Carros 8V ou 16V? Qual tem manutenção mais barata e é mais ágil?

Carros 8V ou 16V? Qual tem manutenção mais barata e é mais ágil?

Embora hoje em dia muita gente nem se preocupe mais em saber sobre muitos detalhes do motor, se importando apenas com desempenho ou consumo, outros ainda se perguntam se um motor 8V é melhor que um 16V.

A questão é formulada com base em alguns pontos, entre eles custo de manutenção, força em baixa e performance em alta rotação.

Especialmente em relação a força e desempenho em certas rotações existem diferenças bem perceptíveis para o comprador. Mas antes disso, vamos falar um pouco sobre a manutenção de motores de 8V ou 16V.

A questão nos anos 90 era muito mais importante que nos dias atuais, pois a garantia era pequena e não havia custos fechados para revisões.

Manutenção

A primeira coisa que podemos considerar é que o custo de manutenção entre os dois tipos de motor, ou melhor, de cabeçote, são equivalentes. Isso é referente às revisões, onde o custo hoje em dia é fechado.

As marcas não só aumentaram a garantia de seus produtos, a fim de também manter os clientes por mais tempo na rede, mas também tabelaram os preços das revisões para que o consumidor não seja pego de surpresa.

Antes disso, cada concessionário cobrava o que queria e não havia tabela nacional para revisão. Assim, a garantia de um ano servia como um consolo para quem não queria ter prejuízos na rede autorizada.

Era mais ou menos como se o fabricante e seus revendedores afugentassem seus clientes após a compra, um pensamento muito estranho para a realidade atual. Agora algumas marcas até cobram um valor fechado adiantado para um determinado período, geralmente de três anos.

A ordem do dia é não perder o cliente da revisão, que pode virar comprador da marca quando for trocar por um novo. No caso dos motores 8V e 16V, os custos fechados são muito parecidos entre si e até entre algumas marcas. O motivo é a concorrência.

Para termos uma ideia, até carros de luxo e de marcas premium possuem revisões tabeladas, como se fossem aquelas francesas que começaram a fixar os preços em nível nacional para atrair clientes. Entre os dois motores, porém, não há diferença substancial quando o assunto é revisão.

Já no caso de uma reparação, aí a coisa muda, pelo menos um pouco. O que mais vai exigir um custo adicional em caso de retífica é o número de válvulas e componentes para sustentá-las, entre eles duas polias, correia dentada maior, dois comandos de válvulas e o dobro de válvulas, falando basicamente.

Isso implica em maior custo, mas não tão grande a ponto de um motor 16V ser evitado. Aliás, com exceção da Fiat, todas as demais apostam nas quatro válvulas por cilindro, mas é a concorrência que vai ditar o futuro da marca italiana.

Carros 8V ou 16V? Qual tem manutenção mais barata e é mais ágil?

Força nas saídas?

A maior parte do tempo é passado nas cidades, locais onde a população que deixou a zona rural decidiu viver e trabalhar. Como se trata de espaços onde as vias são estreitas e limitadas, ter um automóvel ágil é fundamental.

Por isso, o motor 8V (foto acima) se torna uma opção interessante. Acontece que esse propulsor tem duas válvulas por cilindro e, por aspirar mais ar-combustível em regimes de trabalho mais baixos, entrega mais disposição para atuar no dia a dia urbano.

Com ou sem comando variável, um motor 8V não vai render de modo satisfatório. Isso ocorre pois, em rotação mais alta, as duas válvulas não possuem a capacidade de aspirar mais ar. Os sistemas de controle do propulsor são desenvolvidos para atender bem nos dois regimes, mas isso não é suficiente para que o 8V tem uma performance melhor.

Assim, o motor 8V obtém mais força em baixa, mesmo que o torque seja menor, oferecendo uma condução mais agradável e passando menos aquela sensação de perda de força. Porém, vale lembrar que sistemas eletrônicos e arquiteturas de funcionamento irregular estão virando o jogo a favor dos motor 16V.

Carros 8V ou 16V? Qual tem manutenção mais barata e é mais ágil?

Performance em alta

Quando chegaram ao Brasil nos anos 90, os motores 16V representavam status ao consumidor brasileiro, cansados de anos de isolamento comercial com o resto do mundo.

Esses propulsores de quatro válvulas por cilindro eram bem mais modernos e tinham desempenho em altas rotações muito superior aos de 8V, comumente usados nas marcas mais antigas e que havia sobrevivido ao período de isolamento nacional.

Porém, esses motores chegaram em um momento onde o consumidor e a reparação ainda não estavam em sintonia com o resto do mundo. O cliente não sabia como lidar com a manutenção desse tipo de cabeçote e os mecânicos (de fora da rede, lembrando que a garantia era de um ano) não haviam recebido treinamento.

Por isso, carros 16V com motor fora de ponto ou danificados por quebra da correia dentada eram comuns.

Sem treinamento para assistência e sem conhecimento básico da manutenção por parte do proprietário, os motores 16V logo começaram a quebrar e dar um enorme prejuízo para quem não efetuou a revisão como deveria. Nas oficinas particulares, muitos se arriscaram sem ter qualquer experiência e acabaram gerando prejuízos para seus clientes.

Fora isso, se o motor 16V era bom em altas rotações, extraindo o máximo de potência do motor, ele também tinha seu defeito: a falta de força em baixa. Na época, poucas marcas dispunham do comando de válvulas variável, que permite ajustar o tempo de abertura e fechamento das válvulas, impossível em comandos convencionais.

Assim, o motor rendia mais em alta e morria em baixa. Esse foi um dos fatores que levaram ao abandono dos motores de 16V por parte dos fabricantes “oldcomers”, que acabaram retornando ao motor 8V.

Hoje, os comandos variáveis, seja de admissão ou também de escape, permitem que a eletrônica ajuste os tempos de abertura das válvulas, fazendo com que o motor aspire mais ar-combustível em baixa para produzir melhor resposta nas saídas.

Por outro lado, também permite abri-las para que o motor também respire mais em alta, resultando em performance superior. Na estrada, motores assim são mais vantajosos para quem gosta de uma condução mais esportiva.

Carros 8V ou 16V? Qual tem manutenção mais barata e é mais ágil?

Com essa tecnologia, os motores atuais já conseguem satisfazer os donos de carros 16V no uso urbano, pois no rodoviário esse tipo de motor sempre prevaleceu. Mas não é apenas isso. Com a chegada dos blocos de três cilindros (foto acima), o termo 12V começou a se popularizar, especialmente entre os motores 1.0.

O funcionamento irregular com dispositivo antivibração, aliado à boa relação diâmetro x curso, permitem que esses pequenos motores tenham um torque bem mais generoso em baixa rotação, mas há exceção em número de válvulas: 6V na Fiat. Pequenos e versáteis, eles agradam mais pelo desempenho e economia do que pelo ruído característico.

Atualmente, os motores 16V (ou 12V) funcionam bem com tais comandos variáveis, mas existem exceções em cilindradas mais altas. A falta de força em baixa ainda é perceptível, mas está bem atenuada. As tecnologias ajudam muito nesse momento, que permite também maior eficiência por parte do veículo.

Com exceção da Fiat, todos os demais fabricantes só pensam em motores de quatro válvulas por cilindro. A GM, por exemplo, utiliza motores 1.4 e 1.8 litro, ambos com 8V no cabeçote, na base de produtos.

No entanto, isso vai mudar, pois a montadora demorou anos atualizando esse longevo motor, mas agora percebeu que chegaram ao seu limite tecnológico. O próximo passo será sua extinção.

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.