Corsa Wind: o popular redondinho que fez barulho nos anos 90

Corsa Wind: o popular redondinho que fez barulho nos anos 90
Corsa Wind

O Corsa Wind foi a versão de entrada de um dos carros mais populares já comercializados pela empresa norte-americana no mercado brasileiro.

Você provavelmente já deve ter andado em um exemplar do modelo, seja o Corsa de primeira geração ou o de segunda geração, este inclusive que foi a última leva do hatch compacto em nosso País. Além disso, sua popularidade foi contribuída pela ampla gama recheada de variações, como o hatch, o sedã, a Corsa picape e também a perua.


E entre esses modelos está o famoso Corsa Wind.

O Corsa Wind marcou a primeira configuração do Chevrolet oferecida por aqui, que estreou para ocupar o lugar do extinto Chevette em março de 1994 – mesmo ano da morte de Ayrton Senna, da vitória de Fernando Henrique Cardoso nas eleições para presidente da República e ainda o tetracampeonato da seleção brasileira de futebol.

O Chevrolet Corsa Wind foi comercializado como a versão de entrada da gama, com direito a um pacato motor 1.0 litro a gasolina, associado a um câmbio manual, e ainda uma carroceria hatch de duas portas (ou três, considerando a tampa do porta-malas). Logo depois, porém, surgiu o Corsa Wind de quatro portas.

O Corsa de primeira geração oferecido por aqui é na verdade o Corsa de segunda geração ofertado no restante do mundo, lançado originalmente como um modelo da alemã Opel. Tanto é que ele é conhecido como “Corsa B”.

A segunda versão do modelo popular foi apresentada em fevereiro de 1993 e surpreendeu os consumidores pelo visual bastante moderno da época, fruto de um projeto liderado pelo japonês Hideo Kodama, que inclusive participou da terceira geração do carro lançada em 2000.

Corsa Wind: o popular redondinho que fez barulho nos anos 90

Ao contrário de boa parte dos outros carros comercializados naquela década, o Corsa deixava de lado as formas retilíneas com quinas pontiagudas para dar prioridade a um formato repleto de curvas em praticamente todos os componentes, o que inclui os faróis, as extremidades dos retrovisores, as janelas e as lanternas traseiras.

Fora isso, o modelo de quatro portas tinha uma carroceria com formato diferente, marcada pela traseira mais vertical para beneficiar o espaço para as bagagens no porta-malas, lanternas mais estreitas e espichadas e uma terceira janela nas laterais.

O interior também agradava, com direito a plástico predominante no painel, mas boa parte dos painéis das portas com revestimento em tecido (o mesmo encontrado nos assentos). Além disso, ele oferecia algumas soluções interessantes, como compartimentos para objetos nas laterais das portas, tampa do porta-luvas com nicho para acomodar copos (como se fosse uma bandeja) e ainda banco traseiro rebatível e bipartido.

Nas medidas, o Corsa Wind de duas portas tinha 3,72 metros de comprimento, 1,6 m de largura e 1,38 m de altura, com distância entre-eixos de 2,44 m. O porta-malas tinha capacidade para comportar até 240 litros de bagagens.

O Corsa Wind de quatro portas tinha exatamente as mesmas dimensões, mas o porta-malas era mais amplo, com capacidade para até 280 litros.

Corsa Wind: o popular redondinho que fez barulho nos anos 90

O motor usado nos primeiros Chevrolet Corsa Wind era um 1.0 litro de quatro cilindros a gasolina, dotado de sistema de injeção eletrônica monoponto, algo inédito entre os populares da mesma época (que usavam carburador).

Ele entregava até 50 cavalos de potência, a 5.800 rpm, e 7,8 kgfm de torque, a 3.200 rpm, e estava associado a uma transmissão manual de cinco velocidades. Este aparato era suficiente para levar os 845 kg do carrinho aos 100 km/h em longos 19,3 segundos e fazer atingir uma velocidade máxima de 143 km/h.

Já o consumo era de 13,1 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada.

Todavia, anos depois este propulsor foi substituído por uma unidade mais moderna. O carro passou a usar um 1.0 litro de quatro cilindros a gasolina, agora dotado de injeção eletrônica multiponto de combustível (MPFI, multipoint fuel injection).

Com isso, a potência máxima teve um aumento de 10 cv, passando para 60 cv, a 6.000 rpm, enquanto o torque máximo teve um ligeiro ganho de 0,5 kgfm, agora de 8,3, a 3.000 rpm, igualmente com o câmbio manual de cinco marchas.

O Corsa Wind era um modelo extremamente simples, sem direito a pintura nos para-choques, molduras nas caixas de roda, maçanetas e capa dos retrovisores, calotas nas rodas ou ainda frisos laterais.

Porém, ainda assim ele era mais refinado, moderno e confortável que os concorrentes (leia-se Fiat Uno Mille, Ford Escort Hobby e Volkswagen Gol 1000), com direito a um acabamento mais esmerado no interior, bancos mais confortáveis com bons encostos de cabeça na dianteira, painel de instrumentos mais moderno, entre outros.

Corsa Wind: o popular redondinho que fez barulho nos anos 90

Entre os recursos, o Corsa Wind oferecia somente o básico. Havia itens de série como cintos de segurança dianteiros e traseiros laterais de três pontos com ajuste de altura, banco traseiro inteiriço rebatível, porta-objetos, retrovisor do lado direito, entre outros.

Como opcional, ele oferecia apoios de cabeça dianteiros e traseiros com regulagem de altura, barra de proteção nas portas, terceira luz de freio, limpador e desembaçador do vidro traseiro, iluminação no porta-luvas e no porta-malas, espelho cortesia no para-sol do lado do passageiro, cinzeiro e acendedor de cigarros.

Alguns desses equipamentos, porém, passaram a ser de série a partir de meados de 2000.

Ele agradou tanto o público que, nos primeiros meses de venda, a Chevrolet enfrentou problemas para entregar as unidades encomendadas e já comercializadas do Corsa.

Houve uma fila enorme de interessados pelo Corsa e, com isso, um ágio de quase 30% praticado pelas concessionárias em cima do valor tabelado pela Chevrolet. Tudo isso fez a empresa a aumentar o volume de produção do popular para diminuir a fila de espera e, consequentemente, evitar o ágio.

Corsa Wind: o popular redondinho que fez barulho nos anos 90

O Chevrolet Corsa Wind chegou ao mercado nacional com preço de US$ 7.350, valor tabelado para todos os carros populares da época conforme um acordo entre o governo e os fabricantes.

Devido ao ágio, o então vice-presidente da General Motors, André Beer, foi à televisão para pedir que os consumidores não pagassem ágio e esperassem pelo aumento da produção para adquirir um exemplar do veículo.

E eis que o Corsa Wind chegou ao fim. O modelo deixou de ser comercializado em 2001 para dar lugar ao Celta, um outro carro popular, que neste caso foi projetado para ser barato e, ironicamente, usava a mesma plataforma de seu antecessor.

Leonardo Andrade

Leonardo atua no segmento automotivo há quase nove anos. Tem experiência/formação em administração de empresas, marketing digital e inbound marketing. Já foi colaborador em mais de sete portais do Brasil. Fissurado por carros, em especial pelo mercado e por essa transformação que o mundo automotivo está vivendo.