Testamos um carro elétrico com 120.000 km rodados, o JAC E-JS1

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Ele já custou mais de R$ 150.000 e hoje é um dos carros elétricos mais baratos do mercado nacional, custando R$ 126.900. Estamos falando do JAC E-JS1.

Com autonomia de 300 km e aceleração de 0 a 100 km/h em 10,7 segundos, o E-JS1 é um carrinho ágil e eficiente, sendo uma opção interessante para quem busca o primeiro carro elétrico.

Isso tudo, porém, é o esperado numa unidade zero km. Mas o que dizer dum modelo usado, com 120.000 km rodados?. Pois bem, foi exatamente isso que ocorreu com este E-JS1 testado pelo Notícias Automotivas.

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Comprado pela JAC com 117.000 km, nós alcançamos com ele os 120.000 km durante a avaliação. Consultamos um mecânico especializado em carros a combustão e também um potencial comprador de carro elétrico, dono de um sedã compacto recentemente adquirido.

Assim, após 120.000 km, será que o JAC E-JS1 se comporta como novo? Sua bateria ainda comporta carga? E a manutenção?

São muitas perguntas que responderemos nesta matéria que, aliás, amplia um pouco mais a questão: como é um carro elétrico após alta quilometragem?

Quem é o JAC E-JS1?

jac e js1 120 mil km avaliação na (3)
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Menor carro elétrico da JAC Motors, o E-JS1 é um subcompacto de 3,65 metros de comprimento, 1,67 metro de largura, 1,54 metro de altura e 2,39 metros de entre eixos.

De aparência simpática e com cores chamativas, incluindo um tom de rosa, o E-JS1 é derivado do antigo JAC J2, mas com frente e traseira diferentes, assim como o interior.

O pequenino da JAC conta com faróis full LED, bem como rodas de liga leve aro 14 polegadas e lanternas de design diferenciado.

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Dentro, o pequeno elétrico conta com um painel de aparência moderna, com cluster digital compacto e multimídia dotada de tela de 10,25 polegadas, equipada com câmera de ré e um espelhamento de smartphone arcaico.

Já os bancos são em couro, enquanto o console alto tem elemento vazado, um belo desenho e um suporte de smartphone com indicador de indução, porém, não funcional no Brasil.

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O volante tem um design antigo, enquanto o ar-condicionado automático é controlado pelo infotainment. No JAC E-JS1, o freio de estacionamento é eletrônico, enquanto a alavanca de marchas é na coluna de direção, como nos carros da Mercedes-Benz.

O pequeno tem ainda dois airbags, controle de estabilidade, sistema de som comum, piloto automático, freios a disco nas quatro rodas, entrada presencial, botão de partida, modos de condução Normal e Eco, Bluetooth, USB, bancos em tecido, função Auto Hold, ajuste de altura dos faróis, sensor de estacionamento traseiro, faróis e lanterna de neblina, retrovisor eletrocrômico, trio elétrico, entre outros.

Como ele anda?

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Antes de entrarmos nesse assunto, vamos contar um pouco da história do carro avaliado, um JAC E-JS1 ano/modelo 2021/2022. O carro foi comprado em Divinópolis/MG em dezembro de 2021.

Na época, o proprietário o adquiriu por R$ 145.000 como zero km. Durante 18 meses, o dono rodou nada menos que 117.000 km, fazendo em média 390 recargas elétricas, sendo quase todas em sua residência, que possui painéis solares.

Somente em revisões, ele gastou R$ 4.620, porém, em recargas, o custo foi praticamente zero, pois nos cálculos de energia da região, ele gastaria R$ 20 por carga se o fizesse, dando uma economia em torno de R$ 7.800.

jac e js1 120 mil km avaliação na (8)
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No total, ele gastou R$ 149.620 entre aquisição do carro e manutenção, vendendo-o por R$ 100.000, o que lhe conferiu uma perda de R$ 49.620.

Numa comparação com um Chevrolet Onix 2022, no valor de época de R$ 85.000, o cliente da JAC teria consumido 11.700 litros de gasolina para rodar os mesmos 117.000 km, com média de 10 km/l na cidade, totalizando em torno de R$ 62.000.

Já o custo médio de manutenção ficaria em torno de R$ 15.000 para o igual período, resultando num custo de propriedade de R$ 162.000 entre aquisição, manutenção e gasto com combustível.

