Tesla com 610 mil km expõe a verdade incômoda dos EVs: a bateria encolhe, mas o carro continua rodando quando quase todo mundo já teria desistido

tesla 600 mil kms
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Todo EV vende a ideia de menos manutenção e uma vida mais simples, mas existe um detalhe que ninguém consegue escapar: com o tempo, a bateria perde fôlego.

Num carro a combustão, o motor envelhece, porém o tamanho do tanque não diminui, enquanto no EV a autonomia inevitavelmente vai encolhendo, cedo ou tarde.

A questão real, portanto, não é se haverá degradação, e sim quanto ela vai avançar antes de a bateria falhar ou tornar o uso frustrante.

Um exemplo extremo ajuda a colocar isso em perspectiva: um Tesla Model 3 de sete anos, ainda com a bateria original, já passou de 380.000 milhas (610.000 km).

O carro pertence ao canal do YouTube Drive Protected e continua funcionando em um ponto em que a maioria dos veículos, elétricos ou a combustão, já teria sumido das ruas.

Quando era novo, esse Model 3 indicava 240 milhas (386 km) de autonomia, mas hoje, com carga completa, o painel mostra 158 milhas (254 km).

Isso significa uma perda de 82 milhas (132 km), ou cerca de 34,2% da autonomia original, deixando a bateria abaixo de 70% da capacidade inicial.

Não dá para maquiar o dado, porque essa queda é grande e muda a forma como o carro serve para viagens, rodovias e rotinas sem recarga frequente.

Ao mesmo tempo, o caso não vira automaticamente uma sentença de morte, porque o veículo ainda cumpre tarefas reais, sobretudo em deslocamentos curtos e uso urbano.

We Tested a 610,000km Tesla Battery...The Degradation Shocked Us | Tesla Resurrection Part 2

Para checar a vida fora do painel, o canal levou o carro a um teste de estrada em velocidade constante de 68 mph (109 km/h), até o indicador chegar a zero.

No mundo real, ele percorreu 138,3 milhas (223 km) antes de zerar, um resultado pouco impressionante no papel, mas longe de ser inutilizável.

Os números de energia reforçam que a perda não é “psicológica”: durante o teste, o carro consumiu 32,4 kWh, bem abaixo dos cerca de 49 kWh que teria quando novo.

Essa diferença conversa diretamente com a autonomia reduzida e confirma que a degradação está, de fato, no quanto de energia a bateria consegue entregar hoje.

O mais curioso é que, mesmo com mais de um terço da capacidade perdido, nada parece fundamentalmente quebrado, sem colapso repentino ou desligamentos dramáticos.

O que aparece é uma erosão contínua do alcance ao longo do tempo, só que com uma quilometragem que praticamente dobra o que muitos carros alcançam antes do desmanche.

No fim, o Model 3 vira argumento dos dois lados: prova que degradação é real e relevante, mas também mostra que um EV pode seguir rodando por muito tempo, mesmo com autonomia menor.

Para a longevidade dos EVs virar regra e não exceção, a peça-chave é tornar baterias mais baratas e mais simples de substituir, porque isso redefine custo total e vida útil.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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