
Um arremate de US$ 1.242.000 (R$ 6,2 milhões) no leilão Barrett-Jackson de Scottsdale, em 2006, parecia a consagração definitiva de um muscle car raríssimo da Chevrolet.
O problema é que o mesmo 1970 Chevrolet Chevelle SS 454 LS6 Convertible voltou ao mercado e, em 2009, saiu por apenas US$ 264.000 (R$ 1,3 milhão) no RM’s Icons of Speed and Style.
A pancada para o proprietário foi enorme, mas a queda não veio de uso ou desgaste no período, e sim de uma combinação de restauração fraca, pouca originalidade e “febre de leilão”.
O Chevelle chamava atenção por ser conversível e por ter um currículo de competição que poucos carros de rua conseguem exibir sem soar exagero.
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Em 1970, ele foi usado extensivamente por Ray Allen, do time Truppi-Kling patrocinado pela Briggs, e acumulou resultados considerados altamente competitivos.
O que já era raro ficou ainda mais desejado porque a produção do 1970 Chevelle SS 454 LS6 Convertible nunca teve números oficiais divulgados pela Chevrolet.
A estimativa mais citada é de que menos de 20 unidades tenham sido feitas, e isso sozinho já acende a disputa entre colecionadores de muscle cars.
Mesmo assim, a régua do mercado atual é bem mais pé no chão: a Hagerty avalia um exemplar de concurso em US$ 454.000, um valor alto, mas bem distante do pico de 2006.
O diferencial que empurrou o preço para sete dígitos foi o histórico de pista, com vitórias em eventos de peso como o NHRA North East Division championship, o 1970 World Finals e o 1970 Supernationals.
Na era em que modelos da Chrysler dominavam a arrancada com tempos na casa de 11 segundos médios, esse conversível da Chevrolet cravou 11,01 s no quarto de milha e chocou muita gente.
O desempenho veio acompanhado de upgrades específicos, incluindo coletores de performance, comando mecânico de válvulas e um conversor de torque aftermarket.
A lista ainda citava relação de diferencial 5,14:1 e um comando que teria sido “pinçado” de um big-block L88, reforçando o clima de carro montado para ganhar.
Com escassez, peças de performance, vitórias e dois compradores dispostos a não perder, o leilão perdeu a lógica e atravessou a marca de US$ 1 milhão.
Imagens do lance mostram que, ao redor de US$ 600.000, a disputa virou praticamente um duelo, e foi essa teimosia que empurrou o resultado ao extremo.
Só que alguns sinais teriam sido ignorados em 2006, e eles pesaram quando o mercado olhou com mais frieza e sem adrenalina.
A carroceria original já havia passado por alterações pesadas ao longo de décadas, fruto da vida de competição, e a restauração pré-venda não era nada especial.
Quando o carro apareceu novamente, a constatação era dura: o metal original tinha ido embora e o motor de fábrica estava perdido há muito tempo.
No lugar, havia uma unidade substituta “vestida” para parecer um LS6, um detalhe que costuma derrubar o valor entre colecionadores que pagam caro por autenticidade.
Depois de 2009, o carro ainda rondou cifras grandes, mas sempre longe do recorde: em janeiro de 2015, chegou a US$ 450.000 (R$ 2,3 milhões) no Mecum Kissimmee, mas não foi vendido.
Dois meses depois, apareceu listado por US$ 575.000 (R$ 2,9 milhões), reforçando que ainda era valioso, só não no patamar do auge.
A leitura final é simples e cruel: talvez uma restauração detalhada, com as peças certas, componentes corretos de época e grafismos period-correct, pudesse reacender o sonho dos sete dígitos.
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