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Todavia, ao vender o Onix atualmente, ele conseguiria o valor de R$ 62.000 na tabela Fipe, resultando em perda de R$ 100.000. Obviamente, sabe-se que o custo de manutenção, assim como o gasto com consumo de energia, são mais baratos que os de um carro a combustão. Na comparação, sua economia foi de R$ 52.380 com o elétrico.

Com a recente queda nos preços dos carros elétricos e aumento dos preços dos carros a combustão, o custo de propriedade tende a ficar mais vantajoso para o veículo com bateria.

No entanto, a pergunta continua. Já sabemos como um compacto flex pode estar aos 120.000 km, mas e um elétrico?

O E-JS1 com 120.000 km rodados

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Com pouco espaço interno, o E-JS1 não é um carro para pessoas com mais de 1,80 m, já que a direção elétrica tem coluna baixa, mesmo no ajuste máximo de altura, fazendo as mãos roçarem as pernas de tão próximo o aro da direção.

Atrás, pouquíssimo espaço e um porta-malas com apenas 121 litros, embora o banco traseiro bipartido ajude bastante com uma criança ou terceiro adulto em caso de compras ou viagem. A altura interna é boa e os comandos são fáceis de alcançar.

Merecia o carregamento indutivo e a projeção para Android Auto e Apple CarPlay, assim como mais airbags. Pequeno, é fácil de estacionar e os recursos para ajudar não faltam.

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A direção elétrica é leve e eficiente, enquanto a suspensão tem curso curto e, portanto, é mais firme que o desejado, não sendo boa para vias esburacadas ou cheias de depressões. Em realidade, um carro urbano para cidades bem pavimentadas, o que é raro no Brasil.

Os freios são bem fortes e merecem atenção logo no começo, mas a adaptação é rápida. A estabilidade nas curvas é limitada pela altura dos pneus 165/65 R14, embora o pequeno tenha controle de estabilidade, mas não convém abusar da sorte.

Na aceleração, o E-JS1 se transforma num carro muito mais potente que seus 62 cavalos e 15,3 kgfm indicam. Aliás, seus números lembram o de um carro a diesel, porém, com aceleração de um motor a gasolina muito maior.

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A resposta ao pedal é imediata e é fácil ouvir os pneus patinarem nas saídas, assim como o rápido ganho de velocidade. As retomadas são boas, mas somente até uns 80 km/h, pois acima disso ele já sente sua limitação de velocidade se aproximar dos 105 km/h.

No modo de economia, a força cai sensivelmente e o E-JS1 lembra mais um carrinho 1.0, porém, com resposta ainda superior. Com 120.000 km, encontramos um carro com comportamento de zero km, sem puxar a direção, suspensão com amortecedores comprometidos ou freios já meia vida.

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Notamos, sim, os discos um pouco empenados em frenagens mais fortes, fato evidenciado pelo vibrar dos mesmos no pedal de freio, mas nada que comprometa sua capacidade de parar. Já o acabamento se mostrou íntegro, sendo que o único incômodo ficou com o bater do cinto do passageiro dianteiro.

O E-JS1 não perdeu a tampa do bagageiro, enquanto alguns riscos no acabamento do console e no carregador induto inoperante são visíveis. O volante em couro estava em boa condição, assim como os assentos e a guarnição das portas.

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Por fora, a carroceria estava com pintura em ordem para sua quilometragem e tempo de uso, mas as rodas de liga leve aro 14 polegadas, especialmente as dianteiras, estavam bem raspadas, merecendo uma recuperação.

Todos os itens a bordo estavam funcionando aos 120.000 km.

Na oficina

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Levamos o JAC E-JS1 até a Cardosh Garage, mecânica especializada em carros das marcas Renault, Peugeot e Citroën, para uma observação do estado geral do carro. Após erguer o elétrico no elevador, Francisco Duarte Fé, proprietário da oficina, constatou um vazamento de óleo na caixa de transmissão.

Segundo Duarte, o vazamento provavelmente é no retentor dos semieixos e, conforme eles giram, o lubrificante suja a parte inferior do assoalho na parte central. Ele indicou que, se já estiver pingando, o sistema pode ter danos em uma semana, caso contrário pode durar um pouco mais.

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O indicado é fazer a manutenção e evitar um possível dano no conjunto. Além disso, Duarte observou que os pneus são ainda originais, com “DOT” indicado de produção em 2021.

