
Num momento em que a corrida pelos EVs perdeu parte do fôlego global, a GWM decidiu transformar a estreia de sua nova arquitetura em um recado direto à concorrência.
Durante o anúncio de pré-venda do novo SUV Wey V9X, o presidente da empresa, Wei Jianjun, afirmou que rivais precisarão aprender com a plataforma GWM One.
Segundo ele, as concorrentes estavam mais atentas ao lançamento do V9X do que os próprios consumidores, porque entenderam que essa base exigirá reação imediata.
Wei Jianjun foi além e declarou que, sem os princípios e o modo de operação da GWM One, outras marcas podem perder competitividade.
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Na visão do executivo, isso também comprometeria os planos de expansão internacional, justamente em um período em que as montadoras chinesas tentam consolidar espaço fora do mercado doméstico.
A GWM One, chamada na China de plataforma Gui Yuan, representa a estratégia mais recente da fabricante para desenvolver sua próxima geração de modelos.
A proposta da base é ampla e aceita sistemas PHEV, HEV, EVs a bateria, motores a combustão e até veículos com célula de combustível.
Além da flexibilidade mecânica, a empresa afirma que a arquitetura pode ser aplicada em SUVs, sedãs, MPVs e picapes, com mais de 50 futuros modelos previstos.
O Wey V9X é o primeiro veículo construído sobre essa nova plataforma, o que ajuda a explicar o peso simbólico depositado no lançamento.
A fala de Wei Jianjun parece atingir principalmente empresas que ainda apostam com força em EVs puros ou em veículos elétricos de autonomia estendida, os EREVs.
A GWM já declarou anteriormente que os EREVs são pelo menos 13% menos eficientes do que aplicações com tração direta, tratando essa solução como atalho técnico.
Entre as marcas chinesas com portfólio fortemente apoiado nesse tipo de tecnologia estão Li Auto, Aito, da Huawei, e Deepal, da Changan.
A fabricante não é discreta quando o assunto é esse debate, e Mu Feng, vice-presidente sênior da GWM, já afirmou que a empresa “preferiria fechar as portas” a produzir EREVs.
O contexto de 2026 ajuda a entender a ousadia do discurso, porque houve um esfriamento mundial da onda de EVs puros, enquanto PHEVs, HEVs e EREVs ganharam espaço.
Marcas que antes defendiam uma linha mais focada em elétricos, como Smart e Leapmotor, passaram a oferecer alternativas com motores a combustão.
A GWM tenta se antecipar a esse movimento com uma plataforma única capaz de sustentar várias propostas técnicas desde o início, sem depender de uma mudança posterior.
Mesmo assim, a confiança exibida no palco contrasta com os números domésticos, já que Wey, ORA e Tank somaram 20.200 entregas na China em março de 2026.
Esse volume combinado ficou abaixo das vendas individuais de modelos populares como o Tesla Model Y e o Geely Geome Xingyuan, o Geely EX2, enquanto a BYD entregou 165.942 unidades no mesmo mês.
Resta saber se a aposta agressiva na plataforma GWM One e no Wey V9X vai realmente se converter em vantagem global ou virar apenas mais uma provocação barulhenta do setor.
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