Governo acaba com os planos da Stellantis de fabricar modelos chineses em fábrica que era do Dodge Challenger

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A antiga fortaleza dos muscle cars da Dodge entrou em uma nova fase de incerteza, e agora o futuro da fábrica de Brampton virou tema sensível no Canadá.

A planta da Stellantis em Ontário produzia Dodge Challenger e a geração anterior do Dodge Charger em volumes de seis dígitos há poucos anos.

Desde o fim de 2023, porém, a unidade está parada, depois da saída de linha desses dois modelos.

A montadora vinha preparando a reconfiguração do local para iniciar neste ano a produção de um novo Jeep.

Só que a mudança no ambiente regulatório bagunçou esse plano e obrigou a Stellantis a procurar outra saída para manter a fábrica ativa.

Segundo a Bloomberg, uma das possibilidades consideradas envolve a parceira chinesa Leapmotor e a montagem de EVs acessíveis em formato CKD.

Nesse sistema, os principais componentes chegam desmontados da China para a montagem final no Canadá, modelo que a Stellantis já usa na Polônia.

Por lá, a empresa produz o SUV elétrico Leapmotor C10 com essa lógica, aproveitando a estrutura local para finalizar o veículo.

Aplicar a mesma estratégia em Brampton, no entanto, significaria manter a planta funcionando com muito menos trabalhadores e menor participação da cadeia local.

A proposta já provocou reação negativa tanto dos sindicatos quanto do governo canadense, que enxergam risco para empregos e fornecedores domésticos.

Pelo plano original, a unidade canadense começaria a fabricar a nova geração do Jeep Compass por volta de fevereiro deste ano.

Essa programação incluía até uma variante elétrica, mas a pressão tarifária herdada da era Trump, o fim dos incentivos federais aos EVs no ano passado e a desaceleração da demanda mudaram o cenário.

Em outubro, a Stellantis anunciou que o novo Compass seria produzido nos Estados Unidos, e não mais no Canadá.

Em entrevista à Automotive News publicada nesta semana, Vito Beato, presidente da Unifor Local 1285, disse que uma operação CKD exigiria apenas de 200 a 300 trabalhadores.

Segundo ele, isso representa só 10% da força de trabalho antes necessária para construir os muscle cars da Dodge na mesma unidade.

Mesmo se o sindicato rejeita esse formato, Beato afirmou que não é contra marcas chinesas, desde que tragam investimento completo e empregos em escala real.

A resistência também cresceu em Ottawa, onde a ministra da Indústria, Mélanie Joly, sinalizou que qualquer apoio federal dependerá da preservação de uma cadeia produtiva doméstica.

O governo canadense já havia advertido a Stellantis sobre compromissos anteriores ligados ao Jeep Compass, aos investimentos no país e aos incentivos recebidos.

Houve inclusive ameaça de ação judicial, e a insatisfação não se limita à Stellantis, já que a GM também enfrentou críticas por cancelamentos parecidos de produção.

Trevor Longley, chefe da Stellantis no Canadá, afirmou à Automotive News que a empresa ainda trabalha com uma ampla gama de opções para Brampton.

Entre os rumores, aparece a possibilidade de fabricar ali um futuro modelo da Chrysler, embora nada tenha sido confirmado oficialmente.

Enquanto isso, a Stellantis aprofunda seus laços com a Leapmotor, da qual possui cerca de 20% de participação e, mais importante, 51% da Leapmotor International, joint venture encarregada de vender a marca fora da China.

Essa relação já foi além da distribuição, com a inclusão do T03 na Europa ao lado do C10 e com discussões sobre futuros EVs desenvolvidos em conjunto, incluindo um possível SUV compacto da Opel.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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