De marca Fuzion, eles já estão no fim da vida útil, necessitando uma troca em breve. Francisco ainda apontou que o pneu traseiro esquerdo rodou um bom tempo murcho ou muito abaixo da pressão, devido à marca na lateral do pneu.

Em sua análise, observando que discos, pastilhas e amortecedores estão íntegros, assim como alinhamento e balanceamento dos pneus, o especialista comenta que não dá para dizer que o carro tem 120.000 km.

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Francisco Duarte, da Cardosh, comenta: “Podemos ver que os pneus são originais, devido ao DOT, assim como freios, pastilhas e sistema de arrefecimento em ordem. A única novidade é mesmo a caixa de transmissão com este pequeno vazamento”.

Já em relação ao carro como um todo, ele observa: “Em questão de durabilidade e custo-benefício, [o JAC E-JS1] está se apresentando um bom investimento para o cliente. Como reparador, eu indicaria, sim, mas a gente precisa se aprofundar mais em como são feitas essas manutenções”.

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Duarte pontua: “Com a experiência que tenho na área de reparação, onde a gente acompanha as manutenções de carros de aplicativo, no prazo, este carro é bem vantajoso”. Já a troca do retentor do semieixo custa R$ 350,00 de mão de obra na Cardosh, com a peça tendo preço médio de R$ 112,00 no Mercado Livre.

O profissional dirigiu o E-JS1 e ficou surpreso com o desempenho do carinho, assim como pelo comportamento. Ele não notou nada que indicasse algum problema mecânico e destacou o silêncio ao rodar como um ponto positivo.

Opinião de dono de carro compacto

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Além de um mecânico especializado em carros a combustão, levamos o JAC E-JS1 para experimentação de um proprietário de carro compacto. Aldney Ferreira, empresário, é dono de um Fiat Cronos Drive 2023, que custa R$ 96.990 nas concessionárias.

Tendo adquirido o sedã compacto da Fiat há pouco tempo, Aldney dirigiu o E-JS1 com 120.000 km no hodômetro e ficou surpreso com a agilidade do veículo e custo-benefício. Comparando com seu carro, Ferreira até questiona: “Parece que tem a mesma potência, mas só tem 62 cavalos?”

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Aldney comenta: “Pelo preço eu trocaria meu carro em um elétrico, já que a diferença é pouca. Vou fazer esses cálculos de manutenção e energia, mas pelo visto, vale a pena”.

“Em média, eu fico de quatro a cinco anos com um carro e, no longo prazo, o preço maior de um elétrico se paga”, finaliza.

E o que nós observamos?

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Apesar de andarmos com o JAC E-S1, observamos algo em relação ao zero km que é importante salientar. O nível de carregamento da bateria de 30 kWh é mais rápido que a célula de um carro maior, já que quanto maior a capacidade, mais tempo se necessita fora de estações de alta potência.

Não verificamos alterações nesse caso e, por exemplo, usando um dispositivo da Power2Go de 7,4 kW, o nível de carga em 20 minutos passou de 92% para 100%, resultando em autonomia de 271 km para 293 km.

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Note o último número. Pois é, a única observação que temos sobre a capacidade de carga do E-JS1 com 120.000 km rodados é a perda de 7 km na autonomia, originalmente de exatos 300 km. Isso representa uma perda de 2,3% do alcance após essa quilometragem. Muito? Talvez não.

Em recente teste da ADAC, na Alemanha, um VW ID.3 Pro perdeu 7% da autonomia após 100.000 km, cuja autonomia das células de 77 kWh é de 550 km ou 38,5 km a menos. Ainda que o teste alemão tenha sido forçado para se alcançar a quilometragem, isso já dá uma ideia de como um pequenino da JAC, com um cliente comum, pode chegar.

jac e js1 120 mil km avaliação na (22)
jac e js1 120 mil km avaliação na (22)

No final das contas, com um vazamento de óleo como maior única mecânica e a perda de 7 km de autonomia, podemos dizer que o JAC E-JS1 com 120.000 km está melhor que a encomenda. Com garantia de 5 anos ou 100.000 km, o pequeno hatch parece pronto para mais 120.000 km.

E você, o que achou? Teria um desse na sua garagem?

JAC E-JS1 2022 – Galeria de fotos

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Autor: Ricardo de Oliveira

Com experiência de 27 anos, há 16 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz testes e avaliações. Suas redes sociais: Instagram, Facebook, X