O último discurso do chefão da BMW virou “indireta” para rivais alemães: deixou Porsche, Audi e Mercedes em saia justa

bmw 2 milhões bevs 2
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Se o presidente de uma montadora sai rindo e falando em bônus, normalmente existe uma comparação maldosa pairando no ar.

Foi assim que Oliver Zipse encerrou sua última fala como chairman da BMW, deixando um recado discreto, porém cortante, aos rivais alemães.

Ele não citou Porsche, Mercedes-Benz ou Audi, mas escolheu palavras que fazem sentido apenas porque alguém do outro lado está tendo um ano pior.

No meio dos números, Zipse soltou a frase que virou a agulhada: “outros estão cancelando bônus”, disse ele sorrindo, antes de afirmar que a BMW paga participação nos lucros.

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O subtexto ficou ainda mais forte porque a BMW anunciou um bônus de participação para funcionários na Alemanha referente a 2025, apresentado como prova de solidez do modelo.

Zipse ancorou a provocação no desempenho financeiro, lembrando que a empresa superou a meta de lucro de 2025 de 10 bilhões de euros (R$ 57,4 bilhões).

Ele também destacou a elevação do dividendo em 10 centavos, levando o pagamento ao acionista para 4,40 euros (R$ 30) por ação.

Como reforço de escala, citou 2,46 milhões de veículos vendidos em 2025, tentando pintar um quadro de estabilidade em um ambiente industrial turbulento.

O gesto de falar em bônus, no entanto, soou menos como celebração interna e mais como contraste calculado com concorrentes que revisaram ou cortaram recompensas.

O discurso ainda usou um trunfo estratégico para explicar por que a BMW se sente confortável: a fábrica de Spartanburg, nos Estados Unidos, descrita como seu maior complexo.

Zipse afirmou que Spartanburg é o maior exportador automotivo dos EUA em valor, algo que ele disse ser reconhecido e valorizado nos círculos políticos americanos.

Ao construir SUVs em solo americano, a BMW fica menos exposta às tarifas que estão custando bilhões às montadoras, enquanto parte dos rivais segue mais dependente de produção na Alemanha.

O ex-chefe também trouxe a China para o centro, dizendo que a BMW vendeu 625.000 veículos no país no ano passado, resistindo melhor do que a leve contração do mercado.

Na pauta regulatória, Zipse atacou a abordagem europeia de emissões, dizendo que ela empurrou o downsizing em vez de incentivar inovação e, assim, favoreceu negócios fora do continente.

Mesmo criticando a regra, ele afirmou que a BMW ficou abaixo das metas europeias de CO2 de 2025 por uma margem “significativa”, sem pooling e sem comprar créditos.

Ao encerrar, Zipse lembrou aos acionistas que investimento precisa valer a pena e agradeceu pelos 35 anos na empresa, como quem se despede com resultado e com recado.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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