
Basta olhar os sites de compra e venda para notar um movimento estranho: o “bom e velho sedã” voltou a aparecer com força nas buscas dos consumidores.
Especialistas de plataformas de compra de carros atribuem a guinada principalmente ao preço, já que a diferença frente aos SUVs ficou grande demais para muita gente.
Nos Estados Unidos, isso é ainda mais evidente.
Dados de abril da Cox Automotive mostram que o preço médio de transação de um compacto novo foi de US$ 27.590, contra US$ 37.514 de um SUV compacto.
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No segmento médio, o sedã novo teve média de US$ 34.069, enquanto um SUV médio chegou a US$ 50.380, escancarando o tamanho do salto para quem quer “mais carro”.
A eficiência também pesa, numa fase em que a gasolina só sobe, e o sedã a combustão costuma levar vantagem.
A diferença mencionada pode chegar a cerca de 4,3 km/l na média combinada quando comparada a um SUV grande a gasolina, ainda que a distância diminua contra SUVs menores e híbridos.
Somado a isso, cresce o burburinho de montadoras flertando com novos sedãs, incluindo versões elétricas, o que levanta a pergunta sobre um possível “retorno” do estilo.
Karl Brauer, analista executivo da iSeeCars, diz que existe uma “fadiga de SUV” de consumidores, designers e até locadoras, e que há gente querendo não parecer igual a todos.
Brauer brinca que o sedã oferece essa diferença, num giro curioso em que o que era visto como “chato” passa a soar “legal” no trânsito de hoje.
Uma pista forte vem do estudo Escalent’s EVForward 2025 Teenagers DeepDive, divulgado em fevereiro de 2026 com mais de 1.000 adolescentes de 14 a 19 anos.
Ao serem perguntados sobre o que imaginam dirigir no futuro, 51% disseram sedã, 31% escolheram SUV e 14% apontaram uma picape.
Aaron Bragman, chefe do escritório de Detroit do Cars.com, diz que tantas marcas saíram do segmento que ele virou quase um “white space”, pronto para quem voltar e causar impacto.
Sean Tucker, editor-chefe do Kelly Blue Book, lembra que em 2016 havia cerca de 130 modelos de sedã à venda, e que neste ano restam por volta de 50.
Tucker também aponta a mudança do mix de preços, dizendo que em 2017 existiam 36 modelos a US$ 25.000 ou menos e hoje sobraram apenas quatro, enquanto os de US$ 60.000 ou mais subiram de 61 para 114.
Na visão dele, plataformas de EVs tornam mais barato “escalar” tamanhos e carrocerias, citando a diferença entre o Cadillac Celestiq de cerca de US$ 340.000 e o Chevrolet Equinox EV 2026 a partir de US$ 34.995.
Ele ainda menciona o efeito das regras de eficiência, afirmando que a atual administração Trump não está fazendo cumprir os padrões CAFE, mas que mudanças futuras poderiam forçar montadoras a buscar eficiência rapidamente com mais sedãs.
Jim Farley, CEO da Ford, vem citando sedãs apesar de a marca ter parado de produzi-los em 2020, e em agosto falou em considerar um sedã elétrico traseiro, esportivo e acessível com um “fechamento” diferente na traseira.
Farley voltou ao tema no podcast “Rapid Response” em 17 de abril, enquanto o porta-voz Dan Barbossa evitou comentar planos futuros.
No outro lado de Detroit, há relatos de que a GM planeja um sedã Buick inédito desde o fim do Regal em 2020, possivelmente na mesma base do próximo Cadillac CT5 e do Chevrolet Camaro, em Lansing Grand River.
Ralph Gilles, Chief Design Officer da Stellantis, disse ao “Car Design News” estar “fatigado” de SUVs e afirmou que jovens designers pedem hatchbacks à la GTI dos anos 1980 e sedãs fáceis de guiar e estacionar.
Ivan Drury, diretor de Insights da Edmunds, lembra que sedãs ainda fizeram 14% das compras mainstream no primeiro trimestre, e ressalta que excluir o sedã do futuro pode ser um erro estratégico.
Com Cox Automotive apontando que carros eram 39,3% das vendas em 2015 e caíram a 17% no ano passado, enquanto SUVs foram de 40% em 2015 para 60% em 2025, a indústria pode ter descoberto que o “moderno” também cansa.
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