TikTok, YouTube e influenciadores estão fazendo o que as montadoras chinesas não conseguiram: colocar seus EVs na cabeça dos EUA sem vender um único carro

carros eletricos tiktok eua
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Nos Estados Unidos, a maior vitrine dos EVs chineses não é um salão do automóvel, e sim a rolagem infinita do TikTok e do YouTube.

Richard Benoit, influenciador conhecido como “Rich Rebuilds”, foi ao Alasca há pouco mais de um ano para dirigir modelos chineses enviados ao país só para virar conteúdo.

Dentro de um Chery iCar 03 azul-claro, ele se espantou com o espaço, a tela widescreen com karaokê embutido e o preço de US$ 24,000 (R$ 119.100).

O vídeo “I drove the cheap Chinese cars that are illegal in the USA. Now I know why” acumulou quase 2 milhões de views e virou um ímã de curiosidade.

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Falando por telefone de Massachusetts, Benoit disse para a Bloomberg que basta citar BYD, Xiaomi ou Zeekr para o engajamento disparar, porque “os americanos querem esses carros”.

A ironia é que, apesar de as marcas chinesas avançarem em dezenas de mercados, elas quase não existem nas ruas americanas por tarifas, regras de segurança nacional e normas automotivas.

Mesmo assim, os EVs e híbridos com aparência premium e tecnologia de ponta viraram “iscas” perfeitas para algoritmos, enquanto México importa muitos carros chineses e o Canadá abriu uma cota limitada.

Em janeiro, em Detroit, o presidente Donald Trump disse que receberia investimento automotivo estrangeiro, incluindo da China, e isso deixou o setor em alerta.

Antes de um encontro previsto para meados de maio, em Pequim, com o presidente Xi Jinping, lobbies e senadores dos dois partidos pressionaram para manter as marcas chinesas fora.

Na CES de janeiro em Las Vegas, a Zhejiang Geely Holding Group Co., dona da Zeekr, afirmou estar avaliando o mercado americano e indicou decisão formal em 24 a 36 meses.

Ainda que as portas estejam fechadas, a percepção do público mudou: um terço dos compradores de carro novo consideraria um veículo feito na China, contra 18% em 2021, segundo Alexander Edwards, da Strategic Vision.

Quando Marques Brownlee, influenciador de tecnologia de Nova Jersey com mais de 20 milhões de inscritos no YouTube, avaliou o Xiaomi SU7 em dezembro, o vídeo chegou a cerca de 10 milhões de views.

A Sprout Social estimou que isso gerou US$ 1.2 million (R$ 6 milhões) em exposição não paga para a Xiaomi, e os dados apontam que o TikTok da marca subiu 20% no ano, para 7,8 milhões.

Do lado do comércio, a China EV Marketplace, de Hong Kong, que exporta EVs para 55 países, recebeu mais de 1.000 pedidos de cotação dos EUA, mas não consegue atender consumidores comuns, segundo o CEO Jiri Opletal.

Em 2024, o presidente Joe Biden impôs tarifa de 100% sobre EVs chineses e depois restringiu a importação de carros com software e hardware de adversários dos EUA, citando riscos de hackeamento e coleta de dados.

Peter Kmieck, broker-chefe da Kappa Customs Brokers em Miami, diz que, além de fretes que podem chegar a US$ 2,000 (R$ 9.900), o maior obstáculo é adequar os carros a padrões da EPA e do Departamento de Transporte.

A frustração cresce porque o preço médio do carro novo subiu 26% desde 2020 e chegou a US$ 49,353 (R$ 245.000) em fevereiro, segundo a Kelley Blue Book, com juros, seguro e manutenção pesando.

Alexandra Kozak, 33, de Charlotte, na Carolina do Norte, se encantou com um BYD Seagull 2023 por US$ 13,000 (R$ 64.500) com tela giratória de 10 polegadas, carregador sem fio e Amazon Music.

Ela dirige um Toyota Camry usado comprado por US$ 26,000 (R$ 129.100) na pandemia e diz que a inacessibilidade dos chineses parece “injusta” justamente por causa do preço.

Parte do espetáculo foi bancada pela Beijing Dongchedi Technology Co., a DCar, plataforma de conteúdo automotivo desmembrada da ByteDance em 2023, que financiou viagens, logística e a produção de posts.

Depois, Benoit foi procurado pela Zeekr para dirigir na Califórnia o 001 FR, sedan elétrico luxuoso que mira o Tesla Model S Plaid, enquanto a empresa diz que isso não sinaliza lançamento iminente.

Forrest Jones, influenciador automotivo com 8,9 milhões de seguidores no TikTok, afirma que os chineses são uma “mina de ouro” em inovação e que, mesmo sem venda, expor o público aumenta a pressão por carros melhores.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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