Nova plataforma elétrica da Ford pode cortar custos e transformar a linha tradicional antes mesmo da picape chegar

ford maverick tremor avaliacao (2)
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A próxima grande aposta elétrica da Ford não deve ficar restrita ao universo dos EVs, e esse talvez seja o detalhe mais importante da estratégia.

Durante uma teleconferência de resultados, Jim Farley afirmou que a nova plataforma UEV representa uma mudança relevante em eficiência e custo, especialmente no mercado elétrico.

O CEO disse que a Ford fez um trabalho incrível no desenvolvimento da arquitetura, criada para sustentar uma futura picape elétrica média.

Essa picape, prometida para 2027, deve custar cerca de US$ 30.000 (R$ 149.400) e ocupar um espaço estratégico entre utilidade, preço e versatilidade.

Segundo Farley, os avanços do programa já estão sendo incorporados a produtos e processos convencionais da marca, não apenas aos futuros EVs.

Ele descreveu essas soluções como descobertas de um projeto interno do tipo “skunk works”, expressão usada para iniciativas rápidas, discretas e altamente experimentais.

A Ford pretende aplicar esse aprendizado às suas linhas de maior volume, incluindo modelos a combustão e híbridos vendidos em escala global.

A promessa é reduzir custos e melhorar qualidade, usando métodos desenvolvidos para EVs em produtos que ainda sustentam grande parte do lucro da empresa.

Farley também afirmou que, até o fim da década, 90% dos nomes globais da Ford terão algum tipo de trem de força eletrificado.

Esse grupo incluirá versões híbridas, elétricas e opções com extensor de autonomia, indicando uma transição mais ampla do que uma simples troca para EVs puros.

Ao falar sobre montadoras chinesas, Farley adotou um discurso duplo, defendendo a indústria americana enquanto reconhece a importância de parcerias internacionais.

Ele afirmou que a Ford, como maior produtora de veículos dos Estados Unidos, está comprometida com a vitalidade industrial do país.

Ao mesmo tempo, o executivo disse que a empresa usa alianças globais, inclusive com fabricantes chinesas, para expandir seus negócios.

Mesmo assim, Farley defendeu manter montadoras chinesas fora do mercado americano, tratando o tema não apenas como economia, mas também como segurança nacional.

O CEO também comentou a guerra no Irã, dizendo que a Ford monitora a situação e está acostumada a reagir rapidamente a crises.

Ele citou a pandemia, a escassez de chips e as tarifas como exemplos de períodos em que a montadora precisou ajustar sua operação.

Ainda assim, a Ford espera impactos em commodities, especialmente no alumínio, por causa de restrições globais de oferta.

Esse cenário pode acrescentar US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) aos custos inicialmente previstos pela empresa.

Apesar das pressões, Farley mantém otimismo com picapes, inclusive diante de novos concorrentes que devem chegar ao segmento, como a Kia.

Para ele, o mercado continua crescendo porque compradores de carros e crossovers estão migrando para picapes, ampliando o público potencial da Ford.

A futura picape elétrica de entrada é vista internamente como um produto capaz de atrair tanto clientes tradicionais de caminhonetes quanto usuários de crossovers.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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