto ainda chegou a usar os velhos 1.9 8V Multijet com até 130 cavalos, mas foram os 1.3 e 1.6 que fizeram a diferença, especialmente na Índia. Por aqui, essa opção foi barrada por lei.

Uma opção de motor que passou bem longe do Brasil deve ter sido considerada inapropriada para o consumidor nacional: 0.9 TwinAir Turbo.

Com apenas dois cilindros, o diminuto motor foi uma ousadia tremenda da Fiat, que obviamente não se sentiu motivada a trazer ao Brasil. Entregando 105 cavalos e 14,8 kgfm, o TwinAir Turbo permitia ir de 0 a 100 km/h em 10,8 segundos. Também ganhou uma versão de 85 cavalos, compartilhada com o MiTo.

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Fiat Punto, o emergente

Em 2009, sai Grande Punto e entrada Punto Evo. A atualização de meia vida deixava o hatch mais elegante, mas durou somente três anos, chegando então o Punto simplesmente, até hoje. Diferentemente daqui, o equivalente europeu tinha duas portas inicialmente, mas em 2015, essa opção deixou de existir por lá. Na atualização, o comprimento aumentou para 4,06 m.

Mas, foi fora do mercado europeu que o Fiat Punto provou ser um produto mais “global”. Em 2007, o Fiat Punto foi lançado no Brasil com toda pompa e circunstância, sendo apresentado ao mercado indiano um ano depois.

Lá, o hatch se aproveitou da parceria com a Tata Motors para ganhar mercado e acabou utilizando em larga escala o motor diesel 1.3 Multijet.

O compacto Punto Evo recebeu facelift em 2014 e ganhou no ano seguinte a versão Abarth, que vinha com o motor 1.4 T-Jet de 145 cavalos, mas com câmbio manual de cinco marchas. Importado da Polônia, o hot hatch tinha tinha ajustes finos para melhorar a performance. Mas, o que chamou a atenção dentro e fora da Índia foi a versão aventureira chamada simplesmente Avventura (com dois “V”).

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Fiat Punto no Brasil

Mas de volta ao Brasil, o Fiat Punto chegou com um sanduíche de engenharia para se dar bem nas esburacadas estradas brasileiras. O compacto premium chegava em agosto de 2007 para ser o intermediário entre Palio e Stilo, mas com a plataforma Gamma modificada com elementos do Palio e suspensões dos modelos Idea e Stilo. Com um pouco de cada, o modelo tinha DNA de parte da linha nacional.

Já estreando a tecnologia Flex, o Fiat Punto (sem Grande por aqui), mas seu estilo era exatamente igual ao europeu, mesmo com o enxerto de componentes “não originais” da plataforma Gamma. Feito para brigar com Volkswagen Polo e Citroën C3, o hatch chegou inovando em um item de conectividade, numa época em que nascia o smartphone (iPhone).

O sistema Blue&Me foi desenvolvido pela Microsoft através do Windows Mobile para conexões de diversas funcionalidades e aparelhos por meio de comandos de voz, inclusive navegação GPS por orientação vocal. Mas, como sempre, a Fiat usava e abusava de pacotes de opcionais que tornavam o Fiat Punto muito caro no final das contas.

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A gama de opções era composta pelo motor Fire 1.4 8V com 85 cavalos de potência na gasolina e 86 cavalos no etanol, além de 12,4 e 12,5 kgfm, respectivamente.

O Fiat Punto ainda apresentava o motor 1.8 GM Família I, que tinha 8V e entregava 113 cavalos na gasolina e 115 cavalos com etanol, bem como bons 18,0 kgfm no primeiro e 18,5 kgfm no segundo combustível. Tudo isso a 2.800 rpm. Com isso, ele ia de 0 a 100 km/h em 10,6 segundos.

Com essa dupla de motores, o Fiat Punto foi ganhando seu espaço no mercado brasileiro, mas em 2011, a gama de motores foi modificada. A saída da GM da associação com a então Fiat Chrysler, já sobrevivente após o colapso financeiro mundial e a quase falência da General Motors, fez com que o velho Família I deixasse a marca italiana de vez.

Em seu lugar, a Fiat foi buscar uma solução bem caseira e nacional, a antiga joint-venture Tritec, que era composta inicialmente por BMW e Chrysler. A compra da empresa sediada em Campo Largo-PR, permitiu o desenvolvimento de um motor que ainda está em uso na Fiat, o E.torQ.

Ao contrário do antigo motor, que teve versão 1.6 com compressor, o novo não tinha turbo, embora tenha preparação para isso, segundo a FPT – Fiat Powertrain Technologies.

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Assim, o Fiat Punto manteve o Fire 1.4, que virou Evo e subiu para 88 cavalos com etanol, mantendo mesmos torques e potência com gasolina. Ele passou a ser oferecido na versão Attractive, enquanto a ELX 1.4 foi substituída pela Essence 1.6.

Esta vinha com motor E.torQ com 115 cavalos na gasolina e 117 cavalos no etanol, mas com 16,2 kgfm no primeiro e 16,8 kgfm no segundo.

Apesar dos números, nem todo mundo gostou da mudança. Isso porque havia reclamação de falta de força em baixa, lembrando que o torque era obtido ao máximo em 4.500 rpm. Tanto o 1.6 quanto o 1.8, ambos da família E.torQ, tinha 16V mas comando único no cabeçote, herança da Tritec, que chegou a ser usado em carros chineses, especialmente da Chery.

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As versões Essence e Sporting tinham também o motor E.torQ 1.8 com 130 cavalos na gasolina e 132 cavalos no etanol. Os torques eram de 18,4 e 18,9 kgfm, respectivamente. O câmbio automatizado Dualogic tinha mudanças manuais na alavanca.

Mas, a sensação em termos de performance era mesmo o esportivo Punto T-Jet.

Equipado com motor Fire 1.4 16V com turbocompressor, intercooler e injeção multiponto, o propulsor entregava 152 cavalos a 5.500 rpm e 21,1 kgfm a 2.250 rpm. O câmbio era naturalmente manual, mas só tinha cinco marchas.

Com esse conjunto, o Fiat Punto T-Jet ia de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos com máxima de 203 km/h. Abastecido apenas por gasolina, tinha consumo alto.

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Fim de carreira

O Fiat Punto continuou sua trajetória após as mudanças na linha 2011. O compacto premium tinha uma gama de opções interessantes, mas o mercado começou a mudar rapidamente com a crise econômica nacional. Com as vendas em baixa, a marca italiana começou a acumular diversos produtos que não estavam mais rendendo em termos financeiros.

Em resumo, a Fiat passou a dispor de um portfólio grande demais para a demanda nacional e em anos recentes, a FCA começou a questionar-se sobre sua manutenção. Já perdendo a liderança para a General Motors e disputando mensalmente com a Volkswagen, a marca iniciou um longo processo de reestruturação geral, o que incluía produto.

Então, na lista de cortes, a Fiat simplesmente tirou de cena modelos emblemáticos, como o Palio, que viveu no mercado por 22 anos e chegou a ser líder. Com ele, a marca matou também a minivan Idea – que emprestou a suspensão para o Fiat Punto – Linea, Bravo e, é claro, o compacto premium da marca. Ainda restam no lineup Doblò e Weekend.

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A morte do Punto já era anunciada há algum tempo, conforme evoluía o projeto do Argo, novo compacto que combinaria características do Palio (segunda geração) com DNA do próprio modelo que estava saindo de cena. De fato, o Punto empresta ao atual hatch sua plataforma, mas modificada com 70% de componentes novos e muito mais rígida.

Com ela, o Fiat Punto contribuiu para que sua sucessão ocorresse sem grande investimento por parte da empresa, que ainda possui os direitos sobre a base “Gamma” acordada com a GM. Ela também sustenta o sedã compacto Grand Siena e o atual Cronos, este igualmente modificado para ser mais seguro, leve e eficiente. O Punto saiu de cena no Brasil antes mesmo da Europa.

Por lá, o Fiat Punto continua sendo oferecido, mas com gama reduzida e sob alvo da diretoria da FCA, que deixa claro a eliminação breve do compacto premium. Embora rumores falem sobre um sucessor, o certo é que o modelo deva sair de cena para dar espaço ao futuro Fiat 500 com quatro portas.

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Já se falou até numa versão italiana do Fiat Argo, que seria rebatizado de Argo e mesmo no Tipo turco como um sucessor em termos de proposta, mas a realidade é que não há saída para o compacto, que viu o Alfa Romeo MiTo se despedir recentemente. Sem a produção do cupê compacto, ficará difícil sustentar a operação de produção apenas com um único produto.

Desde que surgiu em 1993, o Fiat Punto têm sido um êxito em seus 25 anos de mercado internacional. Já teve de tudo, de câmbio CVT ao motor de dois cilindros em linha com turbo. Por aqui, foi Flex e ganhou o automatizado Dualogic, mas pecou por não ter um câmbio automático de verdade, algo que o Argo passou a oferecer.

O motor E.torQ também não ajudou, mas o compacto mesmo assim deixou saudades.

 

 

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