Quando queima a junta do cabeçote tem que fazer retífica?

Quando queima a junta do cabeçote tem que fazer retífica?

Com o carro, tudo parece normal. Então, de repente, a luz de temperatura da água acende. E agora?


A resposta, infelizmente, é: problema. Isso se o veículo não começar a falhar antes que o proprietário perceba que seu automóvel está com a junta queimada, o que demandará a troca da mesma.

Mas será que quando queima a junta do cabeçote tem que fazer retífica?

Muita gente acaba se fazendo tal pergunta quando descobre que seu carro está com esse importante item do motor avariado. E quando falamos sobre precisar ou não de retífica, isso também significa a alteração da vida útil do cabeçote, além do custo de reparo maior ou menor.

Por conta disso, nesse artigo vamos responder a essa importante questão sobre a queima da junta de cabeçote e se a retífica é mesmo necessária.

Quando queima a junta do cabeçote tem que fazer retífica?

Quando queima a junta do cabeçote tem que fazer retífica?

Antes de sabermos a resposta, é preciso entender o que é a junta de cabeçote.

Trata-se de um revestimento adicionado entre o cabeçote e o bloco do motor, que tem por objetivo vedar a junção entre essas duas partes do motor. Isso evita que compressão, explosão e escape de gases da câmara de combustão vazem para fora do conjunto.

Além disso, a junta de cabeçote também veda as passagens de óleo e água entre cabeçote e bloco, impedindo que as duas passagens tenham contato entre si e também com a câmara de combustão.

Uma junta de cabeçote é relativamente barata, mas sua avaria pode custar muito caro em caso de queima.

Casos em que não precisa de retífica

Nesse caso, um dano menor no superaquecimento não acarretará em retífica do cabeçote, sendo necessária apenas a troca da junta. Isso geralmente ocorre quando se percebe imediatamente o superaquecimento do motor, desligando o propulsor e rebocando o veículo.

Nesse caso, porém, é preciso ter em mente que o cabeçote precisa ser plainado após sua remoção do bloco. Ou seja, sua superfície de contato com a junta deve ser alinhada novamente para que não haja folgas nesse contato, o que inviabiliza o serviço.

Assim, o cabeçote precisa ser colocado em uma fresadora para que seja desbastada sua superfície em alguns milímetros, algo suficiente para que fique totalmente plana novamente.

Daí, basta montá-lo no bloco e sobre a junta colocada neste. O aperto segue uma ordem e uma carga específica, que varia de acordo com o motor e marca. O custo gira em torno de R$ 100.

Casos em que precisa de retífica

Quando queima a junta do cabeçote tem que fazer retífica?

No entanto, digamos que o condutor não tenha percebido de imediato um superaquecimento no motor e o mesmo “ferveu”, ou que esteja numa situação em que trata o problema de forma paliativa, postergando a solução para o defeito, que é a realização do serviço.

Daí, conforme o tempo vai passando, a junta queimada vai agravando a situação do cabeçote e do motor.

Além das falhas, a queima da junta empena o cabeçote e pode também avariar o movimento do motor ao misturar água da refrigeração com o óleo lubrificante, conforme sua estrutura (da junta) acaba sendo destruída com o superaquecimento.

Em outras palavras, é mais provável que haja o travamento do motor,

Então, quando o cabeçote é retirado, é preciso fazer uma avaliação para ver se não houve danos maiores em sua estrutura. No caso de corrosão, em motores mais antigos, fica fácil observar a destruição parcial das galerias de água na superfície da peça.

Nesse caso, é preciso “encher” o cabeçote com solda e depois executar a plaina do mesmo.

Porém, algumas vezes o dano foi mais interno. Tanto no caso de corrosão visível, quanto numa trinca interna, o mecânico terá de executar um teste de pressão para verificar se há vazamento interno e onde este fica. Dependendo do local no cabeçote, o reparo pode ser inviável.

Esse teste é executado fechando-se todas as passagens de água e óleo, deixando apenas uma entrada e uma saída para o líquido marcador. Submetido a alta pressão, o cabeçote deverá ter determinado nível de vedação, medido através de um manômetro.

Se a pressão for menor que o mínimo exigido, este possui um vazamento interno.

Após o teste, o líquido marca o local exato do vazamento. Então, é necessário também “encher” o local com solda após o devido desgaste da ruptura para que ele fique completamente vedado. É bom lembrar que alguns cabeçotes aceitam apenas uma plaina de superfície, enquanto outros suportam até três.

Também existem outros serviços, como troca de sede de válvulas e guias de válvulas, bem como retífica do alojamento do comando de válvulas. Evidentemente, serviços como estes reduzem as chances de um novo reparo mais adiante e possuem um custo bem maior, ficando em torno de R$ 600.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.