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Venezuela: como funciona o mercado de automóveis

Venezuela: como funciona o mercado de automóveis

Você deve ter ficado espantado com os preços sugeridos para o recém-lançado Dodge Forza no mercado venezuelano. Mesmo sendo feito no país, o Fiat Siena rebatizado com a marca americana custa o equivalente a R$ 95.000! E não é somente ele. Uma rápida pesquisa mostrará que um simples Chevrolet Spark (do antigo) custa R$ 47.000 ou que um Ford Fiesta Hatch (o nosso Rocam) sai a partir de R$ 57.000!


Tem algo estranho? Realmente. A Venezuela hoje pode se considerar o país com os carros mais caros do mundo, e não outro latino-americano deitado em berço esplendido, como muitos pensavam. Lá, uma Toyota Fortuner 0 km (SW4) custa em torno de R$ 220.000 na loja. Ok, não está tão distante assim do modelo vendido aqui. No entanto, se o espanto é com os preços de tabela, pior é saber que fora da loja o negócio (para quem vende, é claro) é muito melhor.

Com as restrições às operações com dólar, a Venezuela passou a importar e produzir menos veículos. O governo tem uma taxa cambial de 6,30 bolívares para 1 dólar. Isso faz com que os preços dos veículos novos subam às alturas. Além disso, as próprias montadoras reduzem a produção por causa da falta de peças e impossibilidade de investir mais dinheiro nas operações.

Venezuela: como funciona o mercado de automóveis

Se a indústria e o comércio de automóveis estão mal na Venezuela, o poder de compra dos consumidores não segue a mesma rota. A demanda por carros é muito grande, só que não há disponibilidade de produto. Muitas lojas nem tem prazo de entrega e quem consegue comprar, imediatamente vende por duas ou três vezes o valor de tabela. Lembra-se da Fortuner? Depois de emplacada, ela realmente vira uma fortuna na mão do proprietário, que pode vender facilmente por 1,5 milhão de bolívares ou mais de R$ 522,4 mil!

O preço alto é compensado pelo subsídio aos combustíveis, sendo que a gasolina custa em média R$ 0,09 o litro. Em alguns locais, nem mesmo é preciso pagar para abastecer, já que os valores são irrisórios. No entanto, se você está lá e quer unir o útil ao agradável, pode partir para o mercado negro, onde a cotação do dólar é bem mais baixa e a Fortuner pode custar em torno de R$ 60.000…

Mesmo assim, os números não ajudam. A importação tem despencado, já que o governo quer priorizar a produção nacional, assim como o Brasil faz atualmente, mas controlando os preços e retendo a entrada de dólares. Em 2008, a Venezuela importou 135.499 veículos, mas em 2012 apenas 25.296 entraram no país. A produção cai de 172.418 em 2007 para 105.000 em 2012. No primeiro trimestre de 2013, a produção caiu 51,7% e não passou de 14.316 unidades. A imposição de regras para cotação de preços sugeridos e comercialização de veículos tem prejudicado enormemente o mercado local. Assim, a Venezuela é um país com demanda fortemente reprimida.

[Fonte: La Capital/El Tiempo]

Ricardo de Oliveira

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 23 anos. Há 12 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.

  • luciano

    O Bloqueio Norte americano, embargo econômico, funcionou direitinho, está asfixiando a VENEZUELA. E estrangulando o povo de lá.

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