Opinião de dono: 80.000 km, Fiat Punto ELX 1.4

punto 11

Relato de GiovaneO, leitor do site Notícias Automotivas


Adquiri um Fiat Punto 1.4 ELX 0km bem próximo do lançamento do veículo, no final de 2007. Agora, em 2011, resolvi me desfazer do carro, que foi vendido semana passada.

Vou fazer um relato dos três anos com o carro, colocando algumas fotos dele ao longo desse tempo, assim como todos os meus gastos, etc. Achei melhor separar este relato em categorias, assim simplifico a leitura. Vamos lá:

Mercado/Desvalorização

Comprei o veículo cerca de 1 mês após o lançamento, fui um dos primeiros na cidade a ter um. Porém, isso também significou que não consegui muitos descontos na negociação.

Também teve o “problema” de ter comprado no auge da bolha que foi criada antes da crise. Assim sendo, paguei R$ 45.900 em um Fiat Punto ELX 1.4 2007/2008 (leia também sobre o Palio ELX) com os seguintes opcionais:

  • Vidros Elétricos Traseiros (na época custavam aproximadamente R$ 1.200)
  • Som integrado ao painel (aproximadamente R$ 800)
  • Rodas de Liga Leve (aproximadamente R$ 900)
  • Chave Canivete (R$ 150)
  • Pintura Perolizada: Cor Preto Vesúvio (R$ 1.000)
  • Retrovisores Elétricos (não lembro o custo)

Na época, meu carro custava, no site da Fiat, R$ 46.800, que era o preço cobrado na concessionaria. Precisei “desistir” da compra para conseguir o preço pago.

Pois bem, hoje (três anos depois) a maior parte das lojas oferecia R$ 27.000 no meu carro. Algumas chegavam a oferecer R$ 29.000. No mercado particular, vejo a maior parte sendo vendida por R$ 32.000 ou R$ 33.000, alguns em loja por mais que isso, mas duvido que venda facilmente.

Digo isso porque meu carro ficou em consignação por 2 meses (09/2010 e 10/2010) por R$ 34.500 e não vendeu.

Ainda assim, a receptividade pelo veículo foi boa, assim como a liquidez quando o preço está mais baixo. Não me lembro de uma loja que tenha recusado pegar meu carro na troca e, quando eu resolvi vender, anunciei na região e consegui um valor razoável: R$ 32.000.

A garantia de apenas 1 ano é algo a ser revisto pela Fiat urgentemente, pois considero muito curta para o valor do carro. Porque o “Punto Sedan” (Linea) tem garantia maior até que os Punto T-Jet?

Seguro

Sou jovem (25 anos), porém tenho um perfil bom (garagem, condomínio, cidade de interior, etc) e bônus nível 4. Assim, meu seguro nos últimos anos ficava na faixa de R$ 1.500, valor que considero bom para o valor do veículo (próximo dos 5% do valor de tabela).

Manutenção

O Punto ELX 1.4 têm revisões de 15 em 15 mil km. Fiz as revisões até os 60 mil km na concessionária, e sempre efetuei troca de óleo/filtro a cada 7.500 km (ao valor aproximado de R$ 140 por troca). A seguir estão os valores das revisões:

15.000 Km – Algo em torno de R$ 200 a R$ 300: só fez o básico, óleo, filtro, filtro de ar, filtro de combustível, alinhamento, balanceamento.

30.000 Km – R$ 800: mais puxada, incluiu troca de velas, liquido do radiador, regulagem de folga das válvulas, filtro do ar-condicionado, fora o básico.

45.000 Km – R$ 450: o básico, mais pastilhas de freio e fluidos de freio.

60.000 Km – R$ 1200: lembrando que era realmente necessário mexer na suspensão, o carro parecia que ia desmontar a cada obstáculo que eu passava, dava trancos toda hora. Depois desta revisão, voltou a ficar 0 km.

Fora as revisões, foi necessário trocar o jogo de pneus com 65 mil km (troquei por 4 Goodyear Excellence por R$ 1.100, medidas 195/60 R15). Também foi necessário trocar o compressor do ar-condicionado aos 50 mil km, que estragou sem motivo algum, no meio de uma viagem no carnaval. Aliás, passei calor o carnaval inteiro por causa disso. Custo: R$ 1.900.

