
A conta das tarifas começou a voltar para casa, mas o destino do dinheiro promete alimentar uma disputa desconfortável em Washington.
As maiores montadoras dos Estados Unidos já se movimentam para recuperar valores pagos sob tarifas consideradas ilegais pela Suprema Corte americana.
Ao todo, cerca de US$ 166 bilhões (R$ 826,8 bilhões) em tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 serão devolvidos a importadores nos próximos meses.
A decisão veio após um julgamento da Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro, que derrubou partes do programa tarifário e abriu caminho para pedidos formais.
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As empresas começaram a apresentar suas solicitações na semana passada, pouco depois de Washington colocar em funcionamento o novo programa de reembolso.
A Ford informou em seu relatório financeiro mais recente que espera receber US$ 1,3 bilhão (R$ 6,5 bilhões) e já registrou esse valor em sua contabilidade.
A General Motors também declarou que pretende recuperar aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em impostos de importação pagos ao longo do último ano.
Assim como a Ford, a GM ainda não recebeu o dinheiro e afirma não saber quando os pagamentos serão efetivamente liberados.
A Stellantis, por sua vez, espera receber cerca de €400 milhões (R$ 2,3 bilhões), reforçando que a devolução não ficará restrita às fabricantes americanas.
Mercedes-Benz também prevê reembolsos relevantes, enquanto a Volkswagen admite que parte do dinheiro pode voltar, embora em escala menor diante do impacto total.
À Reuters, o diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, disse que qualquer reembolso será pequeno diante dos €4 bilhões (R$ 23,3 bilhões) anuais em custos provocados pelas tarifas.
No setor como um todo, as empresas já começaram a lançar esses valores projetados como receita, adicionando cerca de US$ 2,3 bilhões (R$ 11,5 bilhões) aos resultados trimestrais no papel.
O detalhe incômodo é que o dinheiro ainda não chegou ao caixa das montadoras, mesmo já aparecendo nos balanços corporativos.
Segundo Sherry House, diretora financeira da Ford, a fabricante tem dever fiduciário de buscar judicialmente o reembolso das tarifas ilegais para proteger seus acionistas.
Os pedidos podem ser processados pelo novo sistema Consolidated Administration and Processing of Entries, conhecido como CAPE, da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos.
Os reembolsos devem incluir juros, e a maior parte dos pagamentos é esperada entre 60 e 90 dias após a aceitação das solicitações.
Ainda assim, pedir o dinheiro de volta pode criar desgaste político, já que as empresas podem virar alvo de críticas mesmo seguindo os canais legais.
No mês passado, o presidente Trump afirmou que se “lembraria” das companhias que não buscassem reembolso, enquanto consumidores que pagaram preços mais altos não receberão compensação alguma.
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