Depois de acabar com os sedãs para empurrar SUVs, montadoras agora admitem o erro e correm para resgatar carros que elas mesmas abandonaram

honda civic si coupe 2018 (1)
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Depois de anos em que os sedãs pareciam condenados a perder espaço, o começo de 2026 trouxe um sinal que a indústria não conseguiu ignorar.

No primeiro trimestre, o Toyota Camry vendeu 78.255 unidades nos EUA, alta de 11,3% em relação ao ano anterior, e superou todos os outros modelos da marca.

Entre eles ficou justamente o Toyota RAV4, que registrou 59.869 unidades e recuou 48,1%, embora esteja no meio da transição para uma nova geração.

Ainda assim, a diferença foi grande o suficiente para recolocar os carros tradicionais no centro da discussão dentro de várias montadoras.

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Esse movimento ganha força num momento em que executivos de grupos como Ford, Nissan e Stellantis voltam a falar seriamente sobre a categoria.

Durante anos, crossovers e SUVs dominaram o mercado por motivos práticos, mas principalmente porque entregavam margens de lucro mais altas às fabricantes.

As marcas venderam esses formatos de forma intensa, convenceram consumidores de que eram superiores aos carros e ajudaram a transformar o mercado.

Só que essa estratégia também criou um problema importante, porque muitos SUVs e crossovers ficaram caros demais e passaram a afastar compradores.

Segundo um novo relatório da Auto News, esse é um dos motivos que estão levando executivos de várias empresas a reconsiderar os sedãs.

Tiago Castro, chefe de marketing e vendas da Nissan nos Estados Unidos, afirmou que os sedãs são “sem desculpas e inesperados”.

Para ele, essa pode ser uma oportunidade de reconectar a marca com suas próprias raízes, mostrando que o apelo histórico também pesa nessa retomada.

Na Stellantis, o chefe de design Ralph Gilles disse ao Car Design News que muita gente está pedindo sedãs novamente.

Gilles afirmou ainda que jovens designers querem hatchbacks como o GTI dos anos 1980, com foco em diversão ao volante e facilidade para estacionar.

Talvez o sinal mais forte tenha vindo da Ford, porque o CEO Jim Farley reconheceu no Salão de Detroit, em janeiro, que o mercado de sedãs segue muito vivo.

Farley afirmou que o problema nunca foi a falta de demanda, mas sim a dificuldade da empresa em competir e obter lucro nesse segmento.

Agora, porém, a própria Ford admite que talvez encontre um caminho para tornar esse negócio viável.

A discussão também ganhou novo fôlego por causa das regras de consumo, que durante muito tempo favoreceram SUVs e crossovers classificados como light trucks.

As montadoras reclamavam das metas mais rígidas de 50,4 mpg, e o governo federal deve relaxar esse alvo para 34,5 mpg.

Mesmo assim, a mudança pode ter um efeito colateral relevante, porque crossovers e muitos SUVs pequenos poderão ser reclassificados como carros de passeio.

Se isso acontecer, o incentivo regulatório para produzir tantos utilitários diminuirá, e os sedãs podem voltar não apenas por nostalgia, mas por necessidade de mercado.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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