Outros gastos pequenos:

  • Várias trocas da capinha do retrovisor (mais de 5), sempre ao custo de R$ 15 cada uma.
  • Vários reparos das fechaduras que eram sempre arrombadas pelos ladrões (falarei disso adiante), normalmente pagando R$ 150 por fechadura, fora o custo dos bens roubados.
  • Troca da bateria aos 70 mil km rodados, R$ 150.
  • Troca do cabo do câmbio, que arrebentou aos 50 mil km rodados, R$ 350.

Problemas variados

O carro é facílimo de ser arrombado. Aconteceu 5 vezes comigo, em algumas delas em tempo recorde (no estacionamento do McDonalds, por exemplo). Tive 2 laptops roubados, 3 estepes, 1 aparelho de som, roupas, etc. Eu (assim como centenas de usuários do PuntoClube) contatei a Fiat sobre isso, mas eles não se responsabilizam.

Pior é que as vezes os ladrões danificam a lataria no arrombamento, que aparentemente é feito apenas com ferramentas comuns, como chaves de fenda.

Outros problemas foram a tampa do combustível que nunca fechou direito (os frentistas lutavam contra ela o tempo todo), a tampinha do retrovisor caiu várias vezes durante esses três anos e a tampa do porta-luvas sempre foi difícil de fechar. Eu acabei pegando o jeito, os passageiros geralmente desistiam.

Desempenho/Dirigibilidade

O carro é muito mais esportivo que o motor. É isto que eu posso dizer sobre ele após tanto tempo. O visual passa esportividade, o interior passa esportividade, o volante, a posição de dirigir, até o ronco do motor. Só falta andar!

Foram várias pessoas que andaram em meu carro e ficaram decepcionadas com o desempenho ao longo destes anos. E como o barulho do motor é alto, seria esportivo se o carro andasse bem, como não anda, acaba cansando e parecendo barulhento.

Medindo com cronômetro e pelo velocímetro do painel, eu geralmente fazia na faixa dos 13s o 0 a 100 km/h. Por falar em velocímetro, este parece ter um erro grande, na faixa dos 10%, medidos por GPS. O mesmo GPS dá erro de apenas 1-2% no Peugeot 206 do meu irmão.

Assim sendo, no dia-a-dia o desempenho é apenas suficiente. Com ar ligado e carro cheio, é preciso reduzir muito e esticar marchas, fazendo o giro subir, que causa outro problema: o motor é áspero e não gosta de girar, e o barulho e aspereza podem acabar irritando.

Porém, o câmbio parece estar bem escalonado, dificilmente dá trancos e tem relações que parecem adequadas ao motor. Além disso, não é tão curto na estrada, assim dá pra viajar a 120 km/h sem exceder os 4.000 rpm (porém, essa rotação parece ser muito para esse motor!). A critica aqui vai para os engates, um pouco imprecisos, acho que não se compara aos câmbios VW e Peugeot.

Nas curvas, o equilíbrio é excelente, um pouco macio mas raramente me assustou. Quando levado muito ao limite, sai de frente, mas é facilmente controlável. Sente-se que o centro de gravidade é baixo. Sem ressalvas aqui, muito bom mesmo!

O volante tem peso correto, leve mas não em excesso e é bem direto. Os freios não são muito progressivos, mas eram muito eficazes, nunca senti fading e nunca me assustaram.

Consumo

O consumo do Punto em cidade sempre foi na faixa de 7 km/l de álcool e 9,5 km/l de gasolina, com A/C ligado. Eu ando devagar, antecipo sinais de transito e procuro pegar avenidas e vias expressas.

Na estrada, a situação fica mais complicada: se andar a baixas velocidades ele consegue ser econômico. Cheguei à fazer 12,3 km/l de álcool e 15,5 km/l de gasolina na estrada andando a 80 km/h e com A/C desligado.

Porém, andando à 110-120 km/h com A/C ligado, o carro faz na faixa dos 8,5-9,0 km/l de álcool.

Acabamento/Interior

Aqui eu acho que o carro merece muitos elogios. Chegou aos 80 mil km com interior em ótimo estado, quase como 0km, não fazia barulhos, nada descascava/desbotava, etc.

Haviam alguns defeitos de montagem, como o aparelho de som que parecia mal encaixado, o porta-luvas difícil de fechar, mas no geral acho o acabamento bonito e agradável. Isso sem contar que o design interno do veiculo continuava a impressionar mesmo após anos do lançamento.

Fora isso, gosto da sensação de espaço do painel grande e recuado (o para-brisa terminava lá na frente, diferente de alguns carros que tem 1 palmo de painel e a base do para-brisa fica logo à frente do motorista).

Eu gostaria que houvessem superfícies macias ao toque, mas no segmento são poucos os que tem isso. Ao menos os plásticos rígidos eram de boa qualidade e aparência, e a maioria não riscava tão facilmente.

Nunca houve infiltrações ou coisas do tipo. Os plásticos também eram fáceis de limpar, apenas os bancos sujavam com certa facilidade. Um lado negativo do para-brisa tão grande e recuado era a dificuldade de limpar.

O que eu tenho muito a elogiar são os pequenos detalhes que só se vê no dia-a-dia. O computador de bordo é fácil, tem muitas funções, é eficiente e preciso.

O carro têm várias sacadas “inteligentes”, como o limpador traseiro que liga sozinho se ligar a ré e o dianteiro estiver ligado, os avisos de luzes queimadas (avisa até de luz de placa queimada), o som que aumenta o volume sozinho conforme a velocidade, bolsas de revista atrás do banco e nas laterais (bom para celular), vidros com um toque e sensor de esmagamento em todas as portas, etc.

A iluminação interna é bonita (porém, eu preferia que fosse algo mais chamativo), o painel de instrumentos tem aros cromados que refletem a iluminação e dá um efeito legal. Já a iluminação externa não é muito boa, o farol não tem foco duplo e o ajuste de altura é manual, lá no próprio farol.

O sistema de ar-condicionado por várias vezes me deixou com a impressão de ser insuficiente para o tamanho da cabine. Em dias muito ensolarados, nos quais o veiculo ficava no sol, demorava bastante tempo até sair algo mais que ar fresco do sistema.

Isso continuou após as revisões e até após a troca do compressor, que estragou. Após vender o Punto tenho utilizado o Peugeot 206 do meu irmão, e não tenho duvidas de que o A/C do Peugeot é bem melhor.

Exterior

O desenho do carro eu sempre achei lindo, ainda chama bastante atenção, ainda mais quando estava brilhando, pois a cor é perolizada. Já a qualidade de construção acredito que poderia ser melhor.

O espaço entre as peças não é tão pequeno, porém isso nunca me trouxe problemas. Nenhum farol/lanterna teve infiltração e não há nada que eu considere exageradamente frágil. As portas batem com um som abafado, passando a impressão de algo pesado e bem construído.

Espaço Interno

Acho apenas intermediário, esperava mais. Para o motorista é até muito bom, pois são vários ajustes disponíveis (altura do assento, profundidade e altura do volante) e não há aperto. Porém, para o passageiro dianteiro acredito que o desenho do painel acaba incomodando o joelho esquerdo.

E no banco de trás o espaço é apenas mediano, dificilmente eu ouvia elogios dos passageiros. Não há muito espaço para as pernas, o túnel central é alto e a largura é pequena. Ao menos o espaço para cabeça é bom e há três apoios de cabeça reguláveis (não atrapalham a visão se abaixados).

A maior crítica, porém, vai para o porta-malas. Pelo porte do carro, espera-se mais do que um porta-malas semelhante a de compactos como o próprio Palio.

Bom, por enquanto é isso pessoal. Com o tempo eu pretendo ir editando esse texto, conforme for lembrando de mais ocorrências, mas basicamente está tudo aí. O carro foi vendido em perfeito estado, acredito que motor/câmbio ainda aguentam centenas de milhares de km se bem cuidados.

Agora que venha o próximo carro!! Penso em algo na faixa dos R$ 40 mil e seminovo!

Autor: Eber do Carmo

Formado em marketing, tem mais de 17 anos de experiência escrevendo sobre o mercado automotivo no Notícias Automotivas, desde que fundou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Também teve por três anos uma empresa de criação de sites e catálogos eletrônicos.