
A máscara do “somos parceiros” começou a cair quando a Uber passou a criticar publicamente a Waymo, mesmo ainda operando com carros dela em cidades-chave.
Segundo um novo relatório do Business Insider, executivos da Uber vêm pintando operadores 100% autônomos, como a Waymo da Alphabet, como “menos escaláveis” e “menos confiáveis”.
A empresa defende um modelo híbrido, que mistura motoristas humanos e robotáxis dentro de uma única plataforma de viagens, como forma de garantir oferta e previsibilidade.
O ataque ficou explícito em abril, quando o CTO Praveen Neppalli publicou no X um vídeo de um encontro inesperado com um Waymo em San Francisco.
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No registro, o veículo parece ultrapassar um ônibus da Muni pela faixa errada e se espremer entre o ônibus e o carro do executivo, com a legenda “edge cases” importam.
Já em fevereiro, o CEO Dara Khosrowshahi reconheceu o “enorme potencial” dos veículos autônomos, mas disse que eles ainda estão longe da confiabilidade esperada pelos clientes.
A Uber ainda divulgou na semana passada, via Axios, um white paper afirmando que robotáxis têm se concentrado em bairros ricos e cobrou “distribuição equitativa” de mercados.
O detalhe incômodo é que a Waymo tem permissão regulatória para operar em Oakland, e a própria expansão no Bay Area é tratada como prioridade pela empresa.
Enquanto critica a parceira, a Uber colocou mais de US$ 10 bilhões (R$ 50,4 bilhões) em compromissos ligados a autonomia para construir sua própria infraestrutura.
Desse total, seriam cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,6 bilhões) em investimentos diretos e US$ 7,5 bilhões (R$ 37,8 bilhões) em compromissos de compra de veículos.
A Uber passou a deter 11,5% da Lucid após investir US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) e assumiu compromisso de comprar ao menos 35.000 SUVs Lucid Gravity.
Esse volume representa alta de 75% sobre o acordo original de 20.000 unidades, e os veículos devem receber o sistema autônomo de Nível 4 da Nuro.
Com a Rivian, a Uber investiu até US$ 1,25 bilhão (R$ 6,3 bilhões) para colocar até 50.000 robotáxis autônomos R2, começando com 10.000 em 2028.
Os primeiros seriam direcionados a San Francisco e Miami, enquanto a Nuro conseguiu uma licença na Califórnia para testar Gravity sem motorista de segurança.
A Uber também reservou US$ 100 milhões (R$ 504 milhões) para hubs de recarga rápida e fechou parcerias com Baidu Apollo Go em Dubai, Wayve em London e Avride em Dallas.
O plano é lançar robotáxis Lucid-Nuro em San Francisco até o fim de 2026, exatamente no mercado “de casa” da Waymo, que já faz cerca de 400.000 corridas pagas por semana em 10 cidades e mira 1 milhão semanais até o fim de 2026.
A dúvida é o que acontece com Austin e Atlanta, onde a Waymo opera exclusivamente via app da Uber, ainda mais depois de Travis Kalanick dizer que a Waymo está “obviamente” à frente.
No fundo, a Uber parece ter trocado a ideia de ser só a camada de plataforma por uma estratégia de propriedade de ativos, tentando evitar que a Waymo prove que não precisa dela.
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