
A transição elétrica da General Motors deixou de ser apenas uma aposta estratégica e virou uma conta bilionária cada vez mais difícil de ignorar.
Depois de comprometer grande parte de sua capacidade industrial com EVs, a montadora agora sente o impacto da desaceleração desse mercado.
No segundo semestre de 2025, a GM registrou US$ 7,6 bilhões (R$ 38 bilhões) em encargos ligados à eletrificação.
A sangria não parou no início deste ano, já que a empresa informou mais US$ 1,1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) em custos relacionados a EVs no primeiro trimestre.
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Os números foram divulgados no balanço financeiro trimestral apresentado hoje, reforçando a pressão sobre uma estratégia que ficou mais cara do que o previsto.
O diretor financeiro Paul Jacobson afirmou que as cobranças mais recentes envolvem reivindicações comerciais de fornecedores e contratos cancelados por falta de demanda suficiente.
Segundo ele, a GM está avançando rapidamente para finalizar essas discussões e já registrou cerca de 90% dos custos esperados com fornecedores.
A expectativa da companhia é chegar a acordos de princípio sobre a maior parte do restante durante o segundo trimestre.
Para o analista Sam Abuelsamid, vice-presidente da Telemetry, outras montadoras também devem reconhecer perdas semelhantes ao longo deste ano.
Ele citou a possibilidade de novos impactos em resultados de empresas como Ford e Volkswagen, mas acredita que os maiores encargos já foram contabilizados.
Na avaliação de Abuelsamid, a fase atual envolve negociar quanto as fabricantes terão de pagar por volumes de peças menores que os contratados originalmente.
Esse ajuste é doloroso porque muitas cadeias de fornecimento foram dimensionadas para um crescimento de EVs que simplesmente não veio na velocidade esperada.
Ainda assim, grandes montadoras tradicionais conseguem absorver perdas contínuas se mantiverem lucros relevantes em outras áreas do negócio.
No caso da GM, a empresa registrou seu sexto trimestre consecutivo de lucro no enfraquecido mercado chinês, um resultado considerado expressivo no setor.
A companhia também vê crescimento nas receitas de serviços por assinatura, área que ganha importância dentro de sua estratégia digital.
Outro ponto positivo veio da redução de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) em gastos com garantias no primeiro trimestre.
A CEO Mary Barra afirmou que a participação da GM no mercado americano de EVs chegou a 13% no primeiro trimestre, ante 10% em dezembro.
Esse avanço ocorreu em um segmento que parece se estabilizar em torno de 6% das vendas de veículos leves nos Estados Unidos.
Mesmo com esses sinais favoráveis, Abuelsamid vê riscos importantes caso a guerra no Irã mantenha ou eleve ainda mais os preços dos combustíveis.
Se picapes grandes e SUVs começarem a perder força, a situação financeira da GM pode mudar rapidamente, segundo o analista.
Por outro lado, combustíveis caros também poderiam estimular uma nova alta na procura por EVs entre consumidores cansados de gastar mais para abastecer.
Jacobson disse que a GM continua ajustando sua cadeia de baterias ao lado de parceiros em joint ventures.
Do total de US$ 5,6 bilhões (R$ 28 bilhões) em encargos de caixa relacionados a EVs desde o segundo semestre de 2025, US$ 2,6 bilhões (R$ 13 bilhões) já haviam sido pagos até 31 de março.
O objetivo, segundo o executivo, é deixar o máximo possível dessas pendências para trás e voltar a discutir o futuro com os fornecedores.
A frase resume o dilema da GM: a empresa ainda acredita nos EVs, mas precisa parar de pagar por expectativas que o mercado não confirmou.
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