Tirar o catalisador do escapamento aumenta a potência do carro?

Tirar o catalisador do escapamento aumenta a potência do carro?

Devo tirar o catalisador do meu carro? Se você fizer uma pesquisa em vários fóruns automotivos, onde existe um tópico de alguém querendo aumentar a potência do seu carro sem gastar muito, notará que dentre as recomendações feitas pelos outros membros, retirar o catalisador é uma sempre presente.


Sempre aparece aquela frase: “Só tirar o catalisador, colocar um chip+filtro na empresa tal já estaria muito bom.”

Será que tirar o catalisador aumenta mesmo a potência do meu carro? Será que existem outros efeitos ao fazer essa retirada, tanto bons quanto ruins?

1) Primeiramente, retirar o catalisador aumenta sim a potência, mas esse aumento é mínimo e, na maioria das vezes, nem mesmo é notado pelo condutor. Retirá-lo e colocar um chip de potência ou trocar o filtro vai resultar em um aumento de potência entre 5 e 15 cavalos, dependendo do modelo.

O que não mudará radicalmente nenhum aspecto do rendimento dinâmico do modelo. Mas os problemas que vem junto com esse pequeno aumento de potência fazem com que a retirada do catalisador não valha a pena.

2) Seu carro vai emitir muito mais poluição no meio ambiente. Pense nisso. Ele também vai ficar um pouco mais barulhento. E você vai correr o risco de tomar uma multa se um policial de trânsito ver que você mexeu no sistema de escape do seu carro, ou ainda na hora de fazer aquela temível vistoria no Detran.

Além disso, se tiver algum sistema eletrônico ligado ao escapamento depois do catalisador, e você o retirar, o sistema de injeção do carro irá se embaralhar todo, piorando o desempenho e também o consumo. O motor certamente ficará desregulado.

3) Retirar o catalisador do carro também é considerado um crime ambiental, que rende multa de entre 500 e 10.000 reais. E aí, ainda acha que vale a pena?

Só um detalhe final. Se seu catalisador estiver ruim e você tiver que trocar, prepare-se, pois ele é a peça mais cara do sistema de escapamento, custando de 650 a 1.500 reais.

Mas o que é o catalisador?

Catalisador é o nome genérico para o conversor catalítico. Trata-se de um dispositivo que ajuda a reter as partículas nocivas provenientes da queima da mistura ar-combustível na câmara de combustão e que é enviada à atmosfera através dos coletores de escape e do próprio escapamento.

Seu uso começou a ser obrigatório nos EUA em 1993, enquanto o Brasil tornou tal item obrigatório em 1997.

Funcionando em um ciclo fechado de três vias, o catalisador reduz a emissão de hidrocarbonetos e monóxido de carbono na atmosfera, operando com três estágios: catálise redutora, catálise oxidante e sensor de oxigênio.

Este último é o responsável pela abertura maior ou menor da borboleta no coletor de admissão de ar do motor, ou seja, sua retirada desregula completamente o motor.

Com isso, o conversor catalítico converte os elementos citados acima em água e dióxido de carbono, assim como óxido de azoto em apenas azoto. A redução da emissão de partículas cai entre 10% e 50%, enquanto hidrocarbonetos e monóxido de carbono são reduzidos, respectivamente, em até 80% e 90%.

As avarias mais comuns a esse equipamento são devido ao enxofre na gasolina, que reduz o processo de tratamento de emissões do veículo ou de chumbo presente na gasolina, embora agora o combustível não tenha mais esse componente químico.

Manganês e silício também podem arruinar o funcionamento do catalisador por conta de aditivo em lubrificantes, assim como vazamento de líquido refrigerante na câmara de combustão.

O gerenciamento eletrônico sobre o funcionamento do catalisador é feito pelo dispositivo OBD-Br2 e uma eventual falha é indicada no painel, sendo recomendada sua verificação eletrônica e eventual correção.

Alguns modelos, como a picape Nissan Frontier, por exemplo, tem um sistema autolimpante do catalisador através de botão no painel.

Eber do Carmo

Formado em marketing, tem mais de 15 anos de experiência escrevendo sobre o mercado automotivo no Notícias Automotivas, desde que fundou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Também teve por três anos uma empresa de criação de sites e catálogos eletrônicos.