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Pickup Corsa: a história da picape redondinha dos anos 90

Pickup Corsa: a história da picape redondinha dos anos 90

Alguns carros marcaram época e deixaram saudades, seja por seu design ou por alguma inovação que trouxeram em seu lançamento. E não tem como elaborar uma lista assim aqui no Brasil e deixar o Chevrolet Corsa de fora.


Com várias versões e vida longa no mercado brasileiro, o modelo deixou saudades em vários entusiastas. Com uma enorme família, várias carrocerias e muitas edições especiais (incluindo um dos poucos esportivos de fato que a marca lançou por aqui), o Corsa foi um elemento importante na linha da montadora.

Mas essa história não começou em nosso país, onde tivemos a partir da segunda geração do modelo. Para entender um pouco mais de sua trajetória, vamos falar sobre como ele surgiu em outro mercado, o europeu.

A necessidade fez surgir um compacto de sucesso

Pickup Corsa: a história da picape redondinha dos anos 90


Tudo começou com a crescente necessidade das montadoras por carros compactos, especialmente na Europa. Com o trânsito começando a ficar caótico, as vagas de estacionamento cada vez mais raras e o preço do combustível que não parava de subir, as marcas começaram a enxergar a possibilidade de lançar modelos que se adequassem a esse cenário.

Com a Opel, subsidiária da General Motors no Velho Continente na época, não foi diferente. O Kadett era o menor modelo em sua linha no final da década de 1970, mas algo ainda mais compacto era necessário. Assim surgiu o Corsa (que em italiano quer dizer corrida), produzido em Zaragoza, na Espanha, e que teve sua primeira geração lançada na Europa em 1983, mesmo ano do surgimento do grande rival Fiat Uno.

Era um modelo compacto, com boa parte do desenho do próprio Kadett (geração D), com versões de três ou cinco portas e motores bem econômicos, com opções 1.0, 1.2, 1.3 e 1.4, além do 1.5 diesel. Mais tarde apareceu a versão esportiva GTE, que vinha com propulsor 1.6 de 100 cv. Além da Opel, a Vauxhall também comercializava o Corsa na Inglaterra, mas com o nome Nova.

A história do Corsa no Brasil

Pickup Corsa: a história da picape redondinha dos anos 90

A chegada do modelo por aqui só ocorreu na década seguinte, já em sua nova geração. Depois de manter o mesmo desenho na Europa por 10 anos, estava claro que a marca precisava inovar bastante, e foi isso que aconteceu. Desenhado pelo japonês Hideo Kodama, o novo Corsa (agora com esse nome na maioria dos mercados) foi apresentado no início de 1993, e nada nele lembrava a geração anterior.

Diferente do modelo inicial mais quadrado, a segunda geração do Corsa tinha linhas curvas por toda a carroceria, o que foi surpreende e bem aceito pelo público (o modelo chegou a ser o mais vendido do mundo em 1999).

Agora o Corsa era fabricado em várias plantas: além da fábrica espanhola de Zaragoza, ele também saía das linhas de produção europeias em Azambuja (Portugal) e Eisenach (Alemanha). Mas não parava por aí, pois o Corsa começou a aparecer também na África, na Oceania, na América do Norte e do Sul, incluindo o Brasil.

Seu lançamento em terras brasileiras ocorreu por motivos um pouco diferentes dos europeus. É verdade que os modelos compactos estavam se popularizando, mas o que fez a montadora norte-americana correr atrás de algo novo por aqui foi a briga com a rival Fiat.

Enquanto a marca italiana empolgava o público com o lançamento do Uno Mille e seu motor 1.0, a Chevrolet perdia espaço com o Chevette Júnior, que foi um fiasco nas vendas. Ter algo novo para não perder mercado não era mais uma possibilidade, mas sim uma necessidade.

Assim apareceu o Corsa, lançado em fevereiro de 1994, que chegou para mostrar como as coisas podem mudar rápido no mundo automotivo. Se antes a Chevrolet perdia feio a briga com os concorrentes no segmento, agora eram eles que pareciam ultrapassados frente ao Corsa.

As inovações começavam no desenho, bem mais moderno que os rivais, passavam pelo interior agradável (que até hoje parece ter qualidade superior aos atuais populares) e terminavam no motor, que apresentava a injeção de combustível para o mundo dos 1.0 (apesar de ter desempenho criticado na época).

O sucesso, apesar de alguns pontos negativos, foi muito grande. Algo que deixa isso claro era o quanto os brasileiros estavam dispostos a pagar na época. Com preço inicial fixado em US$ 7.350, o mesmo dos rivais por causa do acordo do carro popular, o Corsa chegou a ser vendido com até 50% de ágio, o que elevava seu preço para mais de US$ 11.000!

Tudo isso só podia render muitas outras versões, além da inicial. Com os anos foram aparecendo outras opções da carroceria com três portas (com melhor acabamento, esportiva, etc) e também outras versões, com carrocerias diferentes (como a GL de cinco portas e o sedã). E, é claro, a versão picape.

Pickup Corsa: uma ideia fora do sério

Pickup Corsa: a história da picape redondinha dos anos 90

Era assim que a Chevrolet anunciava seu mais recente lançamento, a Pickup Corsa, em 1995. A propaganda dizia que “melhor do que ter muitas ideias na cabeça, é colocar tudo em prática rapidinho”, destacando o motor 1.6 com injeção eletrônica (com 79 cv e 12,9 kgfm de torque, o que o levava a 100 km/h em 13,6 segundos) e a capacidade de carga do modelo, que era de 575 kg inicialmente.

Além disso, a novidade trazia rodas de 14 polegadas e vários opcionais, como ar-condicionado, direção hidráulica, rodas de alumínio e travas e vidros elétricos.

Apesar de falar de sua capacidade de carga, o que se viu na época foram propagandas voltadas para um público que não desejava usar a picape apenas para o trabalho, mas também para o lazer, graças ao visual que empolgou tanto quanto a chegada do próprio Corsa.

Visualmente, a frente não mudava em relação ao Corsa em sua versão inaugural no Brasil, enquanto a traseira tinha lanternas parecidas com a versão Wagon.

O tamanho era de 4,10 metros de comprimento (com distância entre-eixos de 2,47 m), 1,29 m de largura e 1,49 m de altura. Já a parte mecânica tinha, além do motor citado acima, algumas alterações na suspensão (recalibração na dianteira e com molas semi-elípticas na traseira).

Pickup Corsa: a história da picape redondinha dos anos 90

Com o tempo a picape foi sofrendo algumas alterações. Uma das mais rápidas foi exatamente no conjunto mecânico, com a substituição por um motor 1.6 mais potente, de 92 cv. Depois, em 1998, a capacidade de carga foi aumentada em 25 kg, chegando aos 600 kg de carga útil. Além disso, outras versões especiais começaram a ser oferecidas no mercado brasileiro.

A primeira foi a Champ, em alusão à Copa do Mundo de 1998, que era vendida na cor verde escuro (inclusive nos para-choques), rodas de liga leve de 14 polegadas, pneus 185/60 e detalhes decorativos.

Depois de ser reestilizada, a Pickup Corsa recebeu a versão ST, que também ganhou uma série especial: a Rodeio, que fazia alusão à festa em Barretos (SP). Além de detalhes decorativos, essa opção trazia rodas de alumínio de 14 polegadas e bolsa e boné como brindes.

Haviam também a versão Furgão, que chegou em meados de 2000 e era destinada apenas a frotistas (mas com baú montado por uma outra empresa), e a opção Sport. Veja abaixo por quanto tempo cada uma foi vendida por aqui:

Pickup Corsa (1995-2003)

  • Versão GL (1996-2000)
  • Série especial Champ 98 (1998)
  • Versão ST (2001-2003)
  • Série especial Rodeio (2001)
  • Série especial Sport (2003)

O modelo acabou saindo de linha após a chegada da Montana, em 2003. Se a versão inicial da picape Corsa não batia de frente com a concorrência, mas empolgava os jovens e quem procurava algo para o lazer, a Montana veio para incomodar Strada e Saveiro, como chegou a fazer em alguns anos. Mas depois acabou perdendo o fôlego, sendo substituída pela geração de visual controverso que temos hoje.

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