Automóvel recolhe de 31% a 79% do preço em impostos no Brasil

Automóvel recolhe de 31% a 79% do preço em impostos no Brasil

A Lei 12.741/2012 obriga a descrição do percentual de impostos que estão embutidos nos preços dos produtos na nota fiscal. Com o efeito cascata da política tributária no Brasil e a imposição do IPI majorado de 30% sobre as alíquotas vigentes no caso dos carros importados, revela a dura realidade fiscal que sobrecarrega não só as empresas, mas principalmente o consumidor.


A chamada “Lei da Transparência” não chega a ser totalmente aplicada, visto que a complexidade tributária do país faz com que os cálculos sejam apenas aproximados. As empresas podem lançar os percentuais de impostos na nota fiscal através de contabilidade feita pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), que é reconhecidamente idônea e confiável.

No mercado, algumas concessionárias já apresentam esses dados nas notas fiscais e algumas chegam a expor na loja tabelas com os percentuais de impostos embutidos nos preços. Como a informação é obrigatória, a multa para quem descumpri-la vai de R$ 400 a R$ 7 milhões.

Com base no que é divulgado através de notas fiscais, um automóvel no país pode ter entre 31% e 79% de impostos embutidos em seu preço. A situação é pior no caso dos importados por causa do IPI majorado de 30%, mas ainda incidem ICMS (12% neste caso, pois tem variação estadual para outros produtos), PIS (2%), Cofins (9,6%) e IPI (de 7% a 25%, dependendo do motor/combustível).

No entanto, a complexidade fiscal ainda é maior e a somatória dos impostos geralmente supera os percentuais acima, dado a localização do revendedor em relação ao estado produtor. O efeito cascata também varia de acordo com o regime tributário da empresa, bem como compensação interna da alíquota de ICMS, margens de lucros dos produtos, entre outros.

No caso do imposto de importação de 35%, o mesmo não incide sobre carros produzidos no Mercosul e México, mas não é embutido diretamente no preço final ao consumidor, por isso não pode ser declarado, pois entra nos custos do veículo para o importador.

Assim, confira abaixo a variação tributária nos preços dos carros por categoria e exemplo de alguns modelos:

Categoria – Percentual – Nacional

• Até 1.0 Flex – 30,6%
• Entre 1.0 a 2.0 Flex – 34,6%
• Entre 1.0 a 2.0 gasolina – 36,6%
• Acima de 2.0 Flex – 41,6%
• Acima de 2.0 gasolina – 48,6%

Categoria – Percentual – Importado

• Até 1.0 Flex – 60,6%
• Entre 1.0 a 2.0 Flex – 64,6%
• Entre 1.0 a 2.0 gasolina – 66,6%
• Acima de 2.0 Flex – 71,6%
• Acima de 2.0 gasolina – 78,6%

Exemplos – Modelo – Preço – Impostos

• Ford Ka 1.0 Flex – R$ 35.990 – 38,42% (R$ 13.826,36)
• Honda Fit 1.5 Flex – R$ 59.790 – 40,25% (R$ 24.065,47)
• Volkswagen Golf 1.4 TSI gasolina – R$ 67.900 – 40,79% (R$ 27.696,41)
• Kia Cerato 1.6 Flex – R$ 73.900 – 62,17% (R$ 45.992,66)

[Fonte: Estado de Minas]

Agradecimentos ao Richard Galhardini pela dica.

Ricardo de Oliveira
Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

3 comentários em “Automóvel recolhe de 31% a 79% do preço em impostos no Brasil”

  1. De fato, é apenas uma utopia. Isso porque, grande parte do Judiciário (principalmente nos Tribunais Superiores e TJ’s), nunca se interessam em fazer cumprir a Lei contra corruptos. Bem como o Legislativo é extremamente leniente, acaso a fatia do bolo seja distribuída. Gastos com Cartão Corporativo!!!! Que aberração é essa? Lagostas e vinhos finos para magistrados??? Os Governadores cedendo veículos para os Desembargadores… A prostituição é escancarada. Em todas as esferas e em todos os Poderes. Todo Governo é inimigo de seu povo, como disse Cícero. Mas no Brasil, são inimigos mortais e ferrenhos. O Sistema jamais vai ser desmontado. Somente uma revolta e revolução popular poderia tentar modificar. Acho virtualmente impossível. Nós preferimos nos apegar à “ídolos de barro”, da “esquerda” ou da “direita”, ao invés de meter a mão na massa. Dizemos: “Ah, a vida já é muito sofrida para tentar mudar isso, quero minha cervejinha, meu churrasquinho, etc…”. Enquanto isso, os donos do Poder fazem a festa, e nos tornamos cada vez mais o pais dos “espertos”, palavra que não passa de gíria para espertalhão, embusteiro, larápio, aproveitador e irresponsável. “Ah, mas dou duro, sou honesto e trabalhador. Mereço respeito.” Sim, floco de neve, alecrim dourado. Não precisa nem ler ou estudar, Cortella esta aí, de graça na internet: a palavra grega para os que não se interessavam política é o que hoje chamamos de idiota… Enquanto os emaranhados de Leis são criadas para distanciar o cidadão de seus Direitos, o desencorajando de tentar entender nosso sistema legal, eles se escondem atrás de palavrório “difícil”, e aritmética. E o povo, sem educação, afinal, para que investir e cobrar educação (e quando digo educação, não é investir tantos por cento do PIB, e sim criar um sistema que realmente ensine as crianças a pensar, diferentemente do que ocorre, notadamente pelo fato de nosso sistema ter decaído desde a década de 70, criando um ambiente mais que propício para manter o ‘status quo’). Oras, enquanto as “reformas” se concetram nas da previdência e trabalhista, as reais passam batida: administrativa e TRIBUTÁRIA!
    Boa sorte amigos. Mas acho que estamos condenados, e para sempre seremos tosquiados e conduzidos, ora por um, ora por outro lado dos nossos Donos